Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Asas de borboleta

Várias vezes o adrian tem encontrado valiosas dicas via bibliotecário de babel. Pois o seu autor vai editar, via Oficina do Livro, O Efeito Borboleta e outras histórias: uma boa recomendação para jovens, nomeadamente para os que se queixam da extensão/espessura/volume das obras literárias. São micro-contos, pequenos contos, prosa não-extensa, o que lhe quiserem chamar. A apresentação do livro será dia 27 de Junho, na Casa Fernando Pessoa, por António Mega Ferreira. Aqui fica um cheirinho da obra (esta passagem dá pelo nome de Quatro Pregos):
"A campainha tocou uma, duas, três vezes. À quarta, Pete praguejou, desceu do escadote, pousou o martelo na mesa da sala e foi abrir a porta das traseiras. Entre os lábios, com a ponta afiada para fora, quatro pregos. Mal o viu, reconheceu imediatamente o rosto atrás da rede. Era Carver, Raymond Carver, o vizinho escritor e alcoólico. Um homem metido para dentro, pouco falador. Sabia que ele tinha publicado dois ou três livros de histórias curtas, mas não lera nenhum. Olivia, com o cinismo velhaco que usava contra tudo e contra todos, costumava dizer que se ele fosse um grande escritor, dos verdadeiramente bons, não viveria decerto naquele bairro.
«Desculpe incomodá-lo, mas pode oferecer-me alguma coisa que se beba?», perguntou Carver, coçando a barba mal feita. Saliva nos cantos da boca seca, olhos semicerrados por causa da luz forte do meio-dia.
«Não sei onde meti as chaves de casa e a minha mulher só deve estar de volta daqui a umas horas.»
Pete abriu a porta de rede, guardou os pregos no bolso e foi buscar gin, copos, duas cadeiras, um balde de plástico com gelo. Daí a muitos anos, pensou, aquele desgraçado de mãos trémulas talvez viesse a inclui-lo, a ele, Pete, com outro nome mas os mesmos gestos, num conto qualquer. Tinha quase a certeza de que o faria. E meia garrafa de gin era um preço perfeitamente aceitável para aceder a essa espécie de eternidade."
SILVA, José Mário. Efeito borboleta e outras histórias. Lisboa, Oficina do Livro, 2008. 140 p. ISBN 9789895553747.
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Domingo, 15 de Junho de 2008

Ano I

Este blog faz hoje um ano. O adrian agradece as visitas e os comentários, congratula-se pelas pessoas que conheceu neste blogomundo e espera andar por cá mais uns tempos, partilhando pontos de vista sobre jovens, leituras, bibliotecas e afins. Bem-hajam!

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Hip Hop Pessoa

O adrian reteve esta notícia, e dá eco da inciativa. Cita-se o site HipHop Tuga:
“Dia 13 Junho, a partir das 18 horas, no âmbito das comemorações dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, vai ocorrer no Terreiro do Paço (Lisboa) o evento "Hip Hop Pessoa", "um encontro entre os escritos do poeta e algumas das mais aplaudidas vozes do movimento Hip Hop nacional". Este encontro corresponde à primeira resposta a um convite efectuado pela Casa Fernando Pessoa e a Câmara Municipal de Lisboa à editora Loop Recordings. Uma segunda produção está a caminho, num CD+DVD de igual homenagem a Fernando Pessoa, com saída prevista para Setembro. Adianta-se desde já a direcção artística, entregue a D-Mars, e alguns dos nomes envolvidos: Pedro Laginha (actor e vocalista dos Mundo Cão) em colaboração com DJ Ride, Marta Hugon em colaboração com os Spill de André Fernandes, Kalaf em colaboração com o trio do saxofonista Rodrigo Amado, D_Fine e Rocky Marsiano, Maze com o DJ Soma, Fuse, Melo-D, Sagas, Raptor e Sam The Kid com o seu pai, Viriato Ventura.”

Segundo as palavras de Inês Pedrosa (Casa Fernando Pessoa) ao Correio da Manhã, “pretende-se uma actividade que atinja os mais jovens”. O adrian não faz futurologia mas, optimista como é, acredita que é um tiro num porta-aviões (e, a sê-lo, aproveite-se, reestruture-se e integre-se em itinerâncias sob a égide da DGLB)!
Mais uma coisa: fica desde já prometido um post para essa edição CD+DVD de homenagem ao homem da tabacaria. Se não o lerem, pelo menos ouvi-lo não lhes faz nada mal.

Highlander


Pela mão da Gailivro – estão a atacar em força o género fantástico, não há dúvida –, chega às bancas esta semana a mais recente obra de Michael Scott, reputado autor irlandês a residir em Dublin e um especialista em mitologia e folclore. O Alquimista: o segredo do imortal Nicholas Flamel venceu o Book Sence Children´s Pick List de 2007, o Texas Lone Star Reading List (porque é que este galardão recorda o adrian de um certo Presidente Americano… Já sei! Texas = Lone Star = Lone Ranger = Tonto! É isso, Tonto!), e foi finalista do Kirkus Reviews 2007 Teen Book Vídeo Awards.

Pela editora:

«O livro foca-se em Sophie e Josh Newmen, gémeos adolescentes que se encontram apanhados numa batalha entre o Bem e o Mal. Nos próximos livros os gémeos irão atravessar a América, para aprenderem as magias antigas enquanto são perseguidos por criaturas mitológicas de vários países. Flamel será o guia e professor de Sophie e Josh Newmen. Nicholas Flamel nasceu em Paris, em 28 de Setembro de 1330. Quase setecentos anos depois, é reconhecido como o maior alquimista de todos os tempos. Diz-se que descobriu o segredo da vida eterna. Os registos certificam que morreu em 1418, mas o seu túmulo está vazio. Nicholas está vivo, graças ao elixir da vida que produz há séculos. O segredo da vida eterna está escondido no livro que protege – o Livro de Abraão, o Mago, o livro mais poderoso de sempre. Se for parar às mãos erradas poderá ser o fim do Mundo.»

