domingo, 13 de Dezembro de 2009

Elevar a fasquia


Quando se fala de promoção de hábitos de leitura, a discussão raramente será pacífica. Recorda-se, a esse propósito, o frente-a-frente entre Francisco José Viegas e Isabel Alçada (aqui). O bibliotecário, quando recomenda a um utilizador de 16 anos uma qualquer obra, não o faz de ânimo leve: entretanto inquiriu acerca da experiência de leitura sob várias perspectivas (frequência, temáticas, géneros literários) e, se a escolha cair algures entre sangue e incisivos afiados e sobredimensionados, a solução é óbvia: vampiros. E aí, temos oferta basta, com Stephenie Meyer à cabeça. Da qualidade de um Eclipse? Rogério Casanova, num exercício com tanto de hilariante como de brilhante – e esforçado, só os três primeiros títulos da saga perfazem 1616 páginas -, no suplemento Actual/Expresso, tirou o retrato à sequela Twilight, e a apreciação foi bastante negativa.
Cria-se então o chamado "efeito engulho": as perspectivas cumprem-se, de parte a parte, mas uma delas tem consciência de que o ganho para a outra poderia ser bem maior, mais diversificada fosse a oferta. E como se materializaria a mesma? Ao adrian parece-lhe que um aproveitamento da temática em voga – vampiros, dráculas, outro morcegos e sangue q.b. -, seria algo a considerar, assim como a redução da extensão da narrativa, uma vez que uma prosa mais rica, a todos os níveis, exigiria uma maior destreza no exercício da leitura, e uma forma de minorar o esforço do leitor sem hábitos seria diminuir o número de páginas. Para além do mais, tal permitiria um contacto com autores de nomeada, fosse o exercício encetado por nomes de comprovada valia.

A Porto Editora, num acto de generosidade natalícia, satisfez os desejos do adrian. Contos de Vampiros aproveita as preferências actuais (a moda, vá, chamem-se os bois pelos nomes), ao romance de 600 páginas contrapõe com contos de poucas, e convida Pedro Sena-Lino para conduzir a tarefa. Sob sua coordenação, Ana Paula Tavares, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, João Tordo, Jorge Reis-Sá, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink e Susana Caldeira Cabaço (a única estreante) soltam a pena, narrando sobre indivíduos que têm o mau hábito de terem um fiozito de sangue no canto da boca e escorrendo para o queixo (um qualquer estado de transe impede-os de utilizarem um Kleenex). Poderão encontrar uma boa recensão no Porta-Livros, de Rui Azeredo (aqui).

A aquisição por parte de bibliotecas públicas e escolares é, no mínimo, óbvia, e sugere-se uma mostra bibliográfica (junto ao balcão de empréstimo, p.ex), com a obra em destaque central, devidamente apascentada por outros títulos dos autores. Tipo presépio.

TAVARES, Ana Paula [et al]. Contos de vampiros. Porto ; Porto Editora, 2009. 144 p. ISBN 978-972-0-04293-4.
P.S. – considerando a escassa regularidade de posts, o adrian - à cautela -, aproveita para desejar um Natal cheio de Família e um Ano Novo pleno de Amigos e agradecer os emails, recordando que este ano o 2º aniversário do blogue passou ao lado do autor. Celebrar-se-á o terceiro, em dobro. Um abraço.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

