
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Ouvir o Governo

Surfin'
Pedro Adão e Silva dá aulas no ISCTE, é doutorado em ciência política, colunista do Diário Económico e comentador na RTP-N e no Rádio Clube, escrevendo ainda, mensalmente, para a SurfPortugal. É, obviamente, surfista. Saiu-lhe da pena a obra O sal na terra, pela Bertrand. Da editora:
“Desengane-se quem pensa que O sal na terra é apenas um livro sobre surf. É muito mais do que isso. Embora todas as crónicas tenham o surf como ponto de partida, o livro de Pedro Adão e Silva é simultaneamente um livro sobre actualidade, sobre desporto, sobre política, sobre cinema, sobre livros, sobre tudo isto e ainda mais alguma coisa. Na verdade, e apesar do essencial dos textos aqui reunidos ser precisamente uma tentativa de escrever sobre esse «prazer supremo» que é o surf, O sal na terra é acima de tudo um livro sobre o efeito que o surf produz.”
Uma excelente oportunidade para juntar desporto e leitura, criando afinidades com os leitores mais radicais. E esperar que, se um braço carrega a prancha, o outro transporte o livro.
Só mais uma coisa: o grande Tolentino Mendonça afirma, na badana: “Para que conste: O sal na terra não é apenas um manual para surfistas. É um dos mais belos livros da poesia portuguesa.”
No mínimo, aguça o apetite. A adquirir.SILVA, Pedro Adão. O sal na terra. Lisboa ; Bertrand, 2009. 176 p.
foto aqui
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Osama
Em jeito de homenagem ao grande cinéfilo que foi João Bénard da Costa (1935-2009), e porque nem só de promoção da leitura vivem as bibliotecas e os seus utilizadores, o adrian sugere um título para aumentar a colecção de DVD’s das BM's e BE's: Osama. Da sinopse:“A história gira em torno de duas mulheres afegãs – mãe e filha –, que perdem o emprego com a chegada dos fundamentalistas islâmicos ao poder. Com a morte do marido e sem ninguém que sustente a pequena família, a mãe toma uma das decisões mais difíceis da sua existência: disfarça a filha de rapaz, e dá-lhe o nome de Osama. A partir daí a rapariga embarcará numa vertiginosa viagem pela sobrevivência, tendo que ganhar o sustento para si e para a sua mãe, e garantir que a sua verdadeira identidade não será descoberta.”
Considerado um dos 2009 Fabulous Films for Young Adults (sim, é verdade, para além de recomendações de leitura, a YALSA também promove listas de filmes e audiolivros para adolescentes e jovens adultos, o que faz todo o sentido) e vencedor de um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro (para além de mais uma série de distinções, nomeadamente em Cannes), Osama poderá ser uma excelente forma de alavancar a discussão sobre os direitos humanos.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Blasted Filósofo

"O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta. Inventor de qualquer coisa que não havia no Mundo ainda, antes deles nascerem. E inteiramente individual. Cada um poeta que é! (…) Temos como ideal, que aquele que nasceu poeta disto, daquilo ou de aqueloutro, não se mostre como poeta no que nasceu criado. Seja ele próprio o poema que vem da sua criatividade."
Imprimam-no e exponham-no, juntamente com algumas obras do autor e, no meio das mesmas, o novo CD dos Blasted Mechanism, Mind at Large: na faixa Start to Move o filósofo fala-lhes, fala-nos. Lindo!
Podem ainda aproveitar o vídeo a explicar esta ligação tão especial e a música mencionada está, para quem a quiser ouvir, disponível no Myspace dos Blasted.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Lembrete

Domingo, 10 de Maio de 2009
Silêncio...

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
Passou-me ao lado...

Anda o adrian a pregar aos peixinhos a promoção da leitura/literatura via música e passa-lhe umas destas ao lado: o Centro de Estudos de Teatro - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa -, levou a cabo as Poéticas do Rock em Portugal 2009-perspectivas críticas de uma literatura menor. Cita-se:
Segunda-feira, 30 de Março de 2009
Português em Dia
Um blogue sob a égide da Leya/ASA (ou será ASA/Leya?, esta coisa das fusões, aquisições e outras miscigenações sempre confundiu o adrian, nomeadamente quando a afinidade é para com a empresa absorvida, integrada, fundida, enfim, engolida), dedicado, cita-se: à disciplina de português, onde são veiculadas informações e/ou notícias de interesse para a área, disponibilizados recursos para as aulas de português e facultadas respostas a dúvidas do foro linguístico que possam surgir.Para já, dois apontamentos curiosos: o hífen desaparece de uma data de vocábulos, nomeadamente de à vontade, o que deixa o adrian um pouco desconfortável, dir-se-ia até que pouco à-vontade; e a Associação de Professores de Português empreendeu o Ler Consigo que parece ser uma excelente ideia. Já está na lista de favoritos e aconselha-se visita.
Dar e Receber
Convidado a participar na 2ª caminhada de bloguistas bad&lis infelizmente, e por mais um ano, não pude estar presente. O Pedro, no entanto, pediu-me um post para partilhar com os restantes andarilhos, a propósito do tema Blogs: antes de mais uma atitude pessoal. Saiu o que se segue.Dar e receber. Devia ser a nossa forma de viver
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Resumidamente...

Via blogtailors, uma boa notícia: com a edição económica a 12,90 e o preço on-line a 11,61 (compare-se com o grande formato, a 27.75 e 24.95, respectivamente), a Tinta-da China só pode estar de parabéns por tornar mais acessível Uma pequena história do mundo. Coligiu-a Ernst H. Gombrich em 1935 tendo, à data, apenas vinte e seis anos. Aceitando o desafio lançado por um editor para escrever uma história do mundo para leitores jovens, esta obra alcançou uma dimensão paralela à que descreve. Cita-se, da editora:
Nuno Galopim – do Público –, escreve:
“Uma escrita rigorosa e que revela a frescura, até inocência, de quem nem tem 30 anos. Pois Gombrich foi desafiado aos 26 anos para escrever a história do mundo para jovens leitores. Como se vê, saiu-se maravilhosamente.”
Não deixar, também, de ler a recensão de Urbano Tavares Rodrigues ao título, aqui.
“Quero que os meus leitores se descontraiam e possam seguir a história sem precisar de tirar notas nem de memorizar nomes e datas. Na verdade, prometo que não lhes farei nenhum exame sobre o que lerem.”
Querem melhor incentivo?
Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Ler grafite
O adrian sugere, para aquisição por bibliotecas municipais e escolares, este A invenção de Hugo Cabret. Aliando ilustração e narrativa, ficção e realidade, o leitor fica preso à obra desde o primeiro momento, quanto mais não seja pela forma inovadora de de o autor revelar o seu conteúdo. Ler e apreciar um belíssimo traço a grafite é uma excelente forma de promoção, não só de leitura, mas também da arte de bem desenhar. Cita-se a recensão de João Miguel Tavares, da Time Out:Assinado por Brian Selznick, um ilustrador de livros infantis até há bem pouco tempo relativamente desconhecido, este tijolo de 544 páginas é das coisas mais inventivas surgidas nos últimos tempo no campo da literatura para os mais novos. Desde logo, pelo seu carácter híbrido, cruzando ilustração (a lápis), narrativa de aventuras e homenagem aos primórdios do cinema. Sendo que tudo isto não se soma, antes se mistura: a narrativa ora avança pela palavra, ora avança através do desenho (uma nunca é um mero sublinhar da outra), ora recorre a técnicas típicas do cinema (sobretudo nos constantes close-ups), fugindo a quaisquer redundâncias. A história, ainda para mais, é óptima, girando em redor de um miúdo órfão de 12 anos, que tenta por todos os meios dar vida a um misterioso autómato de corda, herdado do pai, na Paris dos anos 20/30. O livro cruza a pura ficção com eventos e personagens reais, o que dá uma consistência e uma graça acrescidas à narrativa. Leitura perfeita para adolescentes (e até adultos)."
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Linha da Frente
João Aguardela faleceu esta semana. Notícia triste, principalmente para os que, passados três lustros, se recordam de dançar ao som d’Esta Vida de Marinheiro. O legado, porém, é bem maior e, entre o mesmo, encontramos inúmeras ligações música/literatura. Aqui vão duas:- No projecto Linha da Frente (2002), Aguardela lança-se o desafio de construir temas baseados em poetas e poemas portugueses. Congrega esforços com Luís Varatojo (Despe & Siga), Viviane (Entre Aspas), Dora Fidalgo (Delfins), Janelo (Kussondulola), Prince Wadada e Rui Duarte (Ramp). Surgem 12 faixas, onde se celebram as palavras de Fernando Pessoa, Natália Correia, António Aleixo, Manuel Alegre, António Ramos Rosa, Ary dos Santos e Alexandre O´Neil. (ver aqui e escutar faixas aqui);
- Já com os Naifa musicou, entre outros, Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto (aqui).
Para além disso, foi ainda mentor do Projecto Megafone, misturando drum&bass com cantares tradicionais recolhidos por José Alberto Sardinha e Michel Giacometti (aqui).
Em suma, inovou na música, promoveu as letras, fundiu tradição com modernidade, juntou vontades. Ao adrian parece-lhe bem a divulgação da sua memória nas bibliotecas públicas e escolares portuguesas.
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Sonhos


Se sonhar é bom, a materialização dos sonhos será ainda melhor. O adrian deixa aqui fotografias de dois sonhos, que se tornaram realidade na Polónia.
Imaginem bibliotecas para jovens feitas de raiz, obedecendo a critérios muito específicos:
- A colecção dividida 50/50 entre material livro e não-livro;
- O design de todo o espaço e mobiliário (e toda a comunicação impressa) a serem pensados para apelarem a faixas etárias mais novas, criando-se assim uma imagem corporativa com a qual se identificam;
- A obrigatoriedade de existir uma cafetaria que funciona como um Language Café (onde voluntários se reúnem casualmente com os utilizadores para conversas informais em diferentes línguas: espanhol, francês, inglês, italiano);
- Uma localização geográfica obrigatoriamente central, considerando o tecido urbano;
- Instalações em que o livro é considerado mas os futuros suportes informacionais também o são;
- Um espaço informal de aprendizagem, onde o primado está nas pessoas e não nos documentos.
Tinha já aqui sido referida a Cubit, que irá nascer em Saragoça, apoiada pela Fundación Bertelsmann. As que se mostram nasceram das mãos do mesmo arquitecto – Christian Schmitz, presente, em 2008, no Encontro Oeiras A Ler –, sob a égide da Bertelsmann Stiftung. Aqui ficam: a Mediateka de Breslau (a laranja, poder-se-á assim dizer) e a Planeta 11 em Allenstein, ambas na Polónia.
Fantásticas, não são?
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Craques Leitores

AGOSTINHO. Artur. Os abutres. Lisboa : Oficina do Livro, 2004. 266 p. ISBN 989-555-082-0.
AGOSTINHO. Artur. Ninguém morre duas vezes. Leiria: Folheto Edições, 2007. 256 p. ISBN 978-972-882-190-6.
Agora, é só divulgar e esperar que esta achega incremente os hábitos de leitura (leia-se, agilidade de, ou seja, ler um parágrafo de 4 linhas em menos de 5 minutos). Caso não existam estes exemplares (sobre os quais o adrian não pode opinar, pois nunca os leu) na biblioteca, coloque-se junto desta notícia uma biografia de desportista (Vontade de Vencer é boa escolha). Depois – e gradualmente –, aumenta-se a fasquia ;-)
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Crise e Bibliotecas

Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Roda Pé
A Biblioteca Municipal Almeida Garrett – Porto –, inicia hoje uma actividade que alia um serviço de extensão bibliotecária a um grupo de leitores (o primeiro no sentido em que a equipa da biblioteca sai fora de portas e se apropria de espaços como o Museu Soares dos Reis, a Galeria Por Amor à Arte, o Centro Nacional de Fotografia, a Livraria Lello e a Associação Chã das Eiras, indo ao encontro de potenciais utilizadores; e o segundo porque é disso mesmo que se trata, de um encontro informal (quinzenal) entre leitores (neste caso jovens, com idade superior a 15 anos), para discutirem uma obra pré-determinada.10 de Janeiro
A neta do Senhor Linh / Philippe Claudel
Biblioteca Municipal Almeida Garrett
24 de Janeiro
A avó dezanove e o segredo do soviético / Ondjaki
Associação Chão das Eiras
07 de Fevereiro
O apocalipse dos trabalhadores / valter hugo mãe
Livraria Lello
21 de Fevereiro
Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra / Mia Couto
Centro Português de Fotografia
07 de Março
Dom Casmurro / Machado de Assis
Museu Soares dos Reis
21 de Março
Horto de incêndio / Al Berto
Quanto ao projecto da Almeida Garrett, só se pode aplaudir e recomendar às bibliotecas escolares e universitárias da Invicta que difundam esta iniciativa, não só de promoção da leitura mas também dos espaços culturais da cidade. Bem esgalhado!
Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Fado
Os últimos posts têm sido dedicados à ligação – tão próxima e tão linda -, da música e da literatura. Tentar tocar os jovens demonstrando-lhes a afinidade entre músicos, intérpretes e escritores parece ao adrian, cada vez mais, uma extraordinária forma de promover o texto literário e consequente gosto pelo mesmo. Após ter referido exemplos de hip-hop, hard e punk rock, não falar de Fado seria quase crime de lesa-majestade. Assim, e aproveitando a presença, em 2008, de Camané no Festival Sudoeste, aqui fica uma dica: saberiam os jovens que o ouviram que escutaram, não só uma voz maior da Canção Nacional mas que, também, o seu timbre lhes trouxe, entre outros, os versos de David Mourão-Ferreira (Lembra-te sempre de mim) e de Pedro Homem de Mello (Sei de um rio)? E saberemos nós - os que lhes tentam incutir o gosto pela leitura e, neste caso particular, pela poesia -, qual a reacção desse público ao espectáculo? Leia-se, do Blitz:Pedro Homem de Mello
(Alain Oulman)
Sei de um rio
Sei de um rio
Em que as únicas estrelas
Nele, sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio
Sei de um rio
Rio onde a própria mentira
Tem o sabor da verdade
Sei de um rio
Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede!
Mas o sonho continua
E a minha boca (até quando?)
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio
Sei de um rio
Sei de um rio
Ai!
Até quando?
David Mourão-Ferreira
(José Mário Branco)
Se alguém pedir a teu lado.
Que na música de um fado
A noite não tenha fim
lembra-te logo de mim!
Se o passado
De repente
Mais presente
Que o presente
Te falar também assim
lembra-te logo de mim!
Se a chuva no teu telhado
Repetir o mesmo fado
E a noite não tiver fim
lembra-te sempre de mim!
Lembra-te sempre de mim!
O dia não tem sentido
Quando estás longe de mim...
Se o dia não tem sentido
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
Lisboa em Dezembro
KIVA e UPA


Assim, o KIVA é um projecto de micro-crédito que possibilita, online, apoiarmos empreendedores de países mais carenciados e que, com uma ajuda mínima de 25 dólares, podem dar um novo rumo à sua vida. O empréstimo não tem garantia de pagamento mas a taxa de cumprimento destes beneficiários é superior à dos países ocidentais. Excelente para congregar a turma ou o grupo de leitores da biblioteca num esforço humanitário ou, até, para dar uma prenda de última hora (existe a possibilidade de se adquirirem créditos para que outra pessoa os ofereça a quem deles precisa). O adrian deu uma ajuda à Ignacia Teresa Berrios, padeira da Nicarágua, que precisava de dinamizar o seu negócio, adquirindo farinha e ovos. O processo foi fácil, rápido e Ignacia já tem todo o capital. E soube sabe tão bem, ajudar. Já em Portugal, o projecto UPA – Unidos Para Ajudar –, congregou esforços em torno da luta contra a discriminação das doenças mentais. Este movimento deu origem à criação de vários temas musicais, com duetos inesperados como Camané e Dead Combo, José Mário Branco e Mão Morta, Mariza com Boss AC, Rodrigo Leão e J. P. Simões, Xutos e Oioai, entre outros. Com um donativo mínimo de um euro faz-se o download de uma música e sempre se apoia uma causa muito, muito nobre!
Um outro amor
Terminando este encadeamento de posts, porque não adquirir o título Um Outro Amor: Diário de Uma Vida Singular? Obra que reúne dezenas de crónicas que Pacman (vocalista dos Daweasel) escreveu para o Correio da Manhã, poderá apelar a jovens mais relutantes em juntarem letrinhas. Quanto mais não seja, talvez a capa ajude, ou não tivesse escarrapachada a foto do autor. Neste livro Carlos “Pacman” Nobre fala de futebol, música, amigos, política, sexo e outros assuntos, sempre num tom bem-humorado e que, com certeza, apelará aos 15+. Dica do adrian: adquirir, obrigatoriamente.NOBRE, Carlos “Pacman”. Um outro amor: diário de uma vida singular. Lisboa : Oficina do Livro, 2008. 162 p. ISBN 978-98-9555-404-1.
Negócio Estrangeiros
O álbum Amor, Escárnio e Maldizer tem uma faixa intitulada Negócios Estrangeiros, escrita por Peixoto. Letra de contestação social, em que se pergunta ao Sr. Presidente se já foi ao Intendente:
Moonspell
Uma pequena correcção ao post anterior. Se o desejo é cativar a atenção dos teens e jovens góticos, porque não difundir a afinidade entre os Moonspell e a literatura? O adrian dá umas dicas:- Esta banda portuguesa de Black/Gothic Metal tem um tema – Opium, do CD Irreligious –, baseado no Opiário, de Álvaro de Campos (a última quadra é um trecho desse poema):
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do Pensamento
E ver passar a vida faz-me tédio"
dorme no mar dos sargaços
que mais vale o mar a pino
que as serpentes nos meus braços"
- O próprio vocalista dos Moonspell, Fernando Ribeiro, vai já no terceiro livro editado: Diálogo de vultos sucedeu a Como escavar um abismo e As feridas essenciais.
Aliás, caso possam, um destes dias assistam a uma sessão de autógrafos de José Luís Peixoto ou de Fernando Ribeiro. Não destoando do estilo gótico, vão ver tudo muito negro…
Sábado, 13 de Dezembro de 2008
My Chemical Romance
Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
Os livros da Meg
MCCARTHY, Cormac. Belos cavalos. Lisboa : Teorema, 1994. 294 p. ISBN 972-695-214-X. SPIEGELMAN, Art. Maus I : a história de um sobrevivente. Lisboa : Difel, 1988. 159 p. ISBN 972-29-0197-4. SPIEGELMAN, Art. Maus II : e assim começaram os meus problemas. Lisboa : Difel, 1988. 139 p. ISBN 972-29-0300-4. HEMINGWAY, Ernest. Por quem os sinos dobram. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 516 p. ISBN 978-972-38-2834-4. SÜSKIND, Patrick. O perfume : história de um assassino. Lisboa : Presença, 1992. 242 p. ISBN 972-23-1448-3. HELLER, Joseph. Artigo 22. Lisboa : Dom Quixote, 1986. 426 p. SOBEL, Dava. Longitude : a verdadeira história de um génio solitário que resolveu o maior problema científico do seu tempo. Lisboa : Temas e Debates, 2000. 154 p. ISBN 972-759-271-6. Uma achega para ir criando uma colecção específica para adolescentes e jovens adultos. E sempre ficam com um livro que esgota a capacidade de qualquer campo 200 Unimarc ;-) A lista completa pode ser consultada aqui.
Duas Centenas