Tenham medo, muito medo!!! O adrian fica banzado com a similitude desta obra com o filme Highlander (traduzido em português como Duelo Imortal) e imortalizado (a expressão não poderia ser melhor) por Christopher Lambert. Mas essa é preocupação que não afectará os públicos leitores, com toda a certeza. São mais 384 páginas (e ainda dizem que os jovens lêem pouco) de mezinhas, pozinhos, duelos, magos e promessas de fim do mundo. Tal como dizia Pennac, a grande sorte que teve ao longo da vida foi nunca lhe terem criticado as leituras. Deixaram-no escolher. Deixemo-los, pois.

SCOTT, Michael. O Alquimista : os segredo do imortal Nicholas Flamel. Lisboa : Gailivro, 2008. 384 p. ISBN 9789895575473.
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Eclipse

A sorte sorriu aos amantes de romances à moda da Transilvânia: a Gailivro fez sair, na última quinzena de Maio, o volume final da trilogia Luz e Escuridão, da autora Stephenie Meyer. Após Crepúsculo e Lua Nova, eis que chega Eclipse. E que mais podem os teens querer? Ao fim e ao cabo são 608 páginas (valentes!) de mortes inexplicáveis, vampiros com crises de identidade e desamores de liceu. E, já agora, não esquecer que foi este o título que destronou o último Harry Potter da tabela de mais vendidos do New York Times.

Estão à espera de quê para completar a colecção? Os vossos leitores agradecem. E, já agora, o adrian aconselha uma pesquisa Google: stephenie meyer + eclipse. São blogs e páginas Web com fartura, com tudo sobre esta saga. Aproveitem para colocar alguns links junto aos PC’s de acesso à net.
MEYER, Stephenie. Eclipse. Lisboa : Gailivro, 2008. 608 p. ISBN 9789895575183.
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Selecção Angelus Novus

E, já que o adrian está numa de Selecção Nacional, digam lá se esta publicidade da Angelus Novus não está uma maravilha? Ideal para teens que sonham ser como o Ronaldo: uma equipa de categoria com Fernando Pessoa (Mensagem), Bernardim Ribeiro (Menina e Moça ou Saudade) e Diogo do Couto (O Soldado Prático). Bem esgalhado! Mal lhe ponha as mãos em cima irei aqui sugerir a Ovelha Negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso (recentemente reeditado por esta casa conimbricense).

Aproveitem e dêem uma voltinha pelo site e blog da editora. Vale mesmo a pena!
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Euro 2008, amor e bibliotecas


A Sic apresentava esta semana, após o Jornal da Noite, uma reportagem sobre a vida de Pepe, jogador que, no transacto sábado, marcou o primeiro golo da Selecção Portuguesa contra a Turquia, no Euro 2008. O adrian apanhou esta resposta à pergunta de Daniel Oliveira “Onde conheceu a sua mulher”. Resposta: “A gente costumava ir na mesma biblioteca”. GOOOOOOLO!
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English

It’s been a while since a post was published here in this blog. The main reason was that adrian’s puppeteer was having a huge work regarding the III Encontro Oeiras a Ler – A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública. And, for the same reason, this text will be entirely in English. Why, would you ask? Well, due to some reflections that came afterwards. But, read on and you’ll find out more…

The meeting was quite good. One should not be ashamed of making a nice work, and all the team from the Oeiras Public Libraries connected to this event finished it with a sense of accomplishment and fulfilment. Over two days the speakers shared their best practices, the audience asked pertinent questions, the breaks and schedules were respected in the best way possible, the simultaneous translation went as planned and Manuela Barreto Nune's task of Conclusions/Recommendations was very sucefull, acting has a summula of all the work produced in the 29th and 30th of May. Max Butlen and José Soares Neves made their presentations based in a more theoretical way, in the first morning, while the afternoon brought the field experience of Michele Gorman and Jonathan Douglas. The second day came with more practical overviews from Christian Schmitz, Lorenzo Soto and Paula Brehm-Heeger. Each moderator acted as planned, introducing the professionals invited and conducting the discussions afterwards.

So, what does this have to do with writing a post in English? Well, there were 110 seats available and, more or less, 80 inscriptions. The 45 euros fee included lunch on both days (so, it was not expensive). Taking this in consideration, one of the main surprises of the speakers (who where, “only”, the Director of the National Literacy Trust, the President of Yalsa, the architect working on a regular basis with the Bertelsmann Foundation, a responsible of the Centre of Childhood and Youth Literature of the German Sanchez Ruy-Perez Foundation, one of the best recognized trainers of youth librarians in the U.S.A., a university teacher that already worked for the governments of Brazil and France and that is one of the most recognized experts in youth literature, reading and pedagogy and – last but not least - a renowned Portuguese investigator of the Observatório das Actividades Culturais) was that the room where the III Encontro took place was not full. From one of them it was heard the following comment:

“I never had seen such a programme regarding teens and public libraries from so many different countries and aggregating different views. I know at least 20 or 30 professionals from my home country that would pay to be here”.

So, here’s the reason why adrian wrote this post in English. If Portuguese (and this includes people from public, school and university libraries, state and private institutions and post-graduate students) aren’t enough to fill up a room of 110 seats (which one could find – and can -, rather unbelievable, especially concerning the programme proposed), so let’s start speaking to the next targeted audience. Got it?

p.s. – and don’t be afraid, you Portuguese Librarians that came to this III Encontro: for you who have the will to speak out, share and think, adrian bets that there’ll always be a pair of headphones.
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Faltam três dias...