William Kamkwamba

O adrian deparou-se com esta extraordinária história que envolve, entre outras coisas, uma biblioteca, um espírito criativo e muita perseverança, e da mesma deixa notícia, e mais dois desejos: que a tradução da sua autobiografia para português seja célere, pois tem tudo para agradar a adolescentes; e que a obra, em inglês, seja aproveitada para organizar grupos de leitores, em bibliotecas públicas e escolares.
“William Kamkwamba, do Malawi, é um inventor nato. Com 14 anos, construiu um moinho de vento a partir de sucata, com base em esquemas rudimentares que descobriu num livro da biblioteca local intitulado Using Energy, alterando-os para que satisfizessem os objectivos a que se propunha. A sua máquina ainda hoje alimenta quarto lâmpadas e dois rádios, na casa dos pais.
Após ler sobre William no blogue Hactivate (que, por sua vez, tinha tomado conhecimento da história através de um jornal local do Malawi), o director de conferências da TEDGlobal, Emeka Okafor, passou várias semanas a tentar contactar o inventor, e convidou-o para as conferências TED Talks (na íntegra, aqui). William partilhou o seu sonho de construir um moinho de vento ainda maior, que pudesse providenciar água a toda a aldeia, e manifestou o desejo de regressar à escola.
Após a sua intervenção, uma enorme onda de solidariedade foi gerada, em seu torno e do seu trabalho. Membros da comunidade TED uniram-se para o ajudar a melhorar o sistema de abastecimento eléctrico (incorporando energia solar), e promoveram o seu regresso à escola, com o apoio de tutores. Subsequentemente, outros projectos foram desenvolvidos na aldeia: abastecimento de água potável através de energia solar, prevenção da malária, fornecimento de energia eléctrica para mais seis casas e um sistema de irrigação gota-a-gota. William voltou à escola e frequenta, actualmente, a African Leadership Academy, na África do Sul.
A sua história foi publicada em livro (The Boy Who Harnessed the Wind: Creating Currents of Electricity and Hope) e um pequeno documentário, intitulado Moving Windmills, venceu vários galardões, no ano passado. Mais detalhes podem ser encontrados em MovingWindmills.org.”
Espera-se a tradução do título. Ansiosamente.
Tradução de TED: Ideas Worth Spreading (aqui)
Foto
aqui

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Radio Drummond



Do site de Carlos Drummond de Andrade, referência à Rádio Drummond: 5 poemas do autor brasileiro, sobre um fundo musical.
Uma ideia para que os 15+ ouçam outras letras e, porque não, musiquem algumas da sua escolha. Parece ao adrian que iriam gostar particularmente desta última sugestão, que se poderia materializar em ambiente de Biblioteca Escolar ou Pública promovendo-se assim, p.ex., a leitura de poesia no seio de um grupo de leitores.
Especial referência aos temas/poemas/temas (o adrian fica indeciso com a designação),“José” e “No meio do caminho”. Bom som.

Via Ciberescritas, de Isabel Coutinho. Obrigado.
Foto aqui

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

A cidade depois...

Obra de Pedro Paixão, escrita após o 11 de Setembro e constituída por 13 textos e um poema de Walt Whitman, A cidade depois adequa-se a leitura pelos alunos do secundário e é recomendado pelo ME para o 10º ano. Uma vez que o título se encontra esgotado, o autor não foi de modas e passou a disponibilizá-la, via web, gratuitamente (aqui).
O adrian acha que a isto se pode chamar Serviço Público. Bravo!
Via José Mário Silva e o seu Bilbiotecário de Babel. Obrigado.

sábado, 19 de Setembro de 2009

Sábias Palavras

E, para quem já começou a afiar as unhas para bater ao adrian, quanto mais não seja por, no post anterior, se promover uma "autora de hipermercado", leiam primeiro a entrevista de Teresa Calçada (RBE) ao Expresso (revista Única), este sábado. Cita-se:
“Não tenho preconceito nenhum em relação ao que se lê. O importante é ler com competência, ler bem, independentemente dos suportes. Mais importante que perseguir receitas, é incentivar as práticas. Sou das que acreditam – porque o comprovo todos os dias -, que promovendo o acesso aos bens, fomentando a imaginação e o seu uso, fazendo dos livros um objecto do dia-a-dia, os leitores aparecem. Não interessa se vão todos ler os clássicos. Alguns vão, outros não.”
Sábias palavras.

Antes de ver, ler


Para a minha irmã (de Joudi Picoult, editado entre nós pela Civilização) foi considerado um dos 10 melhores livros para adultos que seriam também apelativos para adolescentes e jovens (ver Alex Award, de 2005). Surge agora o filme, baseado na obra literária.
Conselho do adrian: não os deixem ver!!! Primeiro, leiam o título, no âmbito de um grupo de leitores, nomeadamente nas bibliotecas escolares e públicas (e preparem-se para a discussão, que o enredo dá pano para mangas). Depois, a turma vai ao cinema.
Bom programa, não?

Foto aqui

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Só porque o adrian gosta…


… o adrian e mais uma data de gente (deste post, recordam-se?) aqui fica, como eventual quebra-gelo numa qualquer acção sobre leitura, o depoimento do Ricardo Araújo Pereira sobre a biblioteca da sua universidade. Hilariante!

Via RBE.

Green Day e o centeio

Mais uma afinidade entre música e literatura, desta feita entre os Green Day e a obra de J.D. Salinger, À espera no centeio (ver recensão aqui).