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
O Eusébio... das Letras
Quem, no último sábado, adquiriu o jornal A Bola, teve por recompensa uma excelente e bem-disposta entrevista de António Lobo Antunes a Vitor Serpa. Entre referências às suas crónicas e livros (que distingue como “a diferença entre uma piscina para crianças e uma para adultos”), um saudosismo de quando o futebol era desporto (“Naquele tempo havia um deprimido debaixo dos paus e dez eufóricos a mandar brasa e, disso, eu gostava”), referências às mulheres de Ronaldo (“Parecem todas desenhadas pelo Vilhena” :-), outros apontamentos aos clubes e dirigentes – do passado e actuais –, e histórias avulsas sobre desporto, o escritor dá a conhecer um lado que, bem aproveitado, pode levar um adolescente ou jovem a criar empatia com as palavras – e a figura – do eterno candidato ao Nobel.O adrian dá uma dica: entrevista disponibilizada em local bem visível, juntamente com uma pequena biografia do autor e, para que o primeiro impacto não seja muito atordoante – ou melhor, para que nenhum utilizador mais novo se afogue na tal “piscina para adultos” –, disponibilizem-se os livros de crónicas. Então, e o Eusébio das Letras? Radica na frase de ALA, sobre si mesmo: “O Eusébio é responsável por algumas das minhas alegrias; António Lobo Antunes por algumas das minhas maiores chatices.” ANTUNES, António Lobo. Livro de Crónicas. Lisboa : Dom Quixote, 2007. 430 p. ISBN 978-972-2030-81-6.
Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Literatura Fantástica ou Fantástica Promoção da Leitura?

Uma coisa é certa: o Fantástico fez mais pela promoção de hábitos de leitura, nos últimos anos (considerando os públicos mais jovens), do que qualquer outra tipologia de leitura ou programa de incentivo à mesma. Se daí advêm mais benefícios, esse será já outro campo de discussão (ver Luzes difusas numa câmara clara).
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Muitas leituras... e boas leituras!
A Revista Ler de Setembro inclui uma belíssima “triagem” às listas de leitura autónoma sugeridas pelo PNL. O objectivo era o de, entre as obras propostas, serem seleccionadas as que teriam maior qualidade literária.No que diz respeito à faixa etária a partir dos 16 anos, o adrian congratula-se com a escolha de O Deus das Moscas e Uma cana de pesca para o meu avô, de William Golding e Gao Xingjian, respectivamente, e que tinham já sido sugeridas neste blogue (ver aqui e aqui). Completavam a escolha as seguintes referências: STEWART, Ian. Cartas a uma jovem matemática. Lisboa : Relógio d’Água, 2006. 166 p. ISBN 972-708-927-6.
CHATWIN, Bruce. Na Patagónia. Lisboa : Quetzal, 2008. 368 p. ISBN 978-972-564-724-0.
GAIMAN, Neil. Stardust : o mistério da estrela cadente. Lisboa : Presença, 2004. 171 p. ISBN 978-972-23-3140-1.
HEMINGWAY, Ernest. As neves do Kilimanjaro. Lisboa : Livros do Brasil, 2005. 220 p. ISBN 978-972-382-770-5.
Também as indicações para a faixa etária 14-16 passaram pelo crivo de Filipa Melo, José Mário Silva e Rogério Casanova. As indicações incluíram, entre outros:
BOYNE, John. O rapaz do pijama às riscas. Lisboa : Asa, 2008. 176 p. ISBN 978-972-41-5357-5.
CARVALHO, Mário de. Contos da sétima esfera. Lisboa : Caminho, 1990. 208 p. ISBN 978-972-210-065-6.
STEINBECK, John. A pérola. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 110 p. ISBN 978-972-382-827-6. Ficam as sugestões que, ao adrian, parecem contribuir – e muito –, para enriquecer uma estante com uma selecção bibliográfica para adolescentes e jovens. À entrada do espaço multimédia, junto ao balcão de empréstimo, à porta da cafetaria, em suma, em qualquer local da biblioteca – pública, escolar ou universitária –, que seja ponto de passagem destes públicos.
Domingo, 12 de Outubro de 2008
BD, bibliotecas e promoção da leitura

Bibliotecários portugueses, espanhóis e suecos e editores nacionais de BD discutem o papel da mesma nas bibliotecas, considerando a promoção da leitura, nos dias 23 e 24 deste mês. A Câmara de Lisboa organiza e as inscrições são gratuitas (mas limitadas). Consultem o programa aqui. Aproveitando o embalo, o adrian aconselha uma visita ao Festival de BD da Amadora.
Luzes difusas numa câmara clara

A propósito de promoção da leitura, Plano Nacional de Leitura e cânone literário, o programa Câmara Clara do dia 28 de Setembro colocou, frente-a-frente, Francisco José Viegas (FJV) e Isabel Alçada (IA). Da sinopse:
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
Big Balls

Os britânicos são conhecidos pelo seu humor peculiar. Se uns o odeiam, outros (como o adrian), deliram com o non-sense que, aparentemente, terá raízes literárias (especificamente na non-sense poetry, imortalizada por autores como Lewis Carrol e Edward Lear).
Assim se compreende a extraordinária (e bem-disposta) campanha de promoção da leitura empreendida pelas Bibliotecas de Londres, que pode ser consultada aqui. Em suma, a ideia seria a de promover obras relacionadas com o desporto, para “atletas de sofá”. E como o fazer? Nada mais fácil, terão pensado os bibliotecários da capital inglesa.
Como se vê na imagem, o título da campanha é Balls Etc, com o subtítulo For those who prefer their sport on paper. Ilustra a iniciativa a fotografia de um pseudo-atleta e a selecção bibliográfica divide-se em Big Balls (futebol), Small Balls (cricket, ténis, golf, baseball e pólo), No balls at all (surf, ciclismo, automobilismo, triatlo, atletismo, box, natação, treking e montanhismo) e Personalities & humour.
O adrian não sabe se um sorriso promove a leitura, mas tem a certeza do que não a promove, nomeadamente entre adolescentes e jovens adultos: uma postura sisuda. Logo, aplaude-se a iniciativa.
Domingo, 21 de Setembro de 2008
Faltam quatro dias...
... para o lançamento do último trabalho de Christopher Paolini (de aquisição obrigatória, sob pena de se defraudarem expectativas de muitos utilizadores adolescentes e jovens adultos). Depois de Eragon e Eldest (12,5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo), a Gailivro lança Brisingr, um título difícil de pronunciar mas que irá, com toda a certeza, ser bastante solicitado no balcão de empréstimo e/ou nos serviços de apoio ao leitor. O Ciclo da Herança continua e a editora portuguesa, atenta aos públicos que terão especial predilecção pela colecção, criou um site bastante apelativo (ver aqui), para além de uma sessão de lançamento, dia 25, no Castelo de S. Jorge. A Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim também não perdeu a oportunidade e associar-se-á ao lançamento (ver aqui), também no dia 25.O adrian sugere Brisingr para um grupo de leitores que se dedique ao Fantástico. Haja oportunidade e coloque-se, como música de fundo, o CD dos Dazkarieh que acompanhou a primeira edição de Eldest.
PAOLINI, Christopher. Brisingr. Vila Nova de Gaia : Gailivro, 2008. ISBN 9789895575589.
Jogadores, pescadores, quiçá leitores
O adrian deixa as dicas e outra, para o futuro: que bibliotecas escolares e públicas se socorram dos mestres da nossa língua para a construção de listas de obras a adquirir para a referida faixa etária. Se as primeiras têm a tarefa facilitada, as segundas poderão sempre socorrer-se dos respectivos SABE’s (Serviços de Apoio às Bibliotecas Escolares).
Não sou o único

Sábado, 20 de Setembro de 2008
Pennac e Savater n’Avenida de Berna
A Gulbenkian está a organizar um, ou melhor, o congresso internacional de promoção da leitura. Senão, vejam-se os oradores: Fernando Savater (para aguçar o apetite fica esta entrevista a Ana Sousa Dias, sobre a escola e a leitura), Daniel Pennac (a confirmar), José Barata-Moura, Michel Fayol e Galeno Amorim (Observatórios de Leitura de França e do Brasil, respectivamente), Dolores López-Casero (Centro Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Espanha), e António Nóvoa (reitor da Universidade de Lisboa). Para tornar tudo ainda mais apetecível, atente-se à frase de António Prole (Casa da Leitura, em três anos com mais de 1 milhão de visitas!) sobre o evento: Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Falar da Vida
Já vai tarde, a dica. Mas as férias impunham-se e o adrian pedia descanso. Em todo o caso, o segundo (e último) módulo de formação ainda vai ocorrer e pode ser frequentado de forma autónoma. Refere-se o curso FALAR DA VIDA: (AUTO)BIOGRAFIAS, HISTÓRIAS DE VIDA E VIDAS DE ARTISTAS, ministrado pela Prof. Dra. Idalina Conde, docente no Departamento de Sociologia do ISCTE, investigadora do CIES-ISCTE e detentora de um longo currículo nas áreas da sociologia da arte e da cultura, com diversas publicações sobre a abordagem biográfica e biografias de artistas.
Entre as temáticas em análise, o item “habilitar para a leitura e análise de narrativas (auto) biográficas” parece ser de particular relevância para quem trabalha em bibliotecas públicas e escolares, já que aqui se tem falado diversas vezes no género literário como sendo apropriado para adolescentes e jovens adultos.
O último módulo decorre de 23 a 26 de Setembro. Para a frequência do curso, consultem esta ligação.
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
Chartier, os jovens e a leitura
Interessantíssima, também, a abordagem à "qualidade da leitura” e sua valoração, nomeadamente a informação fragmentada – leia-se descontextualizada –, que a Web fornece, em detrimento da leitura que exige relacionamento com “a totalidade textual de onde foi extraído o fragmento”. Assim se explica a razão de os cd-rom’s, por exemplo, terem atingido êxito no género enciclopédico e não tanto no romance, por exemplo. Chartier defende, acima da qualidade dos textos, a relação entre os tipos de textos e a forma de serem lidos.
Já o livro-objecto tem uma curiosa abordagem, com o autor a não revelar grandes preocupações com o formato mas a fazer, ao mesmo tempo, uma sábia análise às diferenças de leitura que cada um proporciona: a leitura de textos em ecrãn mais condicionada a palavras-chave, a temas, interligados por sua vez a outros temas hierarquicamente concebidos; e a leitura impressa a revelar uma componente bem mais relacional (se assim se pode nomeá-la) de todos os fragmentos com a totalidade da obra.
Por fim, uma palavra para o papel dos computadores no incentivo à leitura – que o autor advoga, mas que não são panaceia definitiva. Exige-se a mediação de profissionais, a escrita à mão e a existência de outros suportes (o livro impresso, obviamente). A esse propósito defende a presença do mesmo nas salas de aulas, bibliotecas e livrarias e termina citando Bill Gates: “Quando quero ler um livro, imprimo-o.” O suporte em papel parece estar ainda para durar.
O seu a seu dono: um bem-haja a Murilo Cunha, do blog citado no início do texto, que em boa hora referenciou esta entrevista.
Domingo, 17 de Agosto de 2008
Minguante
Assim se define esta iniciativa com materialização física e virtual. Mais-valia para as bibliotecas? O adrian encontra-lhe três: a divulgação da literatura de tamanho minimal – por norma até 200 palavras – e que será, eventualmente, mais apelativa a quem não tem hábitos de leitura (nomeadamente os jovens); a disponibilização de e-books inéditos em língua portuguesa – ver aqui; e a possibilidade de participação aberta a todos – aqui.
Acresce ao dito a excelente apresentação gráfica, passível de criar afinidades com os públicos dos ensinos secundário e superior, pelo que a divulgação deste site nas bibliotecas nacionais é mais que merecida. Aqui se deixa um belíssimo texto – Confissão –, da brasileira Ana Mello (da obra Finais Felizes): “Clara tinha nove anos e foi fazer a catequese para a primeira comunhão. Não sabia o que era pecado, um conceito que não existia na simplicidade da sua casa. Amar e cumprir seus deveres era coisa natural. Mas o padre exigiu a confissão, ninguém era livre de culpa. Clara então cometeu seu primeiro pecado – inventou alguns, para contentar o vigário.”
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
Engulhos

O adrian já tinha referido, por alturas do Euro, o porquê de Pepe ter um especial apreço por bibliotecas (aqui). Pois agora chegou a altura de falar de José António Reyes, o mais recente reforço do SLB. Do jornal desportivo Record:
"Embalado pela biografia de Maradona (Yo soy El Diego), livro que pousou na sua mesa de cabeceira, José Antonio (Reyes) descobriu o gosto pela leitura aos 18 anos (...)."
Mais uma boa nova a espalhar por entre adolescentes e jovens, nas bibliotecas públicas, escolares e universitárias. A primeira leitura do atleta, não foi das melhores? Engole-se a seco o engulho, lembrando Pennac: diz o autor que a sorte que teve foi deixarem-no ler tudo o que queria e lhe apetecia sem o criticarem. A evolução qualitativa foi natural e sem imposições.
Reforça-se também a apetência dos jovens por obras de carácter biográfico relacionadas com desportistas (mais ainda quando existem afinidades com a modalidade que praticam). Já aqui se falou de Lance Armstrong, por exemplo, mas posts relativos a outros atletas surgirão em breve.
Até lá, fica este remate certeiro... entre as badanas :-)
P.S. - o adrian aceita e agradece referências semelhantes relativas a outros clubes, para que não o acusem de ser faccioso. Venham elas!
Foto aqui
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Verba volent, scripta manent

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Um DJ na biblioteca
Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Asas de borboleta
Várias vezes o adrian tem encontrado valiosas dicas via bibliotecário de babel. Pois o seu autor vai editar, via Oficina do Livro, O Efeito Borboleta e outras histórias: uma boa recomendação para jovens, nomeadamente para os que se queixam da extensão/espessura/volume das obras literárias. São micro-contos, pequenos contos, prosa não-extensa, o que lhe quiserem chamar. A apresentação do livro será dia 27 de Junho, na Casa Fernando Pessoa, por António Mega Ferreira. Aqui fica um cheirinho da obra (esta passagem dá pelo nome de Quatro Pregos):Domingo, 15 de Junho de 2008
Ano I
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Hip Hop Pessoa
Segundo as palavras de Inês Pedrosa (Casa Fernando Pessoa) ao Correio da Manhã, “pretende-se uma actividade que atinja os mais jovens”. O adrian não faz futurologia mas, optimista como é, acredita que é um tiro num porta-aviões (e, a sê-lo, aproveite-se, reestruture-se e integre-se em itinerâncias sob a égide da DGLB)!
Highlander