Para o início do III Encontro Oeiras a Ler - A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública. O programa oficial segue mais abaixo e o adrian não pode deixar de reafirmar que, para quem se interessa por estes públicos, ouvir os oradores presentes será, no mínimo, uma excelente fonte de inspiração. Ainda há vagas, que poderão ser preenchidas contactando Sofia Pinto via email (sofia.pinto@cm-oeiras.pt) ou telefone (214118973).
29 Maio 2008
09.30
Recepção e entrega de documentação
10.00
Sessão de Abertura
11.00
Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica - França)
La promotion de la lecture pour la jeunesse dans les bibliothèques publiques en France
Moderador: José Carlos Vasconcelos
12.15
José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais - Portugal)
Bibliotecas públicas, promoção da leitura e públicos jovens: alguns apontamentos com incidência no caso português
Moderador: José Carlos Vasconcelos
13.30
Almoço
14.30
Michele Gorman (ImaginOn - Charlotte & Mecklenburg County - EUA)
Get Your ImaginOn! - Creating a New Generation of Library Services for a New Generation of Library Users
Moderador: José Mário Silva
15.45
Café
16.00
Jonathan Douglas (National Literacy Trust – Reino Unido)
Creating a national youth reading culture
Moderador: José Mário Silva
30 Maio 2008

09.30
Christian Schmitz (Fundación Bertelsmann/Bertelsmann Stifung - Alemanha)
(sem título - comunicação sobre bibliotecas para jovens do ponto de vista arquitectónico)
Moderador: Carlos Pinto Coelho
11.00
Café
11.30
Lorenzo Soto (Centro Internac. Livro Infantil e Juvenil - FGSR - Espanha)
La Literatura Juvenil en España hoy: un enigma por resolver
Moderador: Carlos Pinto Coelho
13.00
Almoço
14.00
Paula Brehm-Heeger (Presidente da YALSA - EUA)
Yalsa – Leading the Way
Moderadora: Mafalda Lopes da Costa
15.30
Café
16.00
Manuela Barreto Nunes (Universidade Portucalense)
Conclusões/Recomendações
Poderão consultar as respectivas notas biograficas de cada orador aqui. O adrian aproveita também para se desculpar pela baixa frequência dos posts mas o respectivo bonecreiro tem andando, precisamente, a meter as mãos na massa neste Encontro.
Um abraço!

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Camus aos 17

Via bibliotecário de babel o adrian acedeu a uma lista de 50 livros de culto, coligida pelos críticos do Telegraph. Se nos deparamos com algumas escolhas incompreensíveis – sendo que os critérios de selecção também não se afiguram os mais lógicos –, a seguinte menção despertou interesse:
"Mother died today. Or maybe yesterday, I don’t know."
The beach, the sun, the Arab, the gunshots, the chaplain: the stuff of millions of adolescents' fevered imaginings. If you don't love this when you're 17, there’s something wrong with you.”
Fala-se d’O Estrangeiro, de Camus, que aqui fica como mais uma recomendação de leitura autónoma ou para ser discutida em grupo/comunidade de leitores. Do Público:
“Completamente exterior às convenções e à moral vigentes, Mersault é um verdadeiro estrangeiro em qualquer organização social ou familiar. Cometerá um homicídio sem razão aparente que não a do calor excessivo na praia ou a da forte luz do sol que sobre ele incidia directamente quando disparou. Mersault não tem justificação para o crime nem para o resto. Nada do que faz é para ser explicado. Eis o absurdo da sua existência ou de qualquer outra.”
Já Helena Vasconcelos aconselha este título, na sua lista 20 livros até aos 20. Diz, a propósito:
"Creio que a ideia é fornecer pistas sobre quais os livros que podem formar o carácter de uma pessoa, uma vez que a leitura deverá ser uma das formas mais directamente actuantes na construção de uma personalidade. (…) as pessoas em fase de crescimento físico e psicológico devem conhecer heróis e heroínas, isto é, seres humanos capazes de exercerem o livre arbítrio em prol de algo positivo para eles e para os outros.”
O Estrangeiro é um desses heróis – ou anti-herói? -, que vale a pena conhecer. Sugere-se exibição do título nas mesas onde os jovens habitualmente estudam, com uma pequena recensão e nota biográfica.
Camus, aos 17. Ao adrian, parece-lhe mais que razoável.
CAMUS, Albert. O estrangeiro. Lisboa : Livros do Brasil, 2006. 118 p. ISBN 978-972-38-2809-2.
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Lance & Salvador

Há uns tempos o adrian sugeriu quatro obras como recomendações de leitura autónoma e que, pelo género em que se incluem – biografias –, são apetecíveis também para discussão no seio de um grupo de leitores. Após umas pesquisas Web e incursões por FNAC’s e afins, aqui vão mais dois relatos de vida que, com certeza, servirão os mesmos propósitos que O diário de Rutka, A espingarda do meu pai, Eu quero viver e Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado.
Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro é a biografia de Lance Armstrong, vencedor do Tour de France sete vezes consecutivas. Da sinopse, pela editora:
“Esta é a história da vida de um dos maiores ciclistas de sempre – Lance Amstrong –, da sua batalha contra o cancro e da forma como a doença o transformou e lhe conferiu uma nova perspectiva sobre as coisas que são realmente importantes. É também uma incursão no mundo do ciclismo de alta competição: a dureza da modalidade, o sacrifício, a exigência. No fundo, o ciclismo como metáfora de vida.”
O adrian destaca o facto de este título permitir a associação desporto e leitura (combinação que se afigura bastante promissora para cativar jovens mais relutantes em folhearem um livro) e a particularidade de ter duas recomendações da Young Adults Library Services Association.
A segunda recomendação – Salvador: ser feliz assim –, não trará consigo a aura de um desportista de renome internacional. Mas fala de um jovem igual a tantos outros, com uma história particular:

“No dia 2 de Agosto de 1998, sofri um acidente de mota que me deixou tetraplégico. Na altura do acidente estava de férias de Verão, no Algarve. (...) Passava as manhãs na praia e no final da tarde ia jogar futebol com os meus amigos. A noite era obviamente o culminar de um belo dia de verão. (...) Nessa noite, regressava a casa ao volante da mota da minha irmã, uma Yamaha BW’S de 50cc que não passava dos 45 quilómetros por hora. Adormeci (...) e embati contra um Placard de publicidade. Porque razão é que adormeci? Porque para além do cansaço inerente ao ritmo das férias, bebi álcool e isso contribuiu para aumentar o meu estado de cansaço e distracção. Após o acidente, seguiu-se um período em que fui permanentemente sujeito a exames médicos, hospitais e intervenções cirúrgicas. Foi-me diagnosticada uma lesão medular (...) o que significava que doravante eu seria um tetraplégico. O primeiro confronto com a realidade foi muito dura.”
A jornalista Laurinda Alves descreveu assim a obra:

“Este livro fala da liberdade interior que é a única que nos permite ser verdadeiramente felizes. O Salvador é para todos um testemunho contagiante de alegria, entusiasmo e força de vontade. O seu livro conta uma história de superação que nos comove, que muda o nosso olhar e nos transforma para sempre. Ficamos diferentes depois de o ler.“

O prefácio é assinado pelo neurocirurgião João Lobo Antunes. Cita-se:

(…) Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança, se salvou (…).”
Ao adrian, parecem-lhe dois títulos fascinantes para jovens. Exemplos de luta contra a adversidade, têm tudo para o gerar de afinidades com a leitura: se Lance personifica o herói que todos os jovens querem ser (recordam Pennac? O direito de o leitor amar os heróis dos romances?) já Salvador é o jovem que todos poderiam ser. A adquirir.