No álbum Kerplunk! (1992), a faixa Who Wrote Holden Caulfield? é dedicada ao protagonista da obra de Salinger, que se aconselha a todos os +15, e indispensável nas bibliotecas escolares do secundário (preferencialmente a última tradução, aqui).
Para ajudar à festa, a banda visita o nosso país a 28 de Setembro (Pavilhão Atlântico). Que tal surpreende-los na BE, no início do ano lectivo, com esta associação bem explícita e visível no balcão de atendimento? O adrian acha que é capaz de resultar…
P.S. – já agora, podem mencionar que a letra foi escrita pelo vocalista - Billie Joe Armstrong -, que adora o livro.
foto aqui

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Censura

Apontamento breve: na cidade de West Bend – Wisconsin, EUA –, a crítica a uma parte da colecção da biblioteca local, destinada a adolescentes e jovens, levou os John Wayne da cidade a pedirem a queima de livros. Desenvolvimentos aqui e aqui.
A American Library Association já se manifestou, em defesa da liberdade de expressão e escolha.
Boa altura para relembrar as palavras de Heinrich Heine:
Aqueles que queimam livros, acabam cedo ou tarde por queimar homens.
Perigoso…
foto aqui

Bookaholic

Via blogtailors, um artigo do The Guardian que nos leva a uma série de razões para nos diagnosticarmos – ou não –, como bookaholics. É traduzir e fazer uns crachás a distribuir pelos fregueses mais fiéis (em inglês ou português, peçam-lhes a opinião). Aqui vai um:

You know you're a bookaholic when...

When you discover you just bought a book you already have.



Sabes que és um livrodependente (ou leiturodependente, ou leitor anónimo), quando…

te apercebes que acabas de comprar um livro que já tinhas.


Claro que esta dica não promove a leitura. Mas premeia quem lê. O adrian acha justo.
P.S. - bibliómano ou bibliomaníaco também foram considerados. Pareceram, no entanto, excessivos. Ficam como sugestão.

Persépolis 2.0

Sobre o livro e o filme já aqui se escreveu. No entanto, e enquanto não surge a restante tradução, uma hipótese poderá ser a aquisição da obra completa. Junta-se a turma de inglês e começa o grupo de leitores (no Encompasse Culture estão as dicas todas, também na língua inglesa). Quando acabarem a versão impressa, acedam a Persépolis 2.0 e terão mais pano para mangas.

Persépolis 2.0 tem a pinta de Marjane Satrapi, mas não é da autora iraniana. Sob sua autorização, Sina e Payman (iranianos) criaram uma sequela, com base nos últimos acontecimentos no Irão.

Ou seja, alia-se à prática da língua inglesa uma discussão séria, atenuada (ou ampliada) pela beleza do traço. Aproveitem!

Os autores pedem a divulgação da iniciativa. O adrian associa-se e lança o réptil ;-)
O seu a seu dono: via beco das imagens.

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Ouvir o Governo


Como dar a conhecer novos autores portugueses aos 15+? Uma forma poderá ser esta: pô-los a ouvir o Governo,a nova banda de António Rafael e Miguel Pedro (Mão Morta), Henriques Fernandes (Mécanosphère) e valter hugo mãe (voz e letras).
Um timbre lindíssimo do autor de O remorso de baltazar serapião e de O apocalipse dos trabalhadores, a fazer lembrar Antony and the Johnsons, uma letra soberba e um vídeo de pasmar podem despertar a curiosidade. Meio bicho e fogo, primeiro tema do grupo e lançado na colectânea "Novos Talentos Fnac 2009", pode ser visto aqui.
Já agora, as letras do albúm Geração Matilha, dos Mundo Cão, já tinham a mão do autor de letras minúsculas.
A divulgar nas bibliotecas públicas, escolares e universitárias.

Surfin'

Pedro Adão e Silva dá aulas no ISCTE, é doutorado em ciência política, colunista do Diário Económico e comentador na RTP-N e no Rádio Clube, escrevendo ainda, mensalmente, para a SurfPortugal. É, obviamente, surfista. Saiu-lhe da pena a obra O sal na terra, pela Bertrand. Da editora:

“Desengane-se quem pensa que O sal na terra é apenas um livro sobre surf. É muito mais do que isso. Embora todas as crónicas tenham o surf como ponto de partida, o livro de Pedro Adão e Silva é simultaneamente um livro sobre actualidade, sobre desporto, sobre política, sobre cinema, sobre livros, sobre tudo isto e ainda mais alguma coisa. Na verdade, e apesar do essencial dos textos aqui reunidos ser precisamente uma tentativa de escrever sobre esse «prazer supremo» que é o surf, O sal na terra é acima de tudo um livro sobre o efeito que o surf produz.”