Pela editora:
«O livro foca-se em Sophie e Josh Newmen, gémeos adolescentes que se encontram apanhados numa batalha entre o Bem e o Mal. Nos próximos livros os gémeos irão atravessar a América, para aprenderem as magias antigas enquanto são perseguidos por criaturas mitológicas de vários países. Flamel será o guia e professor de Sophie e Josh Newmen. Nicholas Flamel nasceu em Paris, em 28 de Setembro de 1330. Quase setecentos anos depois, é reconhecido como o maior alquimista de todos os tempos. Diz-se que descobriu o segredo da vida eterna. Os registos certificam que morreu em 1418, mas o seu túmulo está vazio. Nicholas está vivo, graças ao elixir da vida que produz há séculos. O segredo da vida eterna está escondido no livro que protege – o Livro de Abraão, o Mago, o livro mais poderoso de sempre. Se for parar às mãos erradas poderá ser o fim do Mundo.»
Tenham medo, muito medo!!! O adrian fica banzado com a similitude desta obra com o filme Highlander (traduzido em português como Duelo Imortal) e imortalizado (a expressão não poderia ser melhor) por Christopher Lambert. Mas essa é preocupação que não afectará os públicos leitores, com toda a certeza. São mais 384 páginas (e ainda dizem que os jovens lêem pouco) de mezinhas, pozinhos, duelos, magos e promessas de fim do mundo. Tal como dizia Pennac, a grande sorte que teve ao longo da vida foi nunca lhe terem criticado as leituras. Deixaram-no escolher. Deixemo-los, pois.
SCOTT, Michael. O Alquimista : os segredo do imortal Nicholas Flamel. Lisboa : Gailivro, 2008. 384 p. ISBN 9789895575473.
Eclipse
Estão à espera de quê para completar a colecção? Os vossos leitores agradecem. E, já agora, o adrian aconselha uma pesquisa Google: stephenie meyer + eclipse. São blogs e páginas Web com fartura, com tudo sobre esta saga. Aproveitem para colocar alguns links junto aos PC’s de acesso à net. MEYER, Stephenie. Eclipse. Lisboa : Gailivro, 2008. 608 p. ISBN 9789895575183.
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008
Selecção Angelus Novus
Aproveitem e dêem uma voltinha pelo site e blog da editora. Vale mesmo a pena!
Euro 2008, amor e bibliotecas
A Sic apresentava esta semana, após o Jornal da Noite, uma reportagem sobre a vida de Pepe, jogador que, no transacto sábado, marcou o primeiro golo da Selecção Portuguesa contra a Turquia, no Euro 2008. O adrian apanhou esta resposta à pergunta de Daniel Oliveira “Onde conheceu a sua mulher”. Resposta: “A gente costumava ir na mesma biblioteca”. GOOOOOOLO!
English
It’s been a while since a post was published here in this blog. The main reason was that adrian’s puppeteer was having a huge work regarding the III Encontro Oeiras a Ler – A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública. And, for the same reason, this text will be entirely in English. Why, would you ask? Well, due to some reflections that came afterwards. But, read on and you’ll find out more…The meeting was quite good. One should not be ashamed of making a nice work, and all the team from the Oeiras Public Libraries connected to this event finished it with a sense of accomplishment and fulfilment. Over two days the speakers shared their best practices, the audience asked pertinent questions, the breaks and schedules were respected in the best way possible, the simultaneous translation went as planned and Manuela Barreto Nune's task of Conclusions/Recommendations was very sucefull, acting has a summula of all the work produced in the 29th and 30th of May. Max Butlen and José Soares Neves made their presentations based in a more theoretical way, in the first morning, while the afternoon brought the field experience of Michele Gorman and Jonathan Douglas. The second day came with more practical overviews from Christian Schmitz, Lorenzo Soto and Paula Brehm-Heeger. Each moderator acted as planned, introducing the professionals invited and conducting the discussions afterwards.
So, what does this have to do with writing a post in English? Well, there were 110 seats available and, more or less, 80 inscriptions. The 45 euros fee included lunch on both days (so, it was not expensive). Taking this in consideration, one of the main surprises of the speakers (who where, “only”, the Director of the National Literacy Trust, the President of Yalsa, the architect working on a regular basis with the Bertelsmann Foundation, a responsible of the Centre of Childhood and Youth Literature of the German Sanchez Ruy-Perez Foundation, one of the best recognized trainers of youth librarians in the U.S.A., a university teacher that already worked for the governments of Brazil and France and that is one of the most recognized experts in youth literature, reading and pedagogy and – last but not least - a renowned Portuguese investigator of the Observatório das Actividades Culturais) was that the room where the III Encontro took place was not full. From one of them it was heard the following comment:
p.s. – and don’t be afraid, you Portuguese Librarians that came to this III Encontro: for you who have the will to speak out, share and think, adrian bets that there’ll always be a pair of headphones.
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Faltam três dias...
Recepção e entrega de documentação
10.00
Sessão de Abertura
11.00
Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica - França)
La promotion de la lecture pour la jeunesse dans les bibliothèques publiques en France
Moderador: José Carlos Vasconcelos
12.15
José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais - Portugal)
Bibliotecas públicas, promoção da leitura e públicos jovens: alguns apontamentos com incidência no caso português
Moderador: José Carlos Vasconcelos
13.30
Almoço
14.30
Michele Gorman (ImaginOn - Charlotte & Mecklenburg County - EUA)
Get Your ImaginOn! - Creating a New Generation of Library Services for a New Generation of Library Users
Moderador: José Mário Silva
15.45
Café
16.00
Jonathan Douglas (National Literacy Trust – Reino Unido)
Creating a national youth reading culture
Moderador: José Mário Silva
Christian Schmitz (Fundación Bertelsmann/Bertelsmann Stifung - Alemanha)
(sem título - comunicação sobre bibliotecas para jovens do ponto de vista arquitectónico)
Moderador: Carlos Pinto Coelho
11.00
Café
11.30
Lorenzo Soto (Centro Internac. Livro Infantil e Juvenil - FGSR - Espanha)
La Literatura Juvenil en España hoy: un enigma por resolver
Moderador: Carlos Pinto Coelho
13.00
Almoço
14.00
Paula Brehm-Heeger (Presidente da YALSA - EUA)
Yalsa – Leading the Way
Moderadora: Mafalda Lopes da Costa
15.30
Café
16.00
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Camus aos 17
The beach, the sun, the Arab, the gunshots, the chaplain: the stuff of millions of adolescents' fevered imaginings. If you don't love this when you're 17, there’s something wrong with you.”
Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Lance & Salvador
Há uns tempos o adrian sugeriu quatro obras como recomendações de leitura autónoma e que, pelo género em que se incluem – biografias –, são apetecíveis também para discussão no seio de um grupo de leitores. Após umas pesquisas Web e incursões por FNAC’s e afins, aqui vão mais dois relatos de vida que, com certeza, servirão os mesmos propósitos que O diário de Rutka, A espingarda do meu pai, Eu quero viver e Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado.Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro é a biografia de Lance Armstrong, vencedor do Tour de France sete vezes consecutivas. Da sinopse, pela editora:
“Esta é a história da vida de um dos maiores ciclistas de sempre – Lance Amstrong –, da sua batalha contra o cancro e da forma como a doença o transformou e lhe conferiu uma nova perspectiva sobre as coisas que são realmente importantes. É também uma incursão no mundo do ciclismo de alta competição: a dureza da modalidade, o sacrifício, a exigência. No fundo, o ciclismo como metáfora de vida.”
O adrian destaca o facto de este título permitir a associação desporto e leitura (combinação que se afigura bastante promissora para cativar jovens mais relutantes em folhearem um livro) e a particularidade de ter duas recomendações da Young Adults Library Services Association.
A segunda recomendação – Salvador: ser feliz assim –, não trará consigo a aura de um desportista de renome internacional. Mas fala de um jovem igual a tantos outros, com uma história particular:
“No dia 2 de Agosto de 1998, sofri um acidente de mota que me deixou tetraplégico. Na altura do acidente estava de férias de Verão, no Algarve. (...) Passava as manhãs na praia e no final da tarde ia jogar futebol com os meus amigos. A noite era obviamente o culminar de um belo dia de verão. (...) Nessa noite, regressava a casa ao volante da mota da minha irmã, uma Yamaha BW’S de 50cc que não passava dos 45 quilómetros por hora. Adormeci (...) e embati contra um Placard de publicidade. Porque razão é que adormeci? Porque para além do cansaço inerente ao ritmo das férias, bebi álcool e isso contribuiu para aumentar o meu estado de cansaço e distracção. Após o acidente, seguiu-se um período em que fui permanentemente sujeito a exames médicos, hospitais e intervenções cirúrgicas. Foi-me diagnosticada uma lesão medular (...) o que significava que doravante eu seria um tetraplégico. O primeiro confronto com a realidade foi muito dura.”
A jornalista Laurinda Alves descreveu assim a obra:
“Este livro fala da liberdade interior que é a única que nos permite ser verdadeiramente felizes. O Salvador é para todos um testemunho contagiante de alegria, entusiasmo e força de vontade. O seu livro conta uma história de superação que nos comove, que muda o nosso olhar e nos transforma para sempre. Ficamos diferentes depois de o ler.“
O prefácio é assinado pelo neurocirurgião João Lobo Antunes. Cita-se:
(…) Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança, se salvou (…).”
Ao adrian, parecem-lhe dois títulos fascinantes para jovens. Exemplos de luta contra a adversidade, têm tudo para o gerar de afinidades com a leitura: se Lance personifica o herói que todos os jovens querem ser (recordam Pennac? O direito de o leitor amar os heróis dos romances?) já Salvador é o jovem que todos poderiam ser. A adquirir.
ARMSTRONG, Lance. JENKINS, Sally. Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro. Lisboa : Edições 70, 2004. 273 p. ISBN 972-44-1208-3.
PAISANA, António. ALMEIDA, Salvador Mendes de. Salvador: ser feliz assim. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 113 p. ISBN 978-972-38-2865-8.
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Download
Da última conferência sobre audiolivros no Goethe Institut, aqui se deixa a informação que o adrian considerou mais pertinente:
- Segundo a alemã Der Horverlag, o mercado de ouvintes até aos 29 anos de idade corresponde a 24% do mercado (12% até aos 19, 12% até aos 29). Já os compradores nas mesmas faixas etárias correspondem a 17% do mercado (4% até aos 19 anos e 13% até aos 29). O género masculino compra mais audiolivros, utiliza com maior frequência a Internet para a sua aquisição e tem uma apetência superior pelo download (este último corresponde a 4% do total de aquisições, mas com tendência crescente);
- A portuguesa 101Noites falou da fidelização dos seus públicos por via da possibilidade de download das obras. Uma tendência observada por esta editora é a do cliente que, após descarregar um título, acaba por o fazer em relação a todos os outros (convenhamos que ainda não são muitos e o preço é, efectivamente, acessível – 4,50€ por cada obra em formato MP3). Sem terem dados relativos a faixas etárias, do discurso de Sandra Silva percebeu-se que os jovens terão quota-parte de responsabilidade neste caso de sucesso editorial;
- Se a Solutions By Heart afirmou o que a Hoverlag tem vindo a comprovar num mercado de mais de 17.000 títulos (“o CD é o formato preferido, mas a tendência é o download”), já João Cabral da MHIJ colocou em discussão duas interessantes questões: a falta de educação musical dos portugueses como motivo para que o áudio livro não vingue em Portugal e a necessidade de educar a Comunicação Social sobre o que é um áudio livro (trazendo à colação um episódio de um jornalista que o entrevistava sendo que, a dada altura, o editor se apercebe que o mesmo nunca tinha escutado uma obra em formato áudio).
Em suma, numa discussão moderada por José Afonso Furtado (melhor é impossível quando se fala do livro, seja em que formato for) o adrian destaca a tendência de download a aumentar (ambiente privilegiado junto das faixas etárias mais novas), a aquisição de títulos por jovens a representar uma percentagem razoável do total de vendas e, caso leiam os posts anteriores – aqui e aqui –, o que neste espaço se advogava relativamente à 101Noites: os resultados que advêm de um enfoque num público que, não sendo habitualmente muito considerado, pode marcar a diferença no que aos áudio livros diz respeito.
Que esta tendência continue em curva ascendente, para que os jovens leiam cada vez mais… nem que seja pelos ouvidos :-)
foto aqui
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Comunidades
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Diplodocus
Um Diplodocus foi uma espécie de dinossauro, o Batman é um Minotauro (sem touro) mas meio-morcego, um anarquista advoga o fim do Estado e um bibliotecário é o que o Adal é, para além de ser também um Diplodocus, um anarquista e um Batman. Confusos? Então visitem o Espécie de Diplodocus e vejam o que este herbívoro jurássico de dezenas de toneladas anda a fazer, a bem das colecções das bibliotecas públicas. Bem esgalhado, ó morcego-dinossauro-anarquista-bibliotecário!Os Jovens, a Leitura e a Biblioteca Pública
Uma excelente oportunidade para ouvir, debater, questionar, refutar, indagar, partilhar e tudo o mais que se possa imaginar na relação entre jovens, promoção da leitura e bibliotecas públicas. Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica – França), José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais), Christian Schmitz (arquitecto que tem idealizado várias bibliotecas para jovens), Paula Brehm-Heeger (YALSA-ALA), Jonathan Douglas (National Literacy Trust), Michele Gorman (Comixlibrarian) e Lorenzo Soto (FGSR) irão dissertar sobre A promoção da leitura para os públicos jovens e o papel da bilioteca pública, temática do III Encontro Oeiras a Ler que irá decorrer na BMO de 29 a 30 de Maio. Com os diferentes painéis a serem moderados por José Carlos Vasconcelos, José Mário Silva, Mafalda Lopes da Costa e Carlos Pinto Coelho e tendo como relatora desta iniciativa Manuela Barreto Nunes, esperam-se dois dias de discussão e partilha de ideias e boas práticas, a bem da promoção da leitura.Para mais informações estejam atentos ao Oeiras-a-ler. foto aqui
Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Pilhas de livros
Meu querido Corto Maltese
Já agora, e porque tinha este post em banho-maria, aqui vai: uma pequena banda sonora para uma das sessões, caso leiam Hugo Pratt, será o cd Tango, do Trio Esquina que, em tempos, acompanhou a obra do mesmo nome em mais uma aventura de Corto Maltese. Uma excelente interpretação que nos põe em Buenos Aires em poucos segundos. Mas, se eventualmente não tiverem esse CD (não saiu com todas as edições da versão impressa), poderão sempre associar à discussão o poema da canção Meu querido Corto Maltese, da autoria de Vitorino e maravilhosamente interpretada por Filipa Pais no seu disco À porta do mundo. Encontram a letra da mesma aqui.
Desculpem lá esta mania do adrian de juntar claves do sol, vogais e consoantes, mas ele acha que faz todo o sentido.
Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
Sou todo ouvidos II
“A arte acústica e os audiolivros estiveram em destaque no Goethe-Institut Portugal no último ano. Depois de um animado debate na conferência realizada no final de Novembro de 2007, queremos agora aprofundar a discussão com mais um evento dedicado ao tema. Após consultar várias editoras ligadas a esta área, seleccionámos como tema do próximo evento a comercialização, distribuição e marketing de audiolivros. Dos desafios criados pelo download de ficheiros áudio à gestão de uma loja online, pretendemos incentivar o debate relativamente a práticas inovadoras de comercialização e marketing, tais como parcerias com empresas de aluguer de automóveis e estações de serviço, sem nunca esquecer a importância do contacto e cooperação com as livrarias tradicionais. A mesa redonda contará com a presença de editores portugueses e um especialista alemão.”
Participantes:
Sra. Anke Hardt, Directora Comercial da Hörverlag de Munique
Sra. Sandra Silva, Gerente da 101noites
Sra. Albertina Dias, Gerente da Solutions by Hardt
Sr. João Cabral, Editor da MHIJ Editores
Moderação: Sr. José Afonso Furtado, Fundação Gulbenkian
Eu que me comovo
Aqui fica um cheirinho, da faixa Todos os homens são maricas quando estão com gripe:
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragotoas
Vinho com mel
3 aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas, diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Vejo os demónios
Nas suas danças
Tigres sem litras
Bodes de tranças
Choros de coruja
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
Á cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão-de-ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sozinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer.
Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Porque é Abril
Bob Dylan foi galardoado, esta semana, com um prémio Pulitzer. A ideia foi distinguir o «profundo impacto que a sua obra teve na música popular e na cultura» dos Estados Unidos da América e o reconhecimento do «extraordinário poder poético» das suas composições. Dylan entra pelas salas de aula, nos EUA, com uma facilidade impressionante (leia-se, a este propósito, Voices of the Sixties and the Modern Poetry Slam, prestando particular atenção a Dylan and the protest song). Mr. Tambourine Man, The Times They Are A-Changin ou Blowin’ In the Wind servem de suporte para a introdução, não só à poesia, mas também à História, junto dos jovens. E por cá? Não existiram Bob Dylan’s? Na mesma década e com as mesmas motivações? Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira não desempenharam iguais papéis? Manuel Alegre e Ary dos Santos, não imortalizaram o sentir de um povo? De forma poética, bela, sentida? As palavras das cantigas e A praça da canção, não poderão entrar por essas salas de aula adentro? Por essas bibliotecas? Poderão pois. Quanto mais não seja agora, que é Abril. ALEGRE, Manuel. A Praça da Canção. Lisboa : Campo das Letras, 1998. 208 p. ISBN 972-610-084-3. SANTOS, José Carlos Ary dos. As palavras das cantigas. Lisboa : Editorial Avante, 1993. 200 p. ISBN 972-550-210-8. Acompanhe-se à viola, com cd´s de Adriano e Zeca. Fale-se da intervenção, do protesto, da contestação que é agora apanágio do HIP HOP e do RAP (ou não fosse este último sigla para rythm and poetry). Ao fim ao cabo a poesia está lá toda, o ritmo é que é diferente.Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Intermezzo
Intermezzo, s. m. (pal. ital.). Representação ligeira que se efectua entre dois actos de uma ópera ou drama. Trecho curto que liga as divisões principais de uma obra musical.
O fim último deste blogue sempre foi abordar tudo o que dissesse respeito a uma faixa etária que, nas bibliotecas, não encontra oferta para lá da que cumpre as necessidades formativas, no sentido mais estrito da palavra. Promove-se a leitura junto de públicos adultos, junto de crianças e, mesmo em relação aos adolescentes até aos 15 anos, as iniciativas vão surgindo. E a partir daqui? Porque é que, quando tantas vezes se fala em promoção da leitura para adolescentes, tudo acaba no 3º ciclo? A adolescência termina aos 15? Das Nações Unidas, a propósito da definição de jovens:
“The United Nations (…) defines “youth”, as those persons between the ages of 15 and 24 years (…) within the category of “youth”, it is also important to distinguish between teenagers (13-19) and young adults (20-24)”
Tivesse-se o supracitado como trave mestra para um balizar de faixas etárias e talvez a reflexão e consequente acção fosse outra. Encare-se o fim da escolaridade obrigatória e o início da integração no mercado de trabalho (ou seja, as idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) como alvo natural de acções de promoção da leitura (que, aliás, viriam na sequência de tudo o que teria sido empreendido até então e subsequentemente) e talvez os resultados espantem os mais cépticos.
Mas porquê toda esta prosa, perguntar-se-ão? Poderá parecer questão de lana caprina mas o adrian, a partir de agora, terá um complemento de título diferente: de adolescentes e jovens adultos em biblioteca públicas passar-se-á para dos 15 aos 24 anos em bibliotecas. Tal reflecte, acima de tudo, os públicos sobre quem se fala e para os quais se quer trabalhar. Pretende-se, também, criar uma distinção explícita em relação a recomendações de leitura, uma vez que, se já existem ferramentas para a promoção de determinados títulos até final do 3º ciclo, a partir daí a oferta é mínima. Por último esta alteração pretende evitar aquilo que, por vezes, já terá acontecido a alguns dos que lêem estas linhas: sob um título de promoção de leitura para a adolescência, o indíviduo depara-se - em conteúdos impressos, páginas web ou outras situações -, com know-how sobre as idades até aos 15 anos, quando o que se pretende é, precisamente, conteúdos a partir dessa idade (a exemplo do que acontece com o SOL, da FGSR, com sugestões de leitura bem delimitadas, entre as quais a faixa dos 15 aos 18 anos).
Se repararem, desaparece também a menção públicas. Isto porque, se se quer um trabalho continuado de promoção da leitura, ele passar-se-á na biblioteca escolar (até final do secundário), e prolongar-se-á pela universitária, com omnipresença da pública. Os EUA, na primeira metade do século XX, tiveram amplos programas, espaços e colecções dedicados à literatura de lazer, nas suas bibliotecas universitárias. A partir de meados de ’50, resolveram inverter o posicionamento estratégico, tornando-se exclusivamente instrumentos de apoio ao estudo e à investigação. Ao fim de todos estes anos, estão a voltar à promoção da leitura. E porquê? Porque os estudantes universitários americanos, de forma geral, lêem pouco ou nada para lá do que está associado às tarefas académicas. Portugal não será um caso muito diferente, pelo que também esta vertente da promoção da leitura, cultura, educação e informação, junto dos estudantes do ensino superior, será aqui abordada. E já temos quem ponha mãos à obra, cá pelo rectângulo: a título de exemplo, esteja-se atento ao trabalho de Pedro Estácio à frente da Biblioteca da Faculdade de Letras... e não é exemplo único. Assim, a menção bibliotecas, isoladamente, permitirá a inserção de conteúdos sem incongruências.
Então, e o Adrian? Haverá lógica em manter a personagem? Claro que sim. Esta criação de Sue Townsend teve direito a 6 obras, que se estendem desde os seus 13 anos e ¾ (The growing pains of Adrian Mole, aged 13 ¾ - editado em 1982) até aos 33 e ¾ (Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction – editado em 2004). Com os mesmos amores e desamores por Pandora.
Intermezzo terminado, uma última nota: estejam atentos pois, para quem se interessa por estes assuntos, em breve o adrian trará quentes e boas (que justificarão também a diminuição no ritmo dos posts). Um abraço!
foto aqui
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
The Original Search Engine

Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Trilhos
O adrian bem quer ir, mas o respectivo bonecreiro está com problemas de calendário...
Sexta-feira, 7 de Março de 2008
Andar espantado de existir
“O público procura, compra, lê. Os editores e os próprios autores contactados pelo DN avançam a teoria, consensual entre eles, de que a literatura fantástica tem os seus momentos mais altos em tempos de desencanto e confusão. A professora Maria do Rosário Monteiro confirma esta ideia no estudo A Afirmação do Impossível: "Durante o século XX, a sociedade ocidental enfrentou várias crises que abalaram profundamente valores tidos como incontestáveis", adianta a docente de Estudos Portugueses na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (da Universidade Nova de Lisboa). "A física estilhaçou o universo newtoniano, a psicologia descobriu o inferno no íntimo de cada ser humano, o indivíduo perdeu referências e solidariedades que contribuíam para uma certa estabilidade emocional." (…) "Num mundo caótico, à beira do holocausto global, Tolkien abriu verdadeiramente o caminho que muitos trilharam depois, descobrindo novas vozes, novos mundos, oferecendo formas eficazes de escapismo", diz. O género fantástico ganhava um fôlego maior.”
Associar a este “fôlego” obras de autores portugueses afigura-se como algo incontornável, nomeadamente junto de adolescentes e jovens adultos. Aconselha-se, assim, As aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira. José Jorge Letria afirmou, a propósito desta obra:
“poucos livros conseguiram operar de forma tão nítida este prodígio: foi escrito para a juventude, mas os chamados adultos identificaram-se plenamente com o universo mágico que ele encerra".
Um livro que é mais que uma história fantástica, é também uma crítica mordaz ao Fascismo. Do CITI – Centro de Investigação para as Tecnologias Interactivas:
“A crítica de Alexandre Pinheiro Torres a esta obra (in “Vida e Obra de José Gomes Ferreira”), é clara e deixa praticamente tudo dito acerca dela: "Livro sem qualquer paralelo na literatura europeia de hoje, ganha no confronto em relação a outras célebres alegorias políticas como "Animal Farm" de Orwell, ou as de Karel Capek. É que há (...) uma audácia à Swift ("Gulliver's Travel") de transfiguração e simbologia política que transcendem de bastante longe o burocratismo imaginativo de Orwell ou de Capeck, sem verdadeiras raízes nas tradições populares ou folclóricas que conferem a estas 'Aventuras' o seu carácter único".”
Junte-se-lhe um surrealismo muito familiar ao nonsense a que nos habituaram, por exemplo, os Gato Fedorento, e temos uma excelente referência literária para o nosso público. Como se não bastasse, a obra – editada pela D. Quixote –, surge agora em formato de bolso – portátil, logo, atraente para leitores mais novos –, no âmbito da nova colecção booket. No site desta colecção encontramos preços a condizer com o tamanho e, por último mas não de menor relevo, possibilidade de download do primeiro capítulo deste título.
O adrian sugere uma forma de o promover nas bibliotecas públicas e/ou escolares: colocar o livro em destaque, com a citação que se segue, correspondente à que João encontra escrita no Muro, quando se prepara para entrar no mundo fantástico:
FERREIRA, José Gomes. As aventuras de João Sem Medo. Lisboa : Booket, 2008. 176 p. ISBN 978-972-2035-53-8.
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Rutka e Nina
“Desengane-se, porém, quem pensar que o livrinho de Rutka é uma espécie de amostra do que se encontra, mais desenvolvido, nos escritos da outra mártir (O diário de Anne Frank). Se as preocupações são as mesmas, o estilo diverge. Não há aqui nada que se pareça com o “Querida Kitty” e o tom é muito mais seco, objectivo, pouco dado a arroubos sentimentais. Rutka tem noção de que está no inferno, de que o cerco se vai apertando e de que dificilmente sobreviverá a uma guerra cuja evolução militar mostra conhecer bem. Se escreve, é para deixar um registo — como quando narra com grande detalhe, seis meses após os factos, uma Aktion de deportação feita pelos nazis sobre os judeus de Bedzin, em Agosto de 1942.”
E a opinião da Time Magazine (ver aqui) sobre Eu quero viver:
“Could do for the horrors of Stalinism what the diary of Anne Frank did for the Holocaust…the tragedy of Nina Lugovskaya is that a lively, compellingly ordinary girl was made to suffer so grievously for being so human.”
Uma sugestão: num grupo de leitores, dar-lhes a elas as obras de Ishmael Beah e Hiner Saleem e a eles as de Rutka e Nina. Depois, podem trocar.
LUGOVSKAIA, Nina. Eu quero viver. Lisboa : Casa das Letras, 2005. 324 p. ISBN 978-972-4616-16-2.
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Correntes de Jovens
Boas notícias, também, do Correntes D’Escritas (sugere-se a excelente cobertura pelo José Mário Silva). Mas, acima de tudo, o adrian regista estas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, também na última edição do semanário Sol:“Auditório Municipal apinhado (de jovens). Muitas centenas de ouvintes. Dezenas de estudantes. Com intervenção.”
Bom, não é? Ainda por cima, "com intervenção"!
imagem aqui
PERSEPÓLIS II
Falou-se aqui em Persépolis, de Marjane Satrapi. Os jornais do último fim-de-semana dão-lhe destaque. Mais pela estreia do filme no nosso país e presença na lista dos nomeados ao Óscar de Melhor Filme de Animação, do que pela bela obra que é o título na sua versão impressa. Perdeu para Ratatui, o que qualquer pessoa lúcida que tenha lido a obra e/ou visto o filme de Marjane achará, no mínimo, patético. “Persepólis comove, da cabeça aos pés”, diz Gonçalo Frota, no semanário Sol. Só se pode concordar.Boas novas são, para além da entrada da película no circuito comercial, as palavras de Rui Brito, da Polvo, à última edição do já mencionado jornal: pensa “retomar a actividade editorial este ano”. Uma das obras a ser publicada será o 2º volume de Persépolis.
Aguarda-se esse lançamento. O adrian jura que compra um, e sugere a aquisição a todas as bibliotecas, juntamente com o 1º volume.
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Uma arma para a promoção da leitura
“Chamo-me Azad Shero Selim. Sou o neto de Selim Malay. O meu avô tinha muito humor. Dizia que tinha nascido curdo numa terra livre. Depois chegaram os Otomanos e disseram ao meu avô: tu és otomano. Após a queda do Império Otomano, tornou-se turco. Os turcos foram embora e ele voltou a ser curdo no reino de Cheikh Mahmoud, Rei dos Curdos. Depois chegaram os ingleses e, então, o meu avô tornou-se súbdito de Sua Graciosa Majestade e chegou, até, a aprender algumas palavras em inglês. Os ingleses inventaram o Iraque, o meu avô tornou-se iraquiano, mas nunca chegou a compreender o enigma desta nova palavra, Iraque, e até ao seu derradeiro suspiro não sentiu qualquer espécie de orgulho em ser iraquiano; o seu filho, meu pai, Shero Selim Malay, também não. Mas eu, Azad, era ainda um miúdo.”
Sobre a obra:
“Mais do que um manifesto político, A Espingarda do Meu Pai é o relato, de uma simplicidade desconcertante, da luta permanente do povo curdo para conservar a sua identidade cultural. Ainda que na vida quotidiana sejam constantes o horror, a fome e o exílio, o jovem narrador mantém inalterada a vontade de viver, o bom humor e os sonhos. Ligado à causa da liberdade curda, ele não se sente obrigado a apresentar os seus compatriotas como santos ou heróis, mas sim como pessoas normais, cheias de qualidades e defeitos, impregnadas de uma verdade e de uma singeleza que as torna imediatamente familiares ao leitor. O pai que nunca se separa da sua velha espingarda russa, a mãe que concorda com ele em todas as circunstâncias, o primo que cria pombos acrobatas, o irmão que combate nas montanhas, todos eles são personagens de uma galeria inesquecível que nos ajuda a mergulhar num dos dramas mais pungentes da realidade política contemporânea, dando-nos a conhecer os contornos de uma situação que ninguém quis ainda resolver.”
E sobre o autor:
“Hiner Saleem nasceu em 1964, no Curdistão iraquiano. Depois de viver alguns anos em França, como exilado político, mudou-se para Itália, vivendo agora em Paris. Também realizador de cinema, a sua última longa-metragem, Vodka Lemon, obteve o prémio Contra-corrente do Festival de Veneza. A Espingarda do Meu Pai está traduzido em vinte línguas.”
O adrian aconselha especial atenção ao texto da International Reading Association. E, já agora, porque não aproveitar os livros de Ishmael Beah e de Hiner Saleem para um grupo de leitores?
SALEEM, Hiner. A espingarda do meu pai. Porto : ASA, 2004. 94 p. (Documentos). ISBN 972-41-4041-5.
Uma pequena (grande) adenda...
…ao último post aqui publicado. A Clara deu uma dica valiosa ao adrian (que desde já agradeço!): Carlos Vaz Marques esteve à conversa, a 21 de Janeiro deste mês, com Ishmael Beah, no seu programa Pessoal e Transmissível. Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Uma longa caminhada

Os prémios Alex 2008 já foram anunciados. Destes, apenas um se encontra traduzido e editado entre nós, pela Casa das Letras: Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado, por Ishmael Beah (na foto). Da badana:
“Em Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado, Ishmael Beah – hoje com vinte e seis anos –, conta-nos uma história fortemente cativante: com doze anos fugiu a um ataque de rebeldes e vagueou por um país tornado irreconhecível pela violência. Com treze, fora recrutado pelo exército do governo e, embora no seu íntimo fosse um rapaz meigo, descobriu que era capaz de actos verdadeiramente terríveis. Com dezasseis anos, foi afastado dos combates pela UNICEF e, com a ajuda dos funcionários do centro de reabilitação, aprendeu a perdoar-se, a recuperar a sua humanidade e, por fim, a sarar. (…) O autor nasceu na Serra Leoa, em 1980. Mudou-se para os Estados Unidos em 1998 e concluiu os dois últimos anos do secundário na Escola Internacional das Nações Unidas, em Nova Iorque. Em 2004 formou-se pelo Oberlin College com um bacharelato em Ciências Políticas. É membro do Human Watch Children´s Rights Division Advisory Committee e falou perante as Nações Unidas, o Council on Foreign Relations e o Center for Emerging Threats and Opportunities. Os seus trabalhos foram publicados pela VespertinePress e pela revista LIT. Vive em Nova Iorque.”
Três notas do adrian: em primeiro lugar, o tema da guerra, mas vivido e relatado por quem nela participou, parece por demais relevante, neste mundo asséptico e ultra protegido em que pretensamente se procura educar os jovens. A realidade não é assim, e procurar escondê-la é querer tapar o sol com a peneira. Há quem seja soldado à força, aos treze anos, e essa é a história – verídica –, que Ishmael tem para nos contar; em segundo lugar, mais um título que, na generalidade das bibliotecas portuguesas – senão em todas –, está arrumado no sector de adultos. Deixem-nos entrar por essa sala dentro! Eles sentir-se-ão considerados, e isso é tão importante quando, nestas idades, o mundo dos mais velhos parece estar sempre em contradição com o dos adolescentes. Em terceiro lugar destaca-se o site criado pela editora Farrar, Straus and Giroux: em http://www.alongwaygone.com/, existem recensões à obra, ligações para a compra do livro – ou audiolivro –, datas das sessões públicas em que o autor estará presente, notícias de imprensa, conteúdos multimédia com entrevistas e, last but not least, um guia de leitura e um guia para o professor. Quem disse que tecnologia e literacia não se conjugam?
BEAH, Ishmael. Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado. Cruz Quebrada : Casa das Letras, 2007. 281 p. (Biografias). ISBN 978-972-46-1727-5.
imagem aqui
Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
Eu vi um gato...
Se a ideia era trazer ao espaço adolescentes e jovens adultos, pois a iniciativa resultou em cheio. E, para o provar, uma curiosidade: à entrada da Biblioteca uma empresa privada, de seu nome “Teen Academy” – explicações e afins –, distribuía folhetos promocionais. A iniciativa pública a ser aproveitada pela privada: no mínimo, curioso…
Ricardo Araújo Pereira falou da sua infância, percurso profissional, leituras, influências, de algumas fórmulas para escrever guiões, do SLB, mas sempre com tempo para umas piadas, imitações e, no final, autógrafos com fartura.
O bonecreiro do adrian fez um pedido a RAP: aproveitando a presença de tanta gente nova, porque não dar-lhes umas sugestões de leitura? Pois então, aqui vão elas: de Eça de Queirós, “A relíquia” e de Camilo Castelo Branco “A queda de um anjo” (se bem que algumas pessoas do público contestaram estas opções, mas RAP defendeu a escolha com base nos enredos, que considera hilariantes); de Jerome K. Jerome, “Três homens e um bote”; de Mário Henrique Leiria, “Contos do gin tonic" e “Novos contos do gin tonic”; de Miguel Esteves Cardoso, a generalidade das obras; “Boca do Inferno”, do próprio; e, por último, “Planeta do Futebol”, de Luís de Freitas Lobo.
Um abraço!
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
To Read Or Not To Read
Cita-se, do estudo:
“Teens and young adults read less often and for shorter amounts of time compared with other age groups and with Americans of previous years. Less than one-third of 13-year-olds are daily readers, a 14 percent decline from 20 years earlier. Among 17-year-olds, the percentage of non-readers doubled over a 20-year period, from nine percent in 1984 to 19 percent in 2004. On average, Americans ages 15 to 24 spend almost two hours a day watching TV, and only seven minutes of their daily leisure time on reading.”
O adrian continua a acreditar que os serviços terão de se entrecruzar mais, tal como os espaços em que os promovemos. Por essa razão, aqui se advoga o uso continuado das novas tecnologias para o despertar de hábitos de leitura. É também por esse motivo que se louvam actividades como os prémios de poesia na MTV (aqui), a leitura de outros géneros (aqui), em novos suportes (aqui), e em espaços inovadores (aqui). A fórmula será sempre a mesma, e está expressa na nossa sabedoria popular: quanto à perseverança, água mole em pedra dura…; e quanto à interacção, se não podes vencê-los...
Uma última palavra para o complemento de título deste estudo: A Question of National Consequence. Bem escolhido, não vos parece?
Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
Noite & Literatura
A editora 101noites, que já aqui foi mencionada várias vezes, a propósito de audiolivros (nomeadamente a colecção Livros para Ouvir e o projecto Wordsong), tem um site de seu nome Guia da Noite. E o que é que isso tem que ver com promoção da leitura? Simples: os jovens gostam de sair à noite, não gostam? E gostam de saber onde ir, quais os concertos, quais os eventos, as festas, não gostam? E onde vão os jovens, hoje em dia, procurar a informação? À Internet, certo?
Ciente desta realidade, a 101noites criou este espaço virtual em que, entre agendas de tudo e mais alguma coisa que acontece após o sol se pôr, guias de restaurantes, bares, cafés e discotecas, lá vai promovendo os seus audiolivros, a sua colecção de bolso e outras obras, como por exemplo, a fotobiografia dos Xutos. Dica do adrian: na ligação 1001 Noites, do lado esquerdo da página, encontra-se uma selecção de excertos literários, sobre… a noite! Delicioso!
Como uma boa nova nunca vem só, a 101noites também edita o Guia da Noite Lx Magazine, que é distribuída gratuitamente nos “principais poisos da noite lisboeta” e que, para além disso, pode ser descarregada directamente da página web. À semelhança do site, também a revista fala da noite, mas acrescentando-lhe um toque literário. A título de exemplo, a edição de Fevereiro (nº 2), traz uma entrevista com o José Luís Peixoto.
Excelente!
Domingo, 20 de Janeiro de 2008
Jukebox Literária
As Bibliotecas de Londres promovem, desde 2005, o Black Poets Ink, que mais não é que uma página web dedicada à poesia de autores negros. O site inclui recursos para textos (Read), ligações para ficheiros áudio com declamações on-line, por voz própria de alguns dos escritores (Listen), informações sobre oficinas de escrita (Write), e ligações genéricas sobre poesia (Links). O adrian destaca a primeira ligação após um clique em Listen. A 57productions oferece a maravilha que acima se vê: uma jukebox de poesia! Mais uma referência a ser colocada junto aos acessos à net da biblioteca, não?Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Lua Nova
“Qual é então o segredo de Meyer? O mesmo de todo e qualquer best-seller: personagens não muito complexos que permitam uma identificação cabal dos leitores, uma escrita pouco elaborada e de estilo invisível e uma história que reúna os elementos-chave de uma mitologia fantástica bem estabelecida e facilmente identificável. E, tratando-se de uma série para adolescentes, a tensão erótica (nunca concretizada) e o frisson da morte que acompanha os grandes romances (Romeu e Julieta remastigado uma vez mais), aliados a uma inocente insinuação de mau comportamento servem de iscos irresistíveis.”
Uma epopeia amorosa de vampiros que parece estar a dar a volta à cabeça dos jovens. Refira-se, a título de exemplo, que o terceiro volume – Eclipse –, destronou o último Harry Potter na lista de mais vendidos do New York Times.
Dica do adrian: coloque-se este link junto aos acessos à Net, na biblioteca: é um blog português sobre a trilogia. É que nem sempre o caminho mais curto entre dois pontos é a recta ;-)
Mais informações consultar:
SEIXAS, João – “Harry Potter e os vampiros adolescentes”. Os meus livros. (Jan. 2008), p.37.
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Boa, boa, boa…
A iniciativa Café com Letras tem o fedorento como convidado e Carlos Vaz Marques como anfitrião. Falar-se-á de livros, de leituras e, com certeza, haverá parvoíce. É ou não é uma iniciativa boa, boa, boa…
Próximo dia 30 (quarta-feira), pelas 21.30, na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Qualidade