ARMSTRONG, Lance. JENKINS, Sally. Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro. Lisboa : Edições 70, 2004. 273 p. ISBN 972-44-1208-3.

PAISANA, António. ALMEIDA, Salvador Mendes de. Salvador: ser feliz assim. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 113 p. ISBN 978-972-38-2865-8.

Capa de “Salvador” aqui
Foto de lance armstrong aqui

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Download

Da última conferência sobre audiolivros no Goethe Institut, aqui se deixa a informação que o adrian considerou mais pertinente:

  • Segundo a alemã Der Horverlag, o mercado de ouvintes até aos 29 anos de idade corresponde a 24% do mercado (12% até aos 19, 12% até aos 29). Já os compradores nas mesmas faixas etárias correspondem a 17% do mercado (4% até aos 19 anos e 13% até aos 29). O género masculino compra mais audiolivros, utiliza com maior frequência a Internet para a sua aquisição e tem uma apetência superior pelo download (este último corresponde a 4% do total de aquisições, mas com tendência crescente);
  • A portuguesa 101Noites falou da fidelização dos seus públicos por via da possibilidade de download das obras. Uma tendência observada por esta editora é a do cliente que, após descarregar um título, acaba por o fazer em relação a todos os outros (convenhamos que ainda não são muitos e o preço é, efectivamente, acessível – 4,50€ por cada obra em formato MP3). Sem terem dados relativos a faixas etárias, do discurso de Sandra Silva percebeu-se que os jovens terão quota-parte de responsabilidade neste caso de sucesso editorial;
  • Se a Solutions By Heart afirmou o que a Hoverlag tem vindo a comprovar num mercado de mais de 17.000 títulos (“o CD é o formato preferido, mas a tendência é o download”), já João Cabral da MHIJ colocou em discussão duas interessantes questões: a falta de educação musical dos portugueses como motivo para que o áudio livro não vingue em Portugal e a necessidade de educar a Comunicação Social sobre o que é um áudio livro (trazendo à colação um episódio de um jornalista que o entrevistava sendo que, a dada altura, o editor se apercebe que o mesmo nunca tinha escutado uma obra em formato áudio).

Em suma, numa discussão moderada por José Afonso Furtado (melhor é impossível quando se fala do livro, seja em que formato for) o adrian destaca a tendência de download a aumentar (ambiente privilegiado junto das faixas etárias mais novas), a aquisição de títulos por jovens a representar uma percentagem razoável do total de vendas e, caso leiam os posts anteriores – aqui e aqui –, o que neste espaço se advogava relativamente à 101Noites: os resultados que advêm de um enfoque num público que, não sendo habitualmente muito considerado, pode marcar a diferença no que aos áudio livros diz respeito.

Que esta tendência continue em curva ascendente, para que os jovens leiam cada vez mais… nem que seja pelos ouvidos :-)

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Comunidades

Falha do adrian nunca ter referenciado as actividades direccionadas para os alunos do 3º Ciclo e Secundário, sob a égide da DGLB.
Andreia Brites – licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e bloguista convicta (Cadeirão Voltaire, O Bicho dos Livros) – dinamiza, no âmbito da Carteira de Itinerâncias 2008, Comunidades de Leitores para as supracitadas faixas etárias. Bastante interessante e a ler com particular interesse: a súmula das sessões.
O adrian fica particularmente feliz por ver um dos desafios lançados aos jovens: criarem uma banda sonora para uma das obras. Juntar interesses consolidados com potenciais é sempre boa ideia.
Mais informações aqui, a partir da página 81.

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Diplodocus

Um Diplodocus foi uma espécie de dinossauro, o Batman é um Minotauro (sem touro) mas meio-morcego, um anarquista advoga o fim do Estado e um bibliotecário é o que o Adal é, para além de ser também um Diplodocus, um anarquista e um Batman. Confusos? Então visitem o Espécie de Diplodocus e vejam o que este herbívoro jurássico de dezenas de toneladas anda a fazer, a bem das colecções das bibliotecas públicas.
Bem esgalhado, ó morcego-dinossauro-anarquista-bibliotecário!

Os Jovens, a Leitura e a Biblioteca Pública

Uma excelente oportunidade para ouvir, debater, questionar, refutar, indagar, partilhar e tudo o mais que se possa imaginar na relação entre jovens, promoção da leitura e bibliotecas públicas.
Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica – França), José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais), Christian Schmitz (arquitecto que tem idealizado várias bibliotecas para jovens), Paula Brehm-Heeger (YALSA-ALA), Jonathan Douglas (National Literacy Trust), Michele Gorman (Comixlibrarian) e Lorenzo Soto (FGSR) irão dissertar sobre A promoção da leitura para os públicos jovens e o papel da bilioteca pública, temática do III Encontro Oeiras a Ler que irá decorrer na BMO de 29 a 30 de Maio.
Com os diferentes painéis a serem moderados por José Carlos Vasconcelos, José Mário Silva, Mafalda Lopes da Costa e Carlos Pinto Coelho e tendo como relatora desta iniciativa Manuela Barreto Nunes, esperam-se dois dias de discussão e partilha de ideias e boas práticas, a bem da promoção da leitura.