O blog acede-se por aqui e lá encontram a ligação para a agenda (frente e verso). O adrian não faz a mínima ideia de quem terá sido o autor, mas desde já aqui lhe endereça os parabéns pelo trabalho de qualidade realizado. Esta newsletter está fantástica!
Domingo, 6 de Janeiro de 2008
Irascível
Mas, já agora - e porque não? -, aproveitar para ler a essa malta mais nova algumas passagens do mesmo, num grupo de leitores ou numa sala de aula? É que, se o que inspirou Luiz Pacheco a escrever esse texto foi um período particularmente complicado da sua vida, então aí está o exemplo de como tempos adversos – miséria, para ser mais correcto –, podem alavancar a criatividade e traduzir-se em genialidade (pois é de um génio que falamos).
Por último, e porque tanto se leu, nos bancos de liceu, da obra de Gil Vicente – que provocava risinhos e olhares matreiros pelo politicamente incorrecto dos vocábulos que ia surgindo –, pois aproveite-se este Coro de escárnio e lamentações dos cornudos em volta de São Pedro e faça-se o mesmo exercício. Delicioso!
Um abraço ao mais irascível dos irascíveis!
Comer a sopa
Composto de Mudança: música para se deixar levar, conta com dez composições construídas a partir de poemas de autores portugueses (como Camões, Eugénio de Andrade, António Gedeão e Manuel Alegre) e interpretadas por Pacman, Sam The Kid, Kalaf, Marta Dias, Melo D, entre outros;
Wordsong Al Berto (livro+CD) e Wordsong Pessoa (Livro+CD+DVD), são duas obras de interpretação musical e multimédia das obras de Fernando Pessoa e Al Berto. O projecto Wordsong é constituído por Alexandre Cortez, Nuno Grácio e Pedro D'Orey;
Mário Viegas no centenário de Almada Negreiros, apresenta-nos Mário Viegas a recitar o Manifesto Anti-Dantas e ainda obras de Fernando Assis Pacheco, Manuel da Fonseca, Nicolas Guillen, Jorge de Sena, Vinicius de Morais e Eugénio de Andrade. Sem a actualidade dos intérpretes acima referidos, mas com a imortalidade da voz de Mário Viegas.
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Geração Y
Curiosa é também a comparação de dados entre este estudo e um outro, realizado em 1996, em que as pessoas da já referida faixa etária mencionavam, à altura, que as bibliotecas se tornariam cada vez menos relevantes. O que leva a autora a afirmar que “10 anos depois, os irmãos e irmãs mais novos dessas pessoas são os mais ávidos usuários de bibliotecas".
Para pouca relevância, não está nada mau! E o adrian convida à reflexão sobre o tema, nomeadamente nesta relação entre o ciberespaço e as bibliotecas físicas. Razão mais que suficiente para um investimento capaz nos portais, sites, blogs e OPAC’s das nossas BP’s.
Isto sim, são Boas Festas!

Os textos estão disponíveis aqui e aqui, e a respectiva ligação para download está aqui.
E, já agora, Boas Festas (é que ainda faltam os Reis :-)
P.S. - O seu a seu dono: o adrian teve conhecimento desta iniciativa através do Blog da Rede de Bibliotecas Escolares do Algarve. Bem-hajam!
Polémicas

«uma saga gnóstica, anti-Natal e 'soixante-huitarde' (alusão ao movimento de rebelião estudantil em França em 1968) (…) Philip Pullman reivindica uma ideologia totalmente ateia e inimiga de todas as religiões, tradicionais e institucionais, e do cristianismo e do catolicismo em particular»
Associações cristãs e católicas americanas promoveram acções de boicote ao filme e ao livro e exerceram-se pressões para que a trilogia fosse retirada de bibliotecas e escolas. O adrian não leu a obra nem visionou a película, pelo que não poderá opinar acerca do assunto. Mas deixa aqui a opinião da American Library Association (de leitura e reflexão obrigatória), e uma certeza, com base nas palavras de Brendan Behan:
Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Espanto em terras de Gaudi!
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007
Há quem atire…
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Maria, a Anglo-Saxónica
“Passei a ler «O Sentimento dum Ocidental» todos os dias, ouvindo, como Cesário, o ranger das chaves nas fechaduras, o tinir dos talheres num hotel e até, subindo das ruelas do vizinho bairro da Madragoa, as cantigas das varinas que já não há. (…) Não só lia como ouvia Cesário. Quando percebi que tinha de cotejar os poemas transcritos com os originais, decidi comprar um gravador moderno: apesar de a minha voz não ser a ideal, dei-me conta do prazer de ouvir, em vez de ler, os poemas. Só depois comecei a comprar cassetes e CD’s com poesia.”
Nem de propósito, mais uma achega para os recentes posts sobre audiolivros. Mas há mais, que esta senhora não pára. Ainda a propósito de jovens e leitura, leiam este trecho da entrevista à autora, na SIC Online:
"Aos jovens diz: «esqueçam a escola, esqueçam o que dizem os professores, esqueçam os termos da gramática e comecem a ler por puro prazer.» Aconselha a leitura da poesia em voz alta, principalmente a de Cesário Verde. Um poeta de quem, diz, é fácil gostar.”
Obviamente que é fácil, para MFM, dissertar desta forma: não é professora do secundário. Mas o adrian não pode deixar de lhe dar razão, quando se fala em leitura por prazer: esta não pode estar associada à obrigatoriedade académica. Tem de ser por gosto, por deleite. Daí que o que se vai escrevendo por esse mundo, sobre grupos de leitores adolescentes e jovens adultos – em ambiente escolar –, tenha subjacente duas premissas essenciais: nem os livros a ler podem fazer parte do curriculum, nem os orientadores dessas sessões devem ser professores dos participantes. Separa-se, assim, obrigação de devoção, o que traz sempre bons resultados.
A capacidade e coragem de MFM pensar, verbalizar e escrever o que lhe vai na alma, fruto de opinião própria e de estudo aturado, faz dela uma Maria… Anglo-Saxónica*. Aplaude-se!
* Não é por acaso que os ingleses têm o Speakers' Corner: qualquer um pode falar, desde que tenha algo interessante para dizer e alguém que o queira ouvir. Filomena Mónica reserva esse seu direito, e liberdade, para grande incómodo de muita gente que, neste país, acha que dissertar acerca deste ou daquele assunto está destinado a uma elite encartada do título académico respectivo. Já agora, o seu a seu dono: tive conhecimento da entrevista na Sic Online através do entreestantes. Bem-hajas, Bruno!
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
PISA
Que a torre cá esteja, compreende-se: para além de homónima do assunto em análise, convém que ninguém corrija a sua famosa inclinação. Assim é conhecida internacionalmente e local de romaria para todos os que visitam a cidade, com as mais-valias inerentes. Bastam pequenas intervenções, pontuais, para que não venha abaixo. Está bem assim.Os números do PISA (Programme for International Student Assessment) – publicados hoje – é que não há forma de endireitarem, ao contrário do que seria de esperar. O que não deixa de ser curioso, porque também nos tornam famosos. Infelizmente, é fama que não traz proveito, será mais um sinal de desgraça. Do Jornal de Negócios:
“No que diz respeito às competências adquiridas no domínio da leitura, Portugal situa-se no 31º lugar de um ranking de 56 países, apesar de uma ligeira melhoria dos resultados, considerados «insignificantes pela OCDE». Note-se que esta lista é alargada a muitos países em vias de desenvolvimento que se juntaram ao PISA.” Considerando que o estudo analisa as competências de alunos com 15 anos de idade, a reflexão do adrian será a de se continuar a trabalhar mais e melhor, em prol dos adolescentes, na promoção da leitura. E esperar que esta PISA não desabe… Os dados relativos apenas a Portugal estão aqui.
Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Úteis e agradáveis
“Não é por acaso que todos os autores seleccionados (para a colecção “Livros de ouvir”) fazem parte dos currículos de leitura obrigatória do Ensino Secundário. Sandra Silva, responsável pela editora, diz que esta é uma forma de ajudar os jovens a terem um primeiro contacto com os escritores que vão ter que ler, mas não esconde que, ao mesmo tempo, são os mais novos aqueles que mais depressa aderem ao novo formato, habituados que estão aos mecanismos das novas tecnologias. Todos os audiolivros da colecção podem ser adquiridos em formato CD acompanhados pelo livro em qualquer livraria, mas podem também ser adquiridos como um ficheiro de MP3 através do «site» da 101noites. E é aqui que as vendas têm sido mais acentuadas. Quem opta pelo ficheiro de MP3 paga 4,50 euros, quem prefere o CD gasta 13,90 euros. As vendas ainda não estão obviamente contabilizadas, muito menos está definido o perfil dos consumidores. Mas o «feeback» já é claro: adultos preferem o CD e o livro, jovens optam pela tecnologia mais avançada.”
Acresce o facto de esta editora ter escolhido um conjunto de nomes sonantes do teatro, televisão e cinema nacionais: Alexandra Lencastre (Florbela Espanca), José Wallenstein (Eça), Nuno Lopes (Camilo), Eunice Muñoz (Fialho de Almeida), João Perry (Mário de Sá-Carneiro) e São José Lapa (Pessoa). Vozes mais conhecidas criam uma mais rápida e forte empatia com o público, certo?
Já A Boca tem menos títulos disponíveis - quatro -, e uma política editorial que não parece - ressalvo, parece - tão assertiva. Mas o que lhe falta de útil acresce em agradável. O site está bastante apelativo e muito mais cool, o que não deixa de ser curioso: sem terem explícitamente a intenção de atingirem os jovens, acabam por o fazer fruto da sua “porta de entrada”, com os quais os mesmos se identificam. Para além disso, dos quatro títulos disponíveis, apenas um possibilita a aquisição em CD. Mas, que CD! A alegria de gostar, de Jairo Anibal Niño, tem ilustrações de Gémeo Luís, concepção e base sonora de Amélia Muge e voz de Changuito. A Boca tem também Maria do Céu Guerra a declamar a Tabacaria (Álvaro de Campos), para além de O tesouro (Eça), e A carta da corcunda para o serralheiro (Pessoa).
Destaque também para a MHIJ, com quatro obras no seu catálogo de audiolivros: duas obras de Luís Sepúlveda (As rosas de Atacama e O velho que lia romances de amor), uma de Paul Auster (O caderno vermelho), e uma de Agualusa (Passageiros em trânsito). Um site não tão conseguido como o das editoras anteriores, lamentando-se a impossibilidade de download e todo o aspecto gráfico. Aplaude-se a lista de títulos e, em particular, As rosas de Atacama (preferência pessoal, confessa-se). Excelente livro de contos, nomeadamente o que dá título à obra.
Conclui o adrian: A boca e a 101noites a fazerem um trabalho excelente, com uma política de preços semelhante, ambas com bastante que as recomende, uma por um lado mais pragmático - mas com inesgotável valia, ressalve-se -, e maior oferta, e outra pela vertente estética, com um interface agradabilíssimo e, concerteza, mais apelativo ao adolescente e jovem adulto (e também com nomes “de peso” a sustentarem as suas produções). A MHIJ conta com uma presença mais discreta na net mas nem por isso com títulos mais pobres, muito pelo contrário. O trabalho meritório que desenvolve teria, no entanto, bastante a ganhar, com a evolução da respectiva plataforma tecnológica.
Sou todo ouvidos
Os audiolivros andam na ordem do dia. A 21 de Novembro teve lugar a conferência “O futuro do audiolivro em Portugal”, com a 101noites a divulgar a recém-lançada colecção “Livros para ouvir” e os assuntos da edição, promoção da leitura e livro impresso versus livro sonoro a serem discutidos. No dia 29 o Goethe-Institut de Lisboa assistiu à conferência “A leitura no novo século: os audiolivros”, com a presença de duas representantes de editoras alemãs de audiolivros (uma das quais líder de mercado, com mais de 17.000 títulos disponíveis), uma representante de uma editora portuguesa - A Boca -, e moderação de João Morales, editor da revista “Os meus livros”. Este fim-de-semana abre-se o Expresso e a capa do suplemento Actual fala em... acertaram! Audiolivros!A sessão do Goethe – única que se presenciou –, foi excelente. A Der Hörverlag ofereceu audiolivros em inglês – belíssimos, da BBC Audio –, e o adrian trouxe para casa uma colectânea de poemas de Dylan Thomas pela voz de Richard Burton, o “The Hobbit”, do Tolkien e uma gravação das aventuras do Super-Homem com uma produção arrepiante, em termos de efeitos sonoros.
Dos palestrantes retiraram-se dados interessantes: em 2002 a idade média do consumidor de audiolivros, na Alemanha, tinha 25 anos (se bem que esta faixa etária se tenha vindo a elevar); o interface com as novas tecnologias cria grande apetência para o consumo do audiolivro por parte de adolescentes e jovens adultos (a possibilidade de download do conteúdo, em formato MP3 e em detrimento da compra do CD, agiliza a aquisição e reduz o preço); o facto de se ouvir a história remete o indivíduo - mesmo que inconscientemente -, para a leitura em voz alta, na infância, transmitindo uma sensação de relaxamento e conforto; muitas das aquisições de audiolivros em formato CD, feitas por adolescentes, são-no porque os mesmos os encontram em lojas de música; o consumidor de audiolivros é jovem e dinâmico e a imagem que o produto audiolivro transmite é moderna; a falta de tempo e a necessidade de o rentabilizar ao máximo é campo fértil para o audiolivro, que permite o acesso à literatura no autocarro, no comboio, no metro, na deslocação a pé; a Associação de Livreiros Alemã divulgou dados que revelam que 30% dos jovens que adquiriram audiolivros afirmaram que também os seus hábitos de leitura cresceram; ouvir audiolivros colmata o excesso de apelos visuais a que actualmente a sociedade está sujeita; um último dado, interessante, foi o de já se realizarem sessões públicas de audição, com 1200 pessoas – muitas delas jovens -, em praças no centro das cidades.
O adrian reflete enquanto lhe passam pela cabeça as imagens do dia-a-dia actual, em que todo o adolescente e jovem adulto anda com uns fios ligados à cabeça. E, se em vez de música, estiverem a ouvir a Tabacaria?
Provérbios, adolescentes e outras borbulhas
Comunicação disponível no E-LIS, para quem a quiser usar, assim lhe ache relevância e interesse. Apenas se pede o básico: menção de autoria.
Beira Alta...
Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Internet versus Televisão
Mais motivos para o reforço da presença on-line das bibliotecas públicas, para o incremento da formação de utilizadores em TIC’s e para se multiplicarem iniciativas semelhantes ao OIC.
Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
OIC… e não, não é um porco :-)

As competências no âmbito da literacia da informação incrementam o sentido crítico, permitindo saber o que usar, quando usar e como usar, no que concerne à recuperação de conteúdos relevantes. Tal aplica-se ao texto impresso mas – e acima de tudo – à utilização da Internet.
No sentido de pôr à prova as capacidades de busca, escolha e apreciação da informação no espaço virtual, o OIC desafia os jovens utilizadores das BMO’s. Frente-a-frente estão duas equipas – num total de 56 –, que respondem a perguntas de cultura geral, utilizando a World Wide Web. São 14 horas de animação, que correspondem a cinco desafios eliminatórios. O encerramento, à noite, conta com a apresentação/animação de Jorge Serafim – humorista e contador de histórias – e decidirá qual a equipa vencedora, que leva para casa dois computadores portáteis. Bom incentivo, não?
O adrian aplaude a iniciativa, nomeadamente: a política de parcerias com empresas privadas – DELL, Sapo e Bulhosa –, que complementa o apoio institucional; o excelente espectáculo de ver os finalistas em palco e os esforços que desenvolvem para responderem às perguntas (tudo isto projectado na tela do auditório, em tempo real); e a criação de um evento que traz os adolescentes e jovens adultos à biblioteca, permitindo a promoção dos serviços prestados. Bem esgalhado!
A bem do incremento da literacia da informação que, cada vez mais, passa pela Internet, esta é uma iniciativa a não perder. Próximo dia 24, das 10H às 24H, na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007
Printz
Michael Printz, bibliotecário escolar, dedicou a sua vida a escolher o livro certo para o aluno certo, na hora certa. Integrou a equipa da YALSA e dois comités de selecção de obras: o Best Books for Young Adults e o Margaret A. Edwards Award (falar-se-á destes galardões em breve). Fruto de uma política de público reconhecimento, atribuiu-se o seu nome a um prémio anual que promove livros de elevado mérito e excelência, no que a literatura para jovens adultos diz respeito.Do Printz Award de 2005 saiu a obra de Meg Rosoff, Em nome do amor. A autora nasceu nos EUA e formou-se em língua inglesa pela Universidade de Harvard. Vive desde ’89 em Inglaterra, trabalhando em edição e publicidade. O título tem já garantida a adaptação à caixa que mudou o mundo… ou caixote, dependerá dos afectos à mesma (eu mantenho uma relação de amor/ódio :-)
Do enredo se revela que Daisy – com quinze anos e nova-iorquina de gema – passa as férias de Verão numa quinta de familiares, no interior de Inglaterra. Aquela atmosfera rural – desconhecida, encantada, um tanto ou quanto medieva –, desperta-a para o primeiro amor, consequente dor e afectos de coração. O convívio com a tia e primos que não conhece, a guerra que entretanto se instala no país, o facto de terem de depender uns nuns outros para sobreviverem, a linguagem tão simples quanto desarmante, tudo isto contribuiu para a atribuição do Branford Boase Award de 2005 e do Guardian Children's Fiction Prize de 2004 (para além do Printz).
Mais uma obra de aproximação a uma literatura mais “jovem adulta”. Pelo menos cá pelo rectângulo está catalogada no sector de adultos e a capa não tem um traço pueril com a intenção de querer agradar aos 15-16 anos, logo… recomenda-se!
ROSOFF, Meg. Em nome do amor. Lisboa : Presença, 2006. 176 p. (Grandes narrativas ; 324). ISBN 972-2335-88-X.
Sábado, 3 de Novembro de 2007
Os bons exemplos
Isabel Alçada, comissária do PNL, em entrevista à revista Os meus livros - e a propósito de se olharem os bons exemplos e práticas que vêm de fora -, afirmou:“o Reino Unido, tem um programa de desenvolvimento da leitura que está muito bem estruturado e que já tem resultados. É muito diferente mas deu-nos informação para pensar quais são as orientações que funcionam na relação com as escolas e com as bibliotecas. Outro país, que poderá parecer estranho, mas que nos deu também muita informação, foi a Austrália. Parece longínquo mas na verdade está à mesma distância que Almada, do meu gabinete. Está à distância da internet e do telefone. Outros países que estão a trabalhar muito bem são a Finlândia, o Canadá. Os EUA têm uma acção extraordinária e muito diversificada com muitos modelos diferentes”.
Aplaude-se a franqueza e, acima de tudo, a lógica de raciocínio. O adrian tem defendido a adopção de estratégias utilizadas noutros países e que podem sempre ser adaptadas à nossa realidade. Esta postura parece particularmente relevante quando, no que a adolescentes e jovens adultos diz respeito, há muito que outras nações já começaram a empreender um esforço que, por cá, é ainda imberbe. Aproveite-se, portanto, esse saber de experiência feito.
As recomendações de leitura para o 3º ciclo (nomeadamente as do 9º ano) foram um passo importante, a exemplo do SOL da Fundação Germán Sánchez Ruipérez, dos Alex Awards da Yalsa, entre outros. Mas, talvez ainda se podessem encetar mais iniciativas, nomeadamente para outras idades. É preciso não esquecer a faixa etária que se estende desde o início do secundário até ao final do ensino superior e em que, supostamente, se retoma o gosto pela leitura (ver aqui). A Fundação Bertellsmann está a trabalhar nesse pressuposto, ao acompanhar os jovens desde o final da escolaridade obrigatória até ao momento em que se pretendem inserir no mercado laboral (16-25 anos). Ao adrian, parece-lhe bem.
P.S. – A propósito da entrevista, sugere-se leitura integral. Aqui fica a referência: AVILLEZ, Filipe – “Ler mais e melhor”. Os meus livros. Nº 56 (Out. 2007), p.44-46.
Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Psicologia Musical
Nem só de livros e leituras vivem as bibliotecas. Aliás, deve-se facilitar o acesso às diferentes formas de expressão cultural das manifestações artísticas, segundo o Manifesto da Unesco para as BP’s. A música revela, assim, particular importância para a manutenção de uma colecção apelativa a adolescentes e jovens adultos. No número de Junho da Psicologia Actual encontra-se um interessante artigo de Mariana Pessoa, a propósito de psicologia musical:“A adesão a um estilo musical específico é típica da adolescência. Há, inclusive, características externas que os adolescentes expressam no sentido de demarcar a sua pertença a esses grupos e subculturas (…) um determinado estilo musical pode influenciar comportamentos, especialmente nos adolescentes, tendo um papel modelador de atitudes sociais (…) tendo em conta a importância que a música tem para os jovens ao expressarem uma preferência por um estilo de música, os adolescentes enviam explicitamente uma mensagem que implica um determinado leque de atitudes, valores e opiniões.”
Estima-se que, por exemplo, os jovens americanos ouçam uma média de 3 a 4 horas de música por dia. Considerando os efeitos da globalização, os jovens portugueses não fugirão muito a estes indicadores. Em 2003, Jean-François Hersent divulgava dados relativos às práticas culturais dos adolescentes franceses: 80% tinham um equipamento portátil (walkman, discman) e 94% discutiam regularmente os seus gostos musicais com os amigos. Fugir a estes indicadores é ignorar os gostos e preferências do público para o qual trabalhamos e, consequentemente, afastá-los das bibliotecas públicas.
E como fazer a ponte, se a promoção da leitura é o principal objectivo?
Talvez se os adolescentes souberem que Radiohead, Tool, David Bowie, The Cure, U2, The Doors, Iron Maiden, Pearl Jam, Greenday, Coldplay, Franz Ferdinand, Incubus, entre outros, têm álbuns e músicas baseadas em obras literárias, as coisas mudem um pouco (ver aqui). Quiçá se conhecerem o último CD de Carla Bruni – No Promises –, que canta poemas de W.B.Yeats, W.H.Auden, Emily Dickinson, Walter de La Mare, Christina Rosetti e Dorothy Parker, a poesia tenha outra sonoridade. Saberão os jovens adultos que boa parte das letras dos Gaiteiros de Lisboa foram retiradas de cancioneiros tradicionais? E que as novas vozes do Fado cantam O´Neill, Pessoa, Florbela Espanca, Antero de Quental, David Mourão-Ferreira ou António Lobo Antunes? Se calhar não sabem. E se souberem?
P.S. – Sugere-se leitura do artigo mencionado e, já agora, da revista, em que os contributos sobre a adolescência e juventude são particularmente relevantes. Aqui fica a referência: PESSOA, Mariana – “Diz-me o que ouves…”. Psicologia actual. N.º 14 (2007), p. 94-99.
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
O livro errado
O estudo A Leitura em Portugal, da responsabilidade do Observatório das Actividades Culturais no âmbito do PNL, devolve a seguinte conclusão: os frequentadores de bibliotecas rondam 1,3 milhões, sendo a grande maioria estudantes do ensino médio e superior, com idade compreendida entre os 15 e os 24 anos.Não deixa de ser curioso que, em 2001, Ana Mocuixe Moura(1) tenha chegado a conclusões semelhantes, analisando a Biblioteca Municipal de Oeiras: 60% dos utilizadores tinham idades compreendidas entre os 18 e 25 anos e 14% pertenciam à faixa etária 0-18 anos, sendo as obras consultadas, à altura, as seguintes e com os rácios correspondentes:
28,9% - monografias técnico-profissionais;
Conclui-se o óbvio: os jovens faziam (e continuam a fazer) uma utilização puramente instrumental da biblioteca pública. Dá jeito para estudar, é sossegada, tem net à borla, logo… está-se bem!
E nós? Cumprimos a nossa função, proporcionando-lhes essas condições. E também se está bem… ou mais ou menos bem. E porquê? Porque somos péssimos vendedores de ideias, de conceitos. A promoção da leitura é o nosso mister, temos o público-alvo à mão de semear, e ele foge-nos por entre os dedos.
Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Vinte e Nove
O adrian estava à espera da publicação dos estudos apresentados na I Conferência PNL. Mas, entretanto, o destaque do Público de hoje vai para um destes estudos - Hábitos de leitura da população escolar, de Mário Lage - e já se podem tirar umas ilações:29 é o número mágico:
Equivale à percentagem de alunos do secundário que dizem gostar muito de ler, sendo que, destes, 5 por cento dizem ser viciados na leitura (ena, tantos, quase trinta por cento, cuidado! não vá esta malta ensandecer de vez com tanta leitura);
Corresponde à percentagem, no 3º ciclo, dos que gostam pouco ou nada de ler. Três quartos não leram outros livros senão os escolares (ai, Jesus!).
O Hábitos de leitura da população portuguesa, de Maria de Lourdes Lima dos Santos, devolve-nos a cifra de 50,6%, que corresponde ao número de pais que afirma, sem pudor, que os seus filhos nunca entraram numa biblioteca pública. Dizem que os miúdos têm outras formas de aceder aos livros (que progenitores eruditos!).
Em conclusão, as boas notícias não são boas notícias: há 71 por cento de trabalho à espera no que aos 15-18 anos diz respeito, portanto despachem-se a ler este post; mais 75 por cento de esforço no que aos 12-14 concerne, logo este blog fecha para obras. E mais 50 por cento de labuta a convencer pais e encarregados de educação (a maior parte deles mentirosos retintos) a trazerem os miúdos à biblioteca.
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
Graffiti
Mais uma daquelas notícias de fazer corar os Velhos do Restelo (e os novos, que também os há): na mesma linha do post anterior, e inserido também no projecto Love Libraries, a Birmingham Central Library juntou jovens desfavorecidos e um artista local e criou o projecto Urban Art. Como funciona? É fácil: perdem-se os pudores e graffitam-se algumas das paredes da biblioteca, com inspiração nos serviços prestados. Para além do resultado que se pode ver nas imagens, cita-se:“With the support of a local artist, the group has used their artistic talents to transform two grey concrete walls at the rear of the library into a welcoming graffiti display to attract more young people inside. The group was inspired by library services – books and story characters, magazines, membership cards and computers with free internet access to produce a vibrant display of urban art, which can be enjoyed by all who walk past.”
“Great idea of Birmingham Central Library to put art on the wall outside, which got us into the library! Really good work and most importantly, the youngsters really felt a connection.”
Recordam a definição de empatia? Então procurem aqui.
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Get it Loud!
A Biblioteca de Lancaster - no Reino Unido - queria fazer algo que atraisse públicos jovens, e não esteve com meias medidas: o Get it Loud! juntou bandas na sala de leitura, com direito a palco, PA e tudo o mais que implica um concerto ao vivo. Resultado: ganhou o Love Libraries Award 2007 e deu a conhecer os seus serviços a adolescentes que nunca tinham entrado pela porta dentro. Leiam-se as palavras do bibliotecário Stewart Parsons:“The essence of Get It Loud in Libraries is simply to give young people, especially teenagers who love music, a fabulous time in a library and put them in the right frame of mind to use libraries again whether it’s for novels, music, internet, quiet time, whatever. (…) Get It Loud in Libraries offers modern, up to the minute excitement on teenager’s terms in a safe, feel good environment.”
Ou seja, agrada a pais, filhos e bibliotecários: quem disse que esta era uma equação impossível? ‘Bora lá aproveitar essas bandas de garagem!
Um último pormenor, hilariante: a banda da fotografia chama-se... Harry and the Potters! :-)
Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
pRegunte
A procura do termo empatia, no dicionário, poderá devolver o seguinte:de em + Gr. páthos, estado de alma
s. f.,
capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.
Quarenta e uma bibliotecas espanholas, com o apoio da Dirección General del Libro, Archivos y Bibliotecas (Subdirección General de Coordinación Bibliotecaria) já absorveram o conceito, tendo criado uma página web de referência on-line: Pregunte: las bibliotecas responden.
Agora, a reflexão do adrian: 41 bibliotecas espanholas a assegurarem o serviço a mais de 44 milhões e meio de habitantes dá, aproximadamente, 1.085.000 hermanos por cada uma. Em Portugal, dos 308 concelhos existentes, 261 integram a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e 157 abriram já ao público as suas Bibliotecas Municipais (DGLB). Considerando que somos 10 milhões, não se arranjam para aí umas… digamos… 10 bibliotecas (para o rácio não fugir muito, senão saltam já para cima do adrian os Saramagos todos, com a bandeira do iberismo desfraldada), dispostas a levarem semelhante tarefa a cabo? Cinco semanas a cada uma por ano? A DGLB, não poderia promover a iniciativa e congregar esforços?
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Ferramentas
O adrian abre a caixa e tira de lá uma ferramenta bastante útil na tarefa de empreender actividades de promoção de leitura para adolescentes.Formar leitores: das teorias às práticas é um título sob a coordenação de Fernando Azevedo (Professor Auxiliar e Coordenador no Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança - Universidade do Minho). A obra apresenta interessantes contributos, propostas e referências bibliográficas, resultantes do cruzamento interdisciplinar de diferentes autores (professores, educadores, bibliotecários). Destaca-se:
Construir e Consolidar Comunidades Leitoras em Contextos Não Escolares, de Fernando Azevedo, que explana o porquê de ler e o que ler, como motivar para a leitura, as comunidades leitoras (sua construção e consolidação) e um excelente remate, utilizando uma citação de Barreto Nunes, óptima para quem ainda não achou o norte;
A promoção da leitura em público e da discussão pública da leitura: o promissor caso da Biblioteca Pública de Évora, por Cláudia Sousa Pereira (Professora Auxiliar da Universidade de Évora). Relevantes, as regras a seguir para a criação de grupos de leitura com adolescentes, enumeradas pela autora, como o que se deve evitar e o que se poderá pedir dos participantes.
Apenas uma contrariedade: a capa. Mas, é pormenor de somenos.
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Oeste
Ocasionalmente, o adrian apresenta um ou outro assunto mais fora de contexto. Assim, e porque aos amigos são para as ocasiões e o tema é bastante pertinente, aqui fica a notícia do 2º Encontro de Bibliotecas do Oeste, subordinado ao tema: “A Qualidade e as Bibliotecas na Sociedade do Conhecimento”. Na Lourinhã, a 22 deste mês. Mais informações aqui.Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
I want my MTV
A MTV tem um canal específico para as universidades e colégios norte-americanos. Dá pelo nome de mtvU e é difundida em mais de 750 estabelecimentos de ensino. Pois este canal atribuiu pela primeira vez o galardão de poeta do ano. O escolhido foi John Ashbery, um escritor norte-americano com 80 anos e que se auto-define como um poeta surrealista cuja poesia desafia a própria lógica do surrealismo. Ashbery ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar em matéria de prémios literários nos E.U.A., inclusive o MacArthur Foundation e Guggenheim fellowships e o Pulitzer de 1976 pela sua obra Self-Portrait in a Convex Mirror. Conclusão: entre vídeos da Shakira, dos Greenday, Foo Fighters e outros, temos seis clipes de um minuto cada com poemas do autor. Mas, afinal, porquê esta estranha promiscuidade (será estranha? E não será cumplicidade)? É que a mtvU está a apoiar o National Poetry Series, um concurso de poesia para jovens que frequentem o ensino superior, cujo júri será Yusef Komunyakaa (Pulitzer de 1997). O prémio para o vencedor? Um contrato com a HarperCollins para edição da obra. Chega, não chega?O adrian acaba de escrever e pensa: que tal a Antena3? Ou a MTV Portugal? O canal 2? A RTP1 ou a SIC (ao fim e ao cabo, há concursos para jovens cantores, porque não para jovens escritores)? Um Saramago como júri? Talvez um Lobo Antunes? Pronto, um Peixoto, um Ondjaki. Mais umas editoras cá do burgo. Poderia ser prosa. Ou poesia. Poderia...
Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Persépolis
Mais uma sugestão de leitura. As renitências em mencionar este livro tinham – e têm, infelizmente –, razão de ser: a Polvo, editora do vol. 1, deixou de dar sinais de vida e a obra ficou a meio. No entanto, o exemplar impresso vale bem a recomendação e é uma história per si. Para adolescentes e jovens entre os 14 e os 19 anos, este Persépolis tem um curriculum impressionante:- Angoulême Coup de Coeur Award, 2001;
- Angoulême Prize for Scenario, 2002 (vol. 2);
- YALSA Alex Award, 2004;
- Great Graphic Novel YALSA, 2006;
- Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes, 2007 (adaptação a cinema de animação);
- Candidato a Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares, 2008 (por França).
É retratada a vida da autora e seu crescimento durante a revolução islâmica no Irão. Marjane – uma menina inteligente e destemida –, assiste à destituição do Xá e à tomada do poder pelos fundamentalistas, vê as consequentes prisões de milhares de pessoas, sofre pelo uso forçado do véu, apercebe-se da execução do tio, presencia as bombas a caírem em Teerão durante a guerra Irão/Iraque. Tudo isto representado num traço simples, a preto e branco, que torna ainda mais pungente a história. Afigura-se ideal para um debate sério num grupo de leitores adolescentes, acerca do papel da mulher no Médio Oriente, as restrições às liberdades individuais e outros temas, infelizmente ainda tão actuais.
A autora nasceu em 1969 em Teerão e, após o liceu, viveu em Viena e França, onde iniciou e desenvolve a sua actividade em banda desenhada.
Uma nota do adrian: 13 de Outubro, no Cinema S. Jorge, integrado no Festival do Cinema Francês, Persépolis terá a sua ante-estreia. Para que se tenha a noção da dimensão da obra, a exibição em Cannes provocou a seguinte reacção: o filme terminou, os espectadores levantaram-se e aplaudiram durante 15 minutos, ininterruptamente. Deve valer a pena, não acham?
SATRAPI, Marjane – Persépolis 1. Lisboa : Polvo, 2003. 75 p. (Prontuário ; 14). ISBN 972-8440-54-5.
P.S. – Um abraço ao Batman, pelas dicas e empréstimo da obra.
Domingo, 23 de Setembro de 2007
Dores de Cabeça
Mais cedo ou mais tarde o adrian irá abordar as competências exigidas ao profissional de biblioteca e documentação, quando o que está em causa são públicos adolescentes e jovens adultos. Mas entretanto, e porque vão surgindo informações nas navegações errantes sobre o tema, aqui fica este “Pain in the Brain: Teen Library Behavior 101”, da autoria de Beth Gallaway, bibliotecária americana.
São cinco páginas de documentação on-line em que se disserta sobre:
- o porquê de os adolescentes agirem como agem e as eventuais razões para o seu comportamento desestabilizador;
- as regras a cumprir e sua aplicação e percepção;
- dicas acerca de disciplina nas salas de leitura;
- conselhos para profissionais;
- sugestões para a eventualidade – sempre complexa – de terem de ser chamados à atenção (o adrian discorda de algumas, concorda com outras).
Relevante no artigo será a sua apresentação sumária e inequívoca, o que leva a que os pontos de vista da autora nos permitam a concordância ou não, servindo assim – e, pelo menos –, de ponto de partida para a reflexão e eventual discussão. Aliás, o mesmo já havia sido defendido aqui, em relação às orientações da IFLA. Vale a pena a visita.
foto aqui
Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
Kick Into Reading
Passaram duas semanas sobre o Celebridades, post aqui colocado e que versava sobre as virtudes de figuras públicas darem a cara pela promoção da leitura. Nos comentários a esse apontamento gerou-se um debate pertinente sobre a eventualidade de determinado jogador de futebol - no caso, o Cristiano Ronaldo -, ser uma das personalidades a incitar os jovens a ler. O adrian investigou um pouco mais a relação futebol e promoção da leitura e encontrou este KIR (Kick into reading), na página web do National Literacy Trust, organização não-governamental inglesa.Em poucas palavras, o KIR é uma actividade conjunta do Arts Council England e da Professional Footballer's Association. Um contador de histórias profissional dá formação a treinadores e jogadores de futebol e estes fazem sessões de leitura nas bibliotecas. Entre os clubes encontram-se o Manchester United, o Liverpool, o Nottingham Forest, o Queens Park Rangers, entre outros. Este projecto contempla também os cartazes que se vêm a ilustrar este post (em cima Alan Smith e Ashley Cole e, em baixo, Rio Ferdinand e David James). Destaca-se:
"The project kick into reading does exactly what it says on the tin. It opens young people up to the joy of reading. What makes it so effective is that it shows the boys and girls that their local football heroes are interested in this activity, and more importantly that footballers’ read as part of their daily lives. It gives the young people a message that sport and literacy work hand in hand and demystifies their belief that the two topics are opposing forces."
O adrian não sabe se os jogadores convidados (quer para as leituras quer para figurarem nos cartazes) lêem mais ou menos que o Cristiano Ronaldo. Aliás, o adrian nem sabe se o Cristiano Ronaldo lê. Mas sigam este link para o relatório de avaliação do projecto. Os resultados são surpreendentes.
P.S. - Já agora, aqui está um projecto ainda mais actual e na mesma linha: Premier League Reading Stars. Mas o adrian está farto de falar de bola... derivado da situação ;-)
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
A Magia de Ler
Se ler sobre o acto de ler pode ser algo redundante, tal esfuma-se na delícia que é este A Magia de Ler. Muitos livros serão tecnicamente mais relevantes, mas… este é um manual de prestidigitação - Cesariny dixit. Cita-se:
“Este livro é uma introdução poética, científica e prática à leitura. (…) Mas é, acima de tudo, um livro de magia. (…) Mistura, pois, receitas e conselhos para conseguir encantamentos prodigiosos. Os que dividem a magia em branca e preta estão enganados. Esquecem que a magia mais poderosa e magnífica é a do preto sobre o branco. A escrita, e a leitura, claro, que é o seu complemento.”
Os autores são outro fenómeno. Escrevem sobre a leitura um filósofo e uma jurista: José António Marina, galardoado com o Prémio Anagrama de Ensayo, Prémio Nacional de Ensayo e o Prémio Giner de los Ríos de Innovación Educativa; e Maria de la Válgoma, professora titular de Direito Civil na Universidad Complutense de Madrid, uma entusiasta da educação fascinada pela literatura e que escreveu, com José Antonio Marina, La lucha por la dignidad, Prémio Juan de Borbón para o melhor livro do ano.
Dividida em sugestivos capítulos como a magia da leitura, os enigmas do desejo e apelo a uma conspiração de leitores, e polvilhada de pequenas histórias e citações sobre o livro e a leitura, esta é uma obra para pais, professores do básico ao secundário, bibliotecários e leitores curiosos.
No que a adolescentes concerne, destaca-se a frase:
“A imensa maioria dos livros que trata da animação da leitura refere-se à etapa infantil. É como se as matemáticas se esgotassem com a aprendizagem da soma.”
O adrian gostou, subscreve e recomenda!
MARINA, José Antonio ; VÁLGONA, María de la – A magia de ler. Porto : Ambar, 2007. 133 p. (Enciclopédia moderna ; 15. Série estudos literários). ISBN 978-972-43-1169-2.
foto aqui
Domingo, 9 de Setembro de 2007
Santa Inquirição
A ALA realizou este ano o primeiro Gaming, Learning, and Libraries Symposium. Se a inclusão do gaming associado às bibliotecas poderá parecer estranha, talvez a leitura desta recensão traga alguma luz ao assunto... e que cada um faça o seu juízo. “I use Wikipedia a lot. I know you’re supposed to trust the sites that have a .gov or .edu extension, but who are you gonna trust? The government or the people?”
Estivesse por cá o Fernando Pessa e diria: e esta, hein?
P.S. – o seu a seu dono: ver bibliotecário 2.0. Bem-haja, Júlio.
Sábado, 8 de Setembro de 2007
Leitores pobres, pobres leitores?
Comunicação apresentada na 14ª European Conference on Reading - Literacy without Boundaries - Zagreb, Croatia, 2005 por Zofia Zasacka, do Books and Reading Institute da Biblioteca Nacional Polaca, este The image of the adolescent reader procura definir quem é o leitor adolescente na Polónia e quais os seus hábitos de leitura. Com uma amostra de 1396 estudantes a concluírem a escolaridade obrigatória (15-16 anos), Zofia analisa as práticas e tipos de leitura e atitudes face à mesma, criando também tipologias de leitores.Num inglês nem sempre perfeito mas que não impede a compreensão das ideias da autora, o que o adrian achou particularmente interessante neste estudo foi a correlação entre nível socio-económico e hábitos de leitura. Sendo uma verdade de la Palisse, mais uma vez se comprova a inquietante relação causa/efeito entre quem é do campo e quem é da cidade, quem é filho de pais com instrução superior e quem provém de famílias de trabalhadores rurais, e respectivo reflexo nas práticas de leitura. As conclusões vêm, mais uma vez, reforçar o emanado pelo Manifesto da Unesco para as Bibliotecas Públicas, validar a sua actualidade e pertinência das suas intenções. A biblioteca pública - sem empréstimo pago e acessível a todos de igual forma - é trave-mestra de uma sociedade mais justa, mais culta e melhor informada!
P.S. – Comunicação encontrada via Littera – Associação Portuguesa para a Literacia –, do qual se recomenda visita e, já agora, filiação. A causa é justa!
Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
Celebridades
Se a adolescência fica marcada pela busca da identidade única de cada indivíduo, é normal que essa procura se baseie em pontos de referência. Bastas vezes, a escolha recai sobre os ídolos, as celebridades, as figuras do desporto, música e entretenimento que representam sonhos, ambições e projecções futuras. Servem esses indivíduos como modelos de comportamento que se procuram imitar, constituindo-se como opinion-makers da faixa etária entre os 13 e os 20 anos. Ciente desta realidade a YALSA concebeu os Celebrity Read Posters: uma mensagem de incentivo à leitura, veiculada sob a forma de cartazes, em edição inglesa e castelhana (para atingir a população hispânica), e em que se encontram figuras como Orlando Bloom, Sean Connery, Stephen Hawking, Yo-Yo Ma, Shaquille O’Neal, Bill Gates, Enrique Iglesias, Denzel Washington, Salma Hayek, LL Cool J, William Macy, Serena Williams, Ice Cube, Missy Elliot, Ethan Hawke, Colin Farrell, Bernie Mac, Alan Rickman, Hilary Swank e o Departamento de Bombeiros de Nova Iorque.Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
Futebol & Literatura?
Misturar futebol e literatura, que tal? O apelo da Selecção Nacional, as epopeias de 2004 e 2006, o Ricardo a defender sem luvas e a mandar os bifes para a terra deles, chega?Mais um conselho do Plano Nacional de Leitura para o 3º ciclo, este O futebol e a vida: do Euro 2004 ao Mundial 2006: crónicas tem tudo para apelar ao adolescente e jovem adulto sem hábitos de leitura. E porquê? Porque poderá ir ao encontro dos seus interesses mais consolidados – a saber, o futebol e a selecção nacional - e despertar a atenção. Até a capa ajuda. E quem sabe se o pai, habituado apenas ao pasquim desportivo, não lhe põe os olhos em cima e não sente, também, alguma curiosidade? Eram dois coelhos numa cajadada só. E como nunca sabemos se atrás de um livro vem outro: é que, às vezes, a literatura é como as cerejas...
ALEGRE, Manuel. O futebol e a vida : do Euro 2004 ao Mundial 2006 : crónicas. Lisboa : Dom Quixote, 2006.
Sábado, 18 de Agosto de 2007
Chiu!
Como aqui se fala de aja’s (adolescentes e jovens adultos) e bibliotecas, este assunto não poderia ser mais premente. Um artigo fantástico, publicado no Bulletin des Bibliothèques de France, da autoria de Marielle de Miribel, acerca do barulho – “Chut! Vous Faites trop de bruit!”: Quel silence en bibliothèque aujourd’hui?.O barulho e o sentirmo-nos incomodados por ele depende sempre de uma avaliação subjectiva: será possível estabelecer uma norma relativa ao ruído? De acordo com que parâmetros? O que é silêncio para uns não será barulho para outros? Analisa-se, então, as fontes do ruído, desde a actividade humana à actividade biblioteconómica, passando pelas conversas dos leitores. Não se deverá partir do princípio “como minimizar o barulho fruto da actividade humana”, em detrimento de “como fazer para que as pessoas não façam barulho”?
Após todas estas hipóteses, parte a autora para a acção: aconselha situações de flexibilidade, nomeadamente na utilização de telemóveis, avançando depois para a intervenção a nível estrutural, indicando materiais mais adequados à absorção do ruído, em detrimento de outros que o reflectem e difundem. Disserta também acerca da necessidade de evitar superfícies lisas e contínuas, pois estas facilitam a ressonância, nomeadamente de piso para piso; aborda então as questões de isolamento do chão, das paredes, dos tectos, das zonas comuns e das mezzanines.
Como todas as soluções supracitadas são consideradas essencialmente em fase de construção da biblioteca, a segunda parte do trabalho é particularmente importante (remediar o que já nasceu torto). Assim, as ligações entre luminosidade, materiais frios, cores frias, disposição de mobiliário e suas influências ao nível de ruído são também referidas. Constata-se que as zonas amplas não são motivo para a propagação do som, desde que o mobiliário seja usado de forma racional. Também o cruzar de olhares é estudado, sendo que o mesmo favorece o relacionamento interpessoal nas salas de leitura. Apresentam-se, pois, soluções de disposição de mobiliário para evitar as conversas informais nesse espaço e outras que, utilizando as estantes, permitem criar zonas estanques. Por último, referem-se formas de intervir na tomada de consciência colectiva, nomeadamente campanhas publicitárias a apelar ao bom senso dos utilizadores.
O adrian gostou e aconselha. Fruto de gráficos elucidativos e de uma linguagem escorreita, são 13 páginas sem ruído, em que tudo é mais-valia! A bem da nossa relação com este público tão específico que servimos.
foto aqui
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
CUBIT
Esteve quase para ser um centro comercial, mas os nossos vizinhos do lado decidiram-se em dar-lhe melhor destino: uma biblioteca para jovens dos 16 aos 25 anos. A CUBIT vai ocupar as instalações da antiga refinaria de açúcar de Saragoça. Com o apoio de três entidades (Fundación Bertelsmann, Caja de Ahorros de la Inmaculada de Aragón e Ayuntamiento de Saragoça) e a vontade política da Junta de Aragão (que já tinha previsto, no seu programa eleitoral de 2003, uma biblioteca deste género), a CUBIT vai dispor de 4200 metros quadrados. A biblioteca ocupará um enorme cubo de vidro – daí o nome – dentro das instalações da antiga fábrica, sendo a restante área destinada a um espaço jovem da responsabilidade do Ayuntamiento, que contará com áreas de criação artística, oficinas e salas de exposições.A biblioteca propriamente dita terá uma proporção de 50/50, entre documentos impressos e suportes digitais (cd´s, dvd´s e áudio livros). Contará, obviamente, com acesso à Internet, actividades destinadas à faixa etária 16-25 anos e equipas de profissionais com formação específica. Partilhará os catálogos da rede de bibliotecas municipais e a música, a banda desenhada e todos os meios de expressão audiovisual serão privilegiados. A selecção da colecção e dos serviços prestados contou com a participação dos jovens de Saragoça, através da campanha “Como te gustaría que fuese CUBIT?”. Em 60 pontos da cidade foram colocados questionários para que os jovens dessem as suas sugestões sobre o tipo de livros, estilos de música, filmes, revistas, jogos de vídeo, actividades e modo geral de funcionamento que gostariam de ver na biblioteca. Foram recebidos milhares de questionários e, para incentivar a participação, sortearam-se prémios entre os participantes.
A CUBIT é inspirada em projectos semelhantes que a Fundación Bertellsman já tinha levado a cabo em Dresden (Alemanha) e Breslau e Allenstein (Polónia).
Ora, em resumo: 4200 metros quadrados de biblioteca, destinada a jovens, numa cidade que, na devida proporção, será o equivalente a uma capital de distrito do nosso Portugal; nasce fruto de uma promessa eleitoral de 2003 que – imagine-se – é cumprida; é escolhida em detrimento de um anterior projecto que lhe dava como destino um centro comercial, portanto, foge à especulação imobiliária… Estes espanhóis estão loucos!
Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
Passa a Palavra
No final do último post terminava-se, afirmando: “dispara-se tão pouco por estas bandas”. Reafirma-se a ideia. Mas há quem dispare, e bem! A Biblioteca Municipal do Seixal, com o apoio da Gulbenkian, criou este Passa a Palavra, que desenvolveu em parceria com seis escolas secundárias do concelho. Cita-se:“Grupos de jovens destas escolas reúnem-se regularmente em torno da leitura comum de obras de autores portugueses ou de expressão portuguesa que eles próprios seleccionaram.”