Para mais informações estejam atentos ao Oeiras-a-ler.
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Pilhas de livros

Do blog da revista Ler do Círculo de Leitores – coincidência não é, com certeza, esta dinâmica bloguista desde que o autor da origem das espécies tomou as rédeas da publicação –, uma lista curiosa (entre outras, igualmente interessantes): a dos 101 livros que qualquer estudante universitário deve ler. É só clicar aqui. Obviamente que se irão deparar com escritores anglo-saxónicos, ou não fosse a lista norte-americana. Mas, caso a queiram complementar com autores portugueses, o adrian aconselha os Vinte livros até aos vinte. Junte-se tudo, crie-se uma relação de títulos e coloque-se nas mesas onde os jovens de 17 aos 24 habitualmente estudam – sala de leitura de adultos –, e junto aos postos de acesso à Web.
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Meu querido Corto Maltese

Excelentes notícias: a Bedeteca de Lisboa vai levar a cabo um grupo de leitores de banda desenhada, com a colaboração de Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura. Desde já os parabéns do adrian pela iniciativa, nomeadamente pelo facto de a idade mínima ser os 16 anos (desmistifiquem-se a bd como género só para gente pequena) o que irá, com certeza, afirmar a graphic novel (Como se diz por cá? Romance gráfico?) entre, pelo menos, os participantes desta actividade. Esperemos ecos da iniciativa. Vejam apresentação do projecto aqui, e notícia nos blogues do Adalberto e do Bruno.
Já agora, e porque tinha este post em banho-maria, aqui vai: uma pequena banda sonora para uma das sessões, caso leiam Hugo Pratt, será o cd Tango, do Trio Esquina que, em tempos, acompanhou a obra do mesmo nome em mais uma aventura de Corto Maltese. Uma excelente interpretação que nos põe em Buenos Aires em poucos segundos. Mas, se eventualmente não tiverem esse CD (não saiu com todas as edições da versão impressa), poderão sempre associar à discussão o poema da canção Meu querido Corto Maltese, da autoria de Vitorino e maravilhosamente interpretada por Filipa Pais no seu disco À porta do mundo. Encontram a letra da mesma aqui.

Desculpem lá esta mania do adrian de juntar claves do sol, vogais e consoantes, mas ele acha que faz todo o sentido.
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Sou todo ouvidos II

Para quem não teve oportunidade de assistir, no ano passado, às conferências sobre áudio livros realizadas em Lisboa (ver post do adrian aqui), pois tem agora mais uma oportunidade de ouvir falar sobre esta forma de escutar as letras, que tão bem poderá agarrar os jovens à palavra escrita, na forma dita. A 15 de Abril, pelas 18 horas, no Auditório do Goethe-Institut Portugal em Lisboa. Do Goethe Institut:

A arte acústica e os audiolivros estiveram em destaque no Goethe-Institut Portugal no último ano. Depois de um animado debate na conferência realizada no final de Novembro de 2007, queremos agora aprofundar a discussão com mais um evento dedicado ao tema. Após consultar várias editoras ligadas a esta área, seleccionámos como tema do próximo evento a comercialização, distribuição e marketing de audiolivros. Dos desafios criados pelo download de ficheiros áudio à gestão de uma loja online, pretendemos incentivar o debate relativamente a práticas inovadoras de comercialização e marketing, tais como parcerias com empresas de aluguer de automóveis e estações de serviço, sem nunca esquecer a importância do contacto e cooperação com as livrarias tradicionais. A mesa redonda contará com a presença de editores portugueses e um especialista alemão.

Participantes:

Sra. Anke Hardt, Directora Comercial da Hörverlag de Munique
Sra. Sandra Silva, Gerente da 101noites
Sra. Albertina Dias, Gerente da Solutions by Hardt
Sr. João Cabral, Editor da MHIJ Editores

Moderação: Sr. José Afonso Furtado, Fundação Gulbenkian
O adrian aconselha e recomenda. Cliquem aqui para mais informações.
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Eu que me comovo

Não sendo fácil encontrar qualquer uma das obras – mas para isso é que também servem as bibliotecas –, aqui vai uma dica que poderá servir para introduzir os jovens à escrita de um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Eu que me comovo por tudo e por nada é um cd de Vitorino, datado já de 1992 e vencedor do Prémio José Afonso de 1993. Com excepção da faixa 12, todos os temas têm letra de António Lobo Antunes. Aliás, a Dom Quixote acabou, anos mais tarde, por lançar versão impressa das mesmas, a que deu o nome de Letrinhas de Cantigas. Com títulos tão curiosos como Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto, Canção para a minha filha Isabel adormecer quando tiver medo do escuro ou Valsa das viúvas da pastelaria Benard (homenagem a Alexandre O'Neill), se ALA nos diverte e emociona como ninguém, muito ao estilo das suas habituais crónicas, Vitorino dá-lhe uma roupagem digna, bem musicada e com uma interpretação extraordinária. Excelente para grupos de leitores, apresenta-se como mais uma forma de dar a provar a sopa ;-)
Aqui fica um cheirinho, da faixa Todos os homens são maricas quando estão com gripe:
Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragotoas
Vinho com mel
3 aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas, diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Vejo os demónios
Nas suas danças
Tigres sem litras
Bodes de tranças
Choros de coruja
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
Á cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão-de-ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sozinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer.

ANTUNES, António Lobo. Letrinhas de Cantigas. Lisboa : Dom Quixote, 2002. 55 p. ISBN 972-20-2359-4.
foto de Vitorino por Manuel Lino aqui
foto de António Lobo Antunes aqui