Dos objectivos do projecto:
“Aproximar o público jovem da leitura de obras de autores portugueses; promover o gosto e o prazer de ler junto de um grupo etário que, frequentemente, regista elevados índices de desinteresse e abandono pela prática da leitura; obter um efeito multiplicador, de uma iniciativa prevista 15 jovens por grupo através do potencial que o recurso de divulgação por contacto directo, rádio ou neste site; promover o encontro e o convívio entre os jovens e os autores ou personalidades convidadas para dinamizarem as sessões. O Projecto Passa a Palavra permite que os jovens tenham a oportunidade de afirmar as suas opiniões e fazer a diferença, passando a palavra e divulgando activamente o livro e a leitura.”
Do funcionamento:
“Ao longo de três meses, será, mensalmente, lida uma obra. Quinzenalmente, aos sábados, existirão encontros de leitura e debate orientados por um escritor, jornalista, ou outra personalidade, onde vai ser discutido o livro escolhido pelos participantes.”
O adrian ressalta alguns aspectos: a extraordinária mancha gráfica de todo o projecto – que se identifica perfeitamente com o público a atingir, nomeadamente o "traço" graffiti; os meios de divulgação utilizados – Internet e rádio – mais um tiro na mouche, pois são meios habitualmente utilizados por adolescentes; e, por último, a selecção de autores que, tal como aqui se vem defendendo, não se resigna aos habituais infanto-juvenis mas assume obras habitualmente dirigidas a públicos adultos, porém passíveis de serem apreendidas por jovens.
Parabéns, Seixal!
Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
! Atrapa a ese usuário !
Outro estudo, desta vez sob a forma de comunicação ao congresso IFLA 2005, em Oslo. A autora é Mònica Medina Blanes, da Biblioteca Bom Pastor - Consorcio de Bibliotecas de Barcelona. Assim, este !Atrapa a ese usuario! jóvenes y bibliotecas explana como se desenvolve a rede de bibliotecas municipais de Barcelona e quais os âmbitos de actuação (as bibliotecas como centros de informação, de formação, de integração sócio-cultural e de difusão cultural). Após este enquadramento aborda-se o problema habitual da perda de hábitos de leitura na adolescência e juventude – mais uma vez se comprova que é global –, e parte-se então para a descrição das políticas de captação e fidelização de públicos jovens. As bibliotecas de Barcelona organizam-se em centros de interesse, sendo que cada uma procura ter um fundo e actividades específicas para o público-alvo em análise: a Biblioteca Nou Barris dedica-se às artes circenses, a Vapor Vell à música urbana, a Les Corts-Miquel Llongueras ao desporto, a Xavier Benguerei ao cinema e a Ignasi Iglésias-Can Fabra à B.D. Para além disso existem também grupos de leitura juvenis, oficinas de narração, oficinas de adaptação de obras literárias a jogos e teatro e, por último, o Prémio Protagonista Joven, em que os adolescentes lêem uma selecção de livros e escolhem o que consideram melhor. Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Poetry Slam
Já ouviram falar? Então imaginem um espectáculo que funciona como um encontro e um torneio de poesia. Imaginem um espaço de democratização e liberdade na perfomance poética, nas suas mais variadas vertentes. Imaginem um local e um tempo em que se visualiza a ligação escritor/actor. O torneio implica a votação, sempre feita pelo público. Mas agora, o melhor: em Maio, na cidade de Dresden, nos intervalos das actuações que ocorreram no centro Scheune – o Livelyrix Poetry Slam –, o público era convidado a escrever os seus próprios poemas no telemóvel e a enviá-los via sms, para um ecrã enorme que estava no palco. Em apenas dois intervalos foram enviados 100 poemas. Como o anonimato era permitido, os mobile poets desinibiram-se. Diz-se que, para nos fazermos compreender, temos de falar a mesma linguagem. Para bom entendedor…Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
Mea Culpa? Nostra Culpa?
O INE indica-nos que, de entre a população portuguesa residente, os indivíduos entre os 15 e os 24 anos são, em total, 1 265 531. Se considerarmos que 10 599 095 é o total da população, então o número de adolescentes e jovens adultos (aja’s) corresponderá a 11.93% da população nacional residente. Então, a pergunta que aqui se faz é a seguinte: cada biblioteca pública dedica 11.93% dos seus recursos aos 11.93% da população que serve? Existe, em cada biblioteca pública, 11.93% do espaço, colecção, recursos humanos e actividades destinadas a estes 11.93% de público-alvo? Quando nos queixamos de os hábitos de leitura se perderem a partir da adolescência, devemos pensar. E pensar bem. O erro, não será nosso? Este post é inspirado num texto intitulado “A room (or shelf) of their own: teen spaces in public libraries”. A autora – Mary McCarthy –, faz o mesmo paralelo mas relativo ao Colorado (o que demonstra bem que este é um problema de abrangência global). Dos 600.000 habitantes deste estado norte-americano, 25% são adolescentes. Disserta então sobre a colecção, a decoração, o espaço e respectivas regras de funcionamento. Fá-lo de forma sucinta – duas páginas –, mas de forma suficientemente esclarecedora para nos pôr a pensar. Pelo menos aqui o adrian ficou.foto aqui
O Deus das Moscas
Uma grande obra, sugerida pelo Plano Nacional de Leitura, para o 3º ciclo: O Deus das Moscas, do Nobel William Golding.Um grupo de adolescentes dá por si numa ilha deserta, fruto de um desastre de avião. Diz o autor que “os rapazes tentam construir uma civilização na ilha; mas tudo termina em sangue e terror, porque eles sofrem de uma terrível doença, que é a de serem humanos. O tema é uma tentativa de descrever as falhas da sociedade, a partir dos defeitos da natureza humana. A moral da história é a de que a forma da sociedade depende da maturidade ética do indivíduo e não de um qualquer sistema político, mesmo aparentemente lógico e estável."
Há quem defenda que esta obra se deve destinar apenas a adolescentes a partir dos 16, 17 anos. Tal razão assenta no facto de, caso não se atinja a moral da história, o leitor apenas se focar na violência do enredo. Mas para isso existem os profissionais de biblioteca, que saberão aconselhar mediante quem tiverem à frente. O importante é que aqui está mais uma boa dica, mais um bom livro indicado pelo PNL. Aplausos!
GOLDING, William. O Deus das Moscas. Porto : Público, 2002.
Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Read for the fun of it
Este marcador de livros está à venda na loja on-line da ALA. O tom cómico, as razões absurdas e a mancha gráfica só podem causar duas reacções aos adolescentes: o espanto e a gargalhada. A outra reacção, eventualmente subliminar, será a de pegarem num livro. Vale o esforço e a tentativa? Vale, com certeza! Segue-se uma tradução livre e fica o desejo de ver materiais deste tipo nas bibliotecas portuguesas.10
Os livros não ficam entalados no aparelho dos dentes
09
Ler, ao contrário das aulas de Educação Física, não obriga a tomar um duche no fim
08
Ler não provoca acne
07
Ler ajuda-te a esquecer o que servem na cantina
06
As revistas não crasham
05
A banda desenhada e o mangá combinam com a tua roupa
04
Os livros são mais baratos que um jogo para a consola (e na biblioteca são à borla!)
03
Podes abafar a música foleira dos teus pais a ouvir um áudio livro
02
Vais aprender palavras que nem os teus professores conhecem
01
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
Remorso...
… por não ter, ainda, abordado o Plano Nacional de Leitura. É um esforço, e todos os esforços valem quando a causa é nobre. E esta não é nobre, é nobilíssima! Tal como os Alex Awards – que aqui se cita continuamente –, encontrei as orientações para leitura autónoma para o 3º ciclo. Destaco, da lista apresentada, um livro de contos, mas mais se seguirão, que há lá excelentes autores: Gao Xingjian é Nobel da Literatura – premiado em 2000 – e apresenta-nos Uma cana de pesca para o meu avô. Um livro de contos belíssimo, com seis histórias em que se aborda a infância, o amor, a amizade e os dramas do quotidiano. Se a adolescência é uma idade altamente emotiva, então este livro serve-lhe que nem uma luva. Acrescem duas mais-valias: está catalogado no sector de adultos – e como eles gostam de entrar nesta sala! – e a capa tem um look não-infantil – e isso diz-lhes muito mais do que aquilo que nós julgamos! Bem, bem, bem, muito bem esgalhado!!! Terça-feira, 24 de Julho de 2007
O menino de Kabul
A perspectiva que aqui se defende, baseada não só em recolhas e leituras, mas também na experiência própria enquanto adolescente (já por lá passamos todos), é a seguinte: os adolescentes não querem livros infanto-juvenis. O infanto remete para o passado, numa idade em que se olha é para o futuro. O adolescente quer ser adulto, o mais rapidamente possível! Faça-se, então, a ligação adolescente-adulto. Só assim se verá a satisfação de ter miúdos de 15 anos e carregados de acne a entrarem, triunfais, pela sala de leitura de ADULTOS e a seleccionarem, por exemplo, O menino de Cabul, de Khaled Hosseini (The kite runner, em título original). Título vencedor dos Alex Awards de 2004 (que afina pela mesma bitola aqui do Adrian no que a preferências de teens diz respeito) e mais um exemplo de que a literatura para adultos serve os adolescentes e facilmente os cativa para a leitura. Eles sabem para onde querem ir e – podem ter a certeza –, não guardam saudades de onde vieram. Deixo aqui a referência. Já agora, apreciem a beleza da imagem. É mesmo um menino, é mesmo o Afeganistão, e está mesmo a lançar um papagaio! O resto, o que o circunda, enfim…HOSSEINI, Khaled. O menino de Cabul. Lisboa : Relógio d´Água, 2005
Sábado, 21 de Julho de 2007
Surreal, este O’Neill
Se, há dois posts, se exortava à ligação literatura tradicional/adolescentes, agora o mote é outro: o surrealismo português nas letras, sendo O’Neill a personificação do género. O campo de aplicação é o mesmo – o grupo de leitores adolescentes –, e a ferramenta o excelente texto que se encontra na casa da leitura, da autoria de Carlos Nogueira: A poesia de recepção infantil e juvenil em Alexandre O’Neill. O autor é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas e mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde prepara o doutoramento em Literatura Portuguesa subordinado ao tema A Sátira na Poesia Portuguesa: Nicolau Tolentino, Guerra Junqueiro e Alexandre O ´Neill. É também colaborador do IELT.Se bem que este blog defende a separação – a bem de aplicações mais assertivas – do infantil do juvenil, pois então caberá a cada um fazer a destrinça, seleccionando o que lhe convém para os adolescentes e jovens adultos. Uma pista: associar, aos escritos de O’Neill e mencionados no texto de Nogueira – Velha fábula em bossa nova e Há palavras que nos beijam –, as músicas de Adriana Calcanhoto - Formiga bossa-nova - e de Mariza - Há palavras que nos beijam -, à semelhança das palavras cantadas, que já havia mencionado aqui no Adrian. É que, para além da literatura, também a música move montanhas… lembram-se do Live Aid? E, mais recentemente, do Live Earth?
Quinta-feira, 19 de Julho de 2007
EMPRÉSTIMO PAGO, NÃO!
Sai um pouco fora do âmbito mais específico aqui do pasquim, mas convém que todos falemos disto, tornando o assunto incontornável. E, melhor pensado, afecta-nos a todos! Aqui ficam os links de quem, melhor do que eu, está a abordar a questão. A minha posição é uma só: EMPRÉSTIMO PAGO NAS BIBLIOTECAS, NÃO!Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Cavaleiros, Princesas e afins
Aproveitando o sucesso actual de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e literaturas similares, porque não levarmos os nossos adolescentes a entrarem no mundo – também ele fantástico – do conto tradicional? Ferramentas? O livro Contos e lendas, de Maria Teresa Meireles. A autora é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, fez Mestrado em Literatura Medieval Comparada e Doutoramento em Literatura Tradicional e Oral. É membro do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional), da Universidade Nova de Lisboa. Tive o privilégio de assistir a uma formação por ela ministrada no Centro Oeiras a Ler, integrada no curso de verão Traz outras vozes também, sobre literatura tradicional. Foi uma experiência fantástica! Este Contos e lendas reza assim: “ (…) O prefácio fornece alguns conhecimentos básicos sobre conto popular e sobre a sua estrutura, bem como algumas informações pertinentes a propósito da literatura oral e tradicional (…). Cada conto possui várias propostas de trabalho (com diferentes graus de dificuldade) (…). Procurou-se fornecer linhas de leitura, abordagem, reflexão, comparação e análise diversificadas. Sempre que possível, foram propostas actividades conducentes a um enriquecimento vocabular e a um aperfeiçoamento das competências de leitura e escrita.”Pois é, excelente ferramenta para utilizar num grupo de leitores adolescentes, não vos parece? E já está feito! É só aproveitar, utilizar, aplicar, adaptar… aqui fica a referência bibliográfica:
MEIRELES, Maria Teresa. Contos e lendas: abordagem e reflexão: 10º ano. [Lisboa] : Vega Escolar, 1999
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007
A Panaceia
“Decido matar o tempo que falta até ser noite e ir ler para uma biblioteca. Desde pequeno que adoro passar horas e mais horas nas salas de leitura das bibliotecas, por isso, antes de vir para Takamatsu, tratei de reunir toda a informação acerca das bibliotecas que é possível encontrar no centro e à volta da cidade. Vendo bem, não existem muitos sítios por aí além onde um jovem que ande fora de casa possa parar. Tirando os cafés e os cinemas, só existem as bibliotecas municipais. Um local perfeito, diga-se de passagem – para além de não se pagar nada, ninguém estranha nem faz barulho ao ver aparecer ali um miúdo. Puxamos uma cadeira, sentamo-nos e pomo-nos a ler o que nos apetecer. (…) Depois de ter passado em revista todos os livros infantis, mudei para a secção seguinte, que é como quem diz, as estantes de novidades e livros para adultos. (…) Quando já não me apetecia ler mais, fechava-me numa daquelas cabines que têm auscultadores a ouvir música. (…) Foi assim que fiquei a conhecer Duke Ellington, os Beatles e Led Zeppelin. (…) A biblioteca era a minha segunda casa. Ou, se calhar, até a minha verdadeira casa. Uma vez que passava lá a vida, fiquei a conhecer bem algumas bibliotecárias que ali trabalhavam. Todas elas me conheciam pelo nome e cumprimentavam-me sempre.”Terça-feira, 3 de Julho de 2007
Mais leitores!?
A Marktest, de acordo com os dados do estudo Consumidor, chegou à conclusão que o número de leitores aumentou, em Portugal. Se, em 1996, 23.5% dos residentes no Continente com mais de 15 anos liam livros, em 2006 essa percentagem é de 37.1%.Para o que nos interessa aqui no adrianepandora, afirma-se o seguinte: “entre as idades, são os jovens dos 15 aos 17 anos os que apresentam o valor mais elevado, 54.6% deles. São o único grupo etário onde a maioria diz ter hábitos de leitura de livros. O valor baixa gradualmente depois desta faixa etária. A excepção é o facto dos indivíduos dos 25 aos 34 anos apresentarem um valor acima do registado pelos jovens dos 18 aos 24 anos.”
Existem ainda outros dados, relativos a distribuição geográfica e classe social, por exemplo.Espero estar enganado mas tenho de ser sincero: por muito que queira, não consigo acreditar nesta dica dos dados relativos aos jovens entre os 15 e os 17 anos…
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Leituras da Catalunha
O Consell Català del Llibre per Infants i Joves promoveu, em 2005, o estudo Hábitos de lectura en niños y jóvenes de Cataluña: Conclusiones y recomendaciones. Mais um instrumento que podemos utilizar na definição de estratégias para os adolescentes e jovens adultos (aja’s). Tem particular interesse a parte final de recomendações, com 19 dicas para orientarmos os nossos esforços no âmbito da promoção da leitura e serviços da biblioteca pública para aja´s. A ler.Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Camões é um poeta rap
”Conjugação da lírica de Camões com os sons contemporâneos, nomeadamente ritmos rap e hip hop, havendo também espaço para a interacção com o público.
A afirmação é um tanto ou quanto polémica, mas não é esse o objectivo. Este é antes o título de um espectáculo que vai ser apresentado na Biblioteca Municipal, no dia 13 de Junho, às 15h00. A actuação musical, desenvolvida pela Arte Pública – Artes Performativas de Beja, consiste na conjugação da lírica de Camões com os sons contemporâneos, nomeadamente ritmos rap e hip hop, havendo também espaço para a interacção com o público. O carácter obrigatório da leitura da obra de Camões na escola acaba por desmotivar os alunos, pelo que este espectáculo, de onde se destaca a criatividade e o ritmo, se propõem a dar uma visão de Camões e da sua obra com mais clareza e grandiosidade. “Camões é um poeta Rap” está inserido no Programa de Itinerâncias Culturais de Promoção de Leitura 2007, da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.”
É dar-lhes o que eles gostam e trazê-los para dentro de portas! Mais destas é que se querem!
p.s. - falar desta iniciativa e não lembrar a Associação Andante era d