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Porque é Abril

Bob Dylan foi galardoado, esta semana, com um prémio Pulitzer. A ideia foi distinguir o «profundo impacto que a sua obra teve na música popular e na cultura» dos Estados Unidos da América e o reconhecimento do «extraordinário poder poético» das suas composições. Dylan entra pelas salas de aula, nos EUA, com uma facilidade impressionante (leia-se, a este propósito, Voices of the Sixties and the Modern Poetry Slam, prestando particular atenção a Dylan and the protest song). Mr. Tambourine Man, The Times They Are A-Changin ou Blowin’ In the Wind servem de suporte para a introdução, não só à poesia, mas também à História, junto dos jovens.
E por cá? Não existiram Bob Dylan’s? Na mesma década e com as mesmas motivações? Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira não desempenharam iguais papéis? Manuel Alegre e Ary dos Santos, não imortalizaram o sentir de um povo? De forma poética, bela, sentida? As palavras das cantigas e A praça da canção, não poderão entrar por essas salas de aula adentro? Por essas bibliotecas? Poderão pois. Quanto mais não seja agora, que é Abril.
ALEGRE, Manuel. A Praça da Canção. Lisboa : Campo das Letras, 1998. 208 p. ISBN 972-610-084-3.
SANTOS, José Carlos Ary dos. As palavras das cantigas. Lisboa : Editorial Avante, 1993. 200 p. ISBN 972-550-210-8.
Acompanhe-se à viola, com cd´s de Adriano e Zeca. Fale-se da intervenção, do protesto, da contestação que é agora apanágio do HIP HOP e do RAP (ou não fosse este último sigla para rythm and poetry). Ao fim ao cabo a poesia está lá toda, o ritmo é que é diferente.
foto Zeca aqui
foto Dylan aqui

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Intermezzo


Intermezzo, s. m. (pal. ital.). Representação ligeira que se efectua entre dois actos de uma ópera ou drama. Trecho curto que liga as divisões principais de uma obra musical.

O fim último deste blogue sempre foi abordar tudo o que dissesse respeito a uma faixa etária que, nas bibliotecas, não encontra oferta para lá da que cumpre as necessidades formativas, no sentido mais estrito da palavra. Promove-se a leitura junto de públicos adultos, junto de crianças e, mesmo em relação aos adolescentes até aos 15 anos, as iniciativas vão surgindo. E a partir daqui? Porque é que, quando tantas vezes se fala em promoção da leitura para adolescentes, tudo acaba no 3º ciclo? A adolescência termina aos 15? Das Nações Unidas, a propósito da definição de jovens:

The United Nations (…) defines “youth”, as those persons between the ages of 15 and 24 years (…) within the category of “youth”, it is also important to distinguish between teenagers (13-19) and young adults (20-24)

Tivesse-se o supracitado como trave mestra para um balizar de faixas etárias e talvez a reflexão e consequente acção fosse outra. Encare-se o fim da escolaridade obrigatória e o início da integração no mercado de trabalho (ou seja, as idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) como alvo natural de acções de promoção da leitura (que, aliás, viriam na sequência de tudo o que teria sido empreendido até então e subsequentemente) e talvez os resultados espantem os mais cépticos.

Mas porquê toda esta prosa, perguntar-se-ão? Poderá parecer questão de lana caprina mas o adrian, a partir de agora, terá um complemento de título diferente: de adolescentes e jovens adultos em biblioteca públicas passar-se-á para dos 15 aos 24 anos em bibliotecas. Tal reflecte, acima de tudo, os públicos sobre quem se fala e para os quais se quer trabalhar. Pretende-se, também, criar uma distinção explícita em relação a recomendações de leitura, uma vez que, se já existem ferramentas para a promoção de determinados títulos até final do 3º ciclo, a partir daí a oferta é mínima. Por último esta alteração pretende evitar aquilo que, por vezes, já terá acontecido a alguns dos que lêem estas linhas: sob um título de promoção de leitura para a adolescência, o indíviduo depara-se - em conteúdos impressos, páginas web ou outras situações -, com know-how sobre as idades até aos 15 anos, quando o que se pretende é, precisamente, conteúdos a partir dessa idade (a exemplo do que acontece com o SOL, da FGSR, com sugestões de leitura bem delimitadas, entre as quais a faixa dos 15 aos 18 anos).

Se repararem, desaparece também a menção públicas. Isto porque, se se quer um trabalho continuado de promoção da leitura, ele passar-se-á na biblioteca escolar (até final do secundário), e prolongar-se-á pela universitária, com omnipresença da pública. Os EUA, na primeira metade do século XX, tiveram amplos programas, espaços e colecções dedicados à literatura de lazer, nas suas bibliotecas universitárias. A partir de meados de ’50, resolveram inverter o posicionamento estratégico, tornando-se exclusivamente instrumentos de apoio ao estudo e à investigação. Ao fim de todos estes anos, estão a voltar à promoção da leitura. E porquê? Porque os estudantes universitários americanos, de forma geral, lêem pouco ou nada para lá do que está associado às tarefas académicas. Portugal não será um caso muito diferente, pelo que também esta vertente da promoção da leitura, cultura, educação e informação, junto dos estudantes do ensino superior, será aqui abordada. E já temos quem ponha mãos à obra, cá pelo rectângulo: a título de exemplo, esteja-se atento ao trabalho de Pedro Estácio à frente da Biblioteca da Faculdade de Letras... e não é exemplo único. Assim, a menção bibliotecas, isoladamente, permitirá a inserção de conteúdos sem incongruências.

Então, e o Adrian? Haverá lógica em manter a personagem? Claro que sim. Esta criação de Sue Townsend teve direito a 6 obras, que se estendem desde os seus 13 anos e ¾ (The growing pains of Adrian Mole, aged 13 ¾ - editado em 1982) até aos 33 e ¾ (Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction – editado em 2004). Com os mesmos amores e desamores por Pandora.

Intermezzo terminado, uma última nota: estejam atentos pois, para quem se interessa por estes assuntos, em breve o adrian trará quentes e boas (que justificarão também a diminuição no ritmo dos posts). Um abraço!

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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

The Original Search Engine


O Ministro da Cultura - presente em Figueiró dos Vinhos para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil - exortou as autarquias a trabalharem em rede, "em vez de organizarem iniciativas isoladas que não passem para além das paredes dos respectivos cine-teatros ou bibliotecas municipais" (notícia aqui). Será que é desta que vamos ter um Pregunte? Ou não fossem os bibliotecários "The original Search Engine" :-)
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Trilhos

Uma caminhada de bloguistas ligados a bibliotecas, arquivos, documentação e ciências da informação é o que nos propõe o Pedro Príncipe (ver aqui). Aliar lazer e discussão, em ambiente informal, com um cansaço de trilhar caminho à mistura (que, por sua vez, é amenizado por uns bons copos de tinto do Douro), é uma grande iniciativa! E o percurso – do Pocinho a Barca D’Alva, pelo caminho-de-ferro –, é espantoso!

O adrian bem quer ir, mas o respectivo bonecreiro está com problemas de calendário...
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Andar espantado de existir

J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Christopher Paolini, Stephenie Meyer, todos estes autores remetem para um género literário que invadiu, nos últimos anos, não só as estantes de livrarias e bibliotecas, como também alterou - positivamente - os hábitos de leitura de adolescentes e jovens de todo o mundo. Quais os motivos para tal explosão do "fantástico", que cativa até os públicos mais renitentes? Da entrevista de Maria do Rosário Monteiro ao DN:

“O público procura, compra, lê. Os editores e os próprios autores contactados pelo DN avançam a teoria, consensual entre eles, de que a literatura fantástica tem os seus momentos mais altos em tempos de desencanto e confusão. A professora Maria do Rosário Monteiro confirma esta ideia no estudo A Afirmação do Impossível: "Durante o século XX, a sociedade ocidental enfrentou várias crises que abalaram profundamente valores tidos como incontestáveis", adianta a docente de Estudos Portugueses na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (da Universidade Nova de Lisboa). "A física estilhaçou o universo newtoniano, a psicologia descobriu o inferno no íntimo de cada ser humano, o indivíduo perdeu referências e solidariedades que contribuíam para uma certa estabilidade emocional." (…) "Num mundo caótico, à beira do holocausto global, Tolkien abriu verdadeiramente o caminho que muitos trilharam depois, descobrindo novas vozes, novos mundos, oferecendo formas eficazes de escapismo", diz. O género fantástico ganhava um fôlego maior.”

Associar a este “fôlego” obras de autores portugueses afigura-se como algo incontornável, nomeadamente junto de adolescentes e jovens adultos. Aconselha-se, assim, As aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira. José Jorge Letria afirmou, a propósito desta obra:

“poucos livros conseguiram operar de forma tão nítida este prodígio: foi escrito para a juventude, mas os chamados adultos identificaram-se plenamente com o universo mágico que ele encerra".

Um livro que é mais que uma história fantástica, é também uma crítica mordaz ao Fascismo. Do CITI – Centro de Investigação para as Tecnologias Interactivas:

“A crítica de Alexandre Pinheiro Torres a esta obra (in “Vida e Obra de José Gomes Ferreira”), é clara e deixa praticamente tudo dito acerca dela: "Livro sem qualquer paralelo na literatura europeia de hoje, ganha no confronto em relação a outras célebres alegorias políticas como "Animal Farm" de Orwell, ou as de Karel Capek. É que há (...) uma audácia à Swift ("Gulliver's Travel") de transfiguração e simbologia política que transcendem de bastante longe o burocratismo imaginativo de Orwell ou de Capeck, sem verdadeiras raízes nas tradições populares ou folclóricas que conferem a estas 'Aventuras' o seu carácter único".”

Junte-se-lhe um surrealismo muito familiar ao nonsense a que nos habituaram, por exemplo, os Gato Fedorento, e temos uma excelente referência literária para o nosso público. Como se não bastasse, a obra – editada pela D. Quixote –, surge agora em formato de bolso – portátil, logo, atraente para leitores mais novos –, no âmbito da nova colecção booket. No site desta colecção encontramos preços a condizer com o tamanho e, por último mas não de menor relevo, possibilidade de download do primeiro capítulo deste título.
O adrian sugere uma forma de o promover nas bibliotecas públicas e/ou escolares: colocar o livro em destaque, com a citação que se segue, correspondente à que João encontra escrita no Muro, quando se prepara para entrar no mundo fantástico:
É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR
Não deixa de ser curioso que esta frase se identifique tão bem com os motivos supracitados que avalizam o gosto por este género literário: os “tempos de desencanto e confusão”. Tudo se encaixa.

FERREIRA, José Gomes. As aventuras de João Sem Medo. Lisboa : Booket, 2008. 176 p. ISBN 978-972-2035-53-8.
foto de pormenor das Tentações de Santo Antão (Hieronymus Bosch),
que ilustra a mais recente capa d’As Aventuras de João sem Medo aqui

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Rutka e Nina

O adrian recomendou, recentemente, duas obras de carácter biográfico: Uma longa caminhada e A espingarda do meu pai retratam vidas diferentes das dos nossos adolescentes e jovens, existências marcadas pela guerra e pelo sofrimento. Como ambas as sugestões parecem adequadas a um grupo de leitores para as faixas etárias que aqui se destacam e porque a identificação com o protagonista pode ser importante para a apropriação do conteúdo (já lá diz Pennac que temos o direito – inalienável -, de amarmos os heróis dos romances), aqui vão duas dicas para complementarem os destaques anteriores: O diário de Rutka, de Rutka Laskier e Eu quero viver, de Nina Lugovskaia. Enquanto o primeiro se debruça sobre o quotidiano de uma rapariga polaca num gueto judeu, durante os meses de Janeiro a Abril de 1943 (acabando por encontrar a morte em Auschwitz), o segundo aborda a vida da adolescente Nina na URSS de 1932 a 1937, a censura, as perseguições, o terror estalinista e a deportação de toda a família de Nina para a Sibéria. Um excerto da recensão sobre O diário de Rutka (ver aqui), no Bibliotecário de Babel:

“Desengane-se, porém, quem pensar que o livrinho de Rutka é uma espécie de amostra do que se encontra, mais desenvolvido, nos escritos da outra mártir (O diário de Anne Frank). Se as preocupações são as mesmas, o estilo diverge. Não há aqui nada que se pareça com o “Querida Kitty” e o tom é muito mais seco, objectivo, pouco dado a arroubos sentimentais. Rutka tem noção de que está no inferno, de que o cerco se vai apertando e de que dificilmente sobreviverá a uma guerra cuja evolução militar mostra conhecer bem. Se escreve, é para deixar um registo — como quando narra com grande detalhe, seis meses após os factos, uma Aktion de deportação feita pelos nazis sobre os judeus de Bedzin, em Agosto de 1942.”

E a opinião da Time Magazine (ver aqui) sobre Eu quero viver:

“Could do for the horrors of Stalinism what the diary of Anne Frank did for the Holocaust…the tragedy of Nina Lugovskaya is that a lively, compellingly ordinary girl was made to suffer so grievously for being so human.”

Uma sugestão: num grupo de leitores, dar-lhes a elas as obras de Ishmael Beah e Hiner Saleem e a eles as de Rutka e Nina. Depois, podem trocar.
LASKIER, Rutka. O diário de Rutka. Lisboa : Sextante, 2007. 80 p. ISBN 978-989-8093-38-7.

LUGOVSKAIA, Nina. Eu quero viver. Lisboa : Casa das Letras, 2005. 324 p. ISBN 978-972-4616-16-2.
foto de Rutka aqui e de Nina aqui
capa d’ O diário de Rutka
aqui e de Eu quero viver aqui

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Correntes de Jovens

Boas notícias, também, do Correntes D’Escritas (sugere-se a excelente cobertura pelo José Mário Silva). Mas, acima de tudo, o adrian regista estas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, também na última edição do semanário Sol:
Depois, mais uma hora de debate. Escola, Internet, televisão e livros. Leitura, preferências, hábitos, estilos. Tudo em apreciação.”
E prossegue:

Auditório Municipal apinhado (de jovens). Muitas centenas de ouvintes. Dezenas de estudantes. Com intervenção.”

Bom, não é? Ainda por cima, "com intervenção"!

imagem aqui

PERSEPÓLIS II

Falou-se aqui em Persépolis, de Marjane Satrapi. Os jornais do último fim-de-semana dão-lhe destaque. Mais pela estreia do filme no nosso país e presença na lista dos nomeados ao Óscar de Melhor Filme de Animação, do que pela bela obra que é o título na sua versão impressa. Perdeu para Ratatui, o que qualquer pessoa lúcida que tenha lido a obra e/ou visto o filme de Marjane achará, no mínimo, patético. “Persepólis comove, da cabeça aos pés”, diz Gonçalo Frota, no semanário Sol. Só se pode concordar.

Boas novas são, para além da entrada da película no circuito comercial, as palavras de Rui Brito, da Polvo, à última edição do já mencionado jornal: pensa “retomar a actividade editorial este ano”. Uma das obras a ser publicada será o 2º volume de Persépolis.

Aguarda-se esse lançamento. O adrian jura que compra um, e sugere a aquisição a todas as bibliotecas, juntamente com o 1º volume.
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Uma arma para a promoção da leitura

Em linha com a recomendação anterior – e porque biografias e autobiografias são um género particularmente atraente para adolescentes (texto in International Reading Association) –, apresenta-se mais uma proposta de leitura, que integra a Booklist 2004/2005 da American Library Association. Obra de Hiner Saleem, tem por título A espingarda do meu pai. Da contracapa, um excerto:

Chamo-me Azad Shero Selim. Sou o neto de Selim Malay. O meu avô tinha muito humor. Dizia que tinha nascido curdo numa terra livre. Depois chegaram os Otomanos e disseram ao meu avô: tu és otomano. Após a queda do Império Otomano, tornou-se turco. Os turcos foram embora e ele voltou a ser curdo no reino de Cheikh Mahmoud, Rei dos Curdos. Depois chegaram os ingleses e, então, o meu avô tornou-se súbdito de Sua Graciosa Majestade e chegou, até, a aprender algumas palavras em inglês. Os ingleses inventaram o Iraque, o meu avô tornou-se iraquiano, mas nunca chegou a compreender o enigma desta nova palavra, Iraque, e até ao seu derradeiro suspiro não sentiu qualquer espécie de orgulho em ser iraquiano; o seu filho, meu pai, Shero Selim Malay, também não. Mas eu, Azad, era ainda um miúdo.

Sobre a obra:

Mais do que um manifesto político, A Espingarda do Meu Pai é o relato, de uma simplicidade desconcertante, da luta permanente do povo curdo para conservar a sua identidade cultural. Ainda que na vida quotidiana sejam constantes o horror, a fome e o exílio, o jovem narrador mantém inalterada a vontade de viver, o bom humor e os sonhos. Ligado à causa da liberdade curda, ele não se sente obrigado a apresentar os seus compatriotas como santos ou heróis, mas sim como pessoas normais, cheias de qualidades e defeitos, impregnadas de uma verdade e de uma singeleza que as torna imediatamente familiares ao leitor. O pai que nunca se separa da sua velha espingarda russa, a mãe que concorda com ele em todas as circunstâncias, o primo que cria pombos acrobatas, o irmão que combate nas montanhas, todos eles são personagens de uma galeria inesquecível que nos ajuda a mergulhar num dos dramas mais pungentes da realidade política contemporânea, dando-nos a conhecer os contornos de uma situação que ninguém quis ainda resolver.

E sobre o autor:

Hiner Saleem nasceu em 1964, no Curdistão iraquiano. Depois de viver alguns anos em França, como exilado político, mudou-se para Itália, vivendo agora em Paris. Também realizador de cinema, a sua última longa-metragem, Vodka Lemon, obteve o prémio Contra-corrente do Festival de Veneza. A Espingarda do Meu Pai está traduzido em vinte línguas.

O adrian aconselha especial atenção ao texto da International Reading Association. E, já agora, porque não aproveitar os livros de Ishmael Beah e de Hiner Saleem para um grupo de leitores?
SALEEM, Hiner. A espingarda do meu pai. Porto : ASA, 2004. 94 p. (Documentos). ISBN 972-41-4041-5.

Uma pequena (grande) adenda...

…ao último post aqui publicado. A Clara deu uma dica valiosa ao adrian (que desde já agradeço!): Carlos Vaz Marques esteve à conversa, a 21 de Janeiro deste mês, com Ishmael Beah, no seu programa Pessoal e Transmissível.

Um testemunho impressionante e que servirá, com certeza, de introdução, aperitivo, indutor de apetite (ou o que mais lhe queiram chamar) à leitura da obra Uma longa caminhada.

Reúnam os adolescentes na sala multimédia, na sala de aula ou na biblioteca escolar, sigam o link para o podcast da TSF (aqui) e ouçam, na íntegra, a entrevista ao menino-soldado que agora é homem-paz.

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Uma longa caminhada