Uma excelente oportunidade para juntar desporto e leitura, criando afinidades com os leitores mais radicais. E esperar que, se um braço carrega a prancha, o outro transporte o livro.

Só mais uma coisa: o grande Tolentino Mendonça afirma, na badana: “Para que conste: O sal na terra não é apenas um manual para surfistas. É um dos mais belos livros da poesia portuguesa.”

No mínimo, aguça o apetite. A adquirir.

SILVA, Pedro Adão. O sal na terra. Lisboa ; Bertrand, 2009. 176 p.

foto aqui

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Osama

Em jeito de homenagem ao grande cinéfilo que foi João Bénard da Costa (1935-2009), e porque nem só de promoção da leitura vivem as bibliotecas e os seus utilizadores, o adrian sugere um título para aumentar a colecção de DVD’s das BM's e BE's: Osama. Da sinopse:

“A história gira em torno de duas mulheres afegãs – mãe e filha –, que perdem o emprego com a chegada dos fundamentalistas islâmicos ao poder. Com a morte do marido e sem ninguém que sustente a pequena família, a mãe toma uma das decisões mais difíceis da sua existência: disfarça a filha de rapaz, e dá-lhe o nome de Osama. A partir daí a rapariga embarcará numa vertiginosa viagem pela sobrevivência, tendo que ganhar o sustento para si e para a sua mãe, e garantir que a sua verdadeira identidade não será descoberta.”

Considerado um dos 2009 Fabulous Films for Young Adults (sim, é verdade, para além de recomendações de leitura, a YALSA também promove listas de filmes e audiolivros para adolescentes e jovens adultos, o que faz todo o sentido) e vencedor de um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro (para além de mais uma série de distinções, nomeadamente em Cannes), Osama poderá ser uma excelente forma de alavancar a discussão sobre os direitos humanos.

à venda aqui
imagem aqui

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Blasted Filósofo


Querem mostrar a esses meninos que frequentam as bibliotecas escolares (principalmente do secundário), públicas e - porque não? - universitárias o que são as palavras de um dos maiores pensadores portugueses? Então transcrevam este trecho de Agostinho da Silva:

"O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta. Inventor de qualquer coisa que não havia no Mundo ainda, antes deles nascerem. E inteiramente individual. Cada um poeta que é! (…) Temos como ideal, que aquele que nasceu poeta disto, daquilo ou de aqueloutro, não se mostre como poeta no que nasceu criado. Seja ele próprio o poema que vem da sua criatividade."

Imprimam-no e exponham-no, juntamente com algumas obras do autor e, no meio das mesmas, o novo CD dos Blasted Mechanism, Mind at Large: na faixa Start to Move o filósofo fala-lhes, fala-nos. Lindo!

Podem ainda aproveitar o vídeo a explicar esta ligação tão especial e a música mencionada está, para quem a quiser ouvir, disponível no Myspace dos Blasted.

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Lembrete


Para gáudio de milhares de adolescentes e jovens (e não só), reservem 19,90 € do orçamento para aquisições: Amanhecer, de Stephenie Meyer (quarto livro da saga Luz e Escuridão), sai a 9 de Junho, editado pela Gailivro (já em pré-venda, na FNAC). Caso o não façam, o risco será levarem uma dentada no pescoço de um utilizador mais aficionado. Mais 744 páginas (impressionante, não é?) de histórias à moda de Bela Lugosi.
Já agora, porque não pô-los a ler a jornal? Aqui segue o link de uma entrevista da autora a Isabel Coutinho, publicada na Ípsilon. É só imprimir e colocar entre as páginas de Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse. Em Junho, destaca-se no balcão de empréstimo, junto da nova aquisição. E, porque não, acompanhado do clássico, de Bram Stoker? Justo, não é?

domingo, 10 de Maio de 2009

Silêncio...


que se vai falar a palavra...

E de que maneira: 101 Noites, MusicBox, Goethe-Institut Portugal (na vanguarda da discussão sobre o audiolivro) e Instituto Franco-Português uniram esforços e eis que surge, integrado nas Festas de Lisboa, o Festival Silêncio!

"De 18 a 27 de Junho, Lisboa será palco de um evento em torno da palavra dita: o Festival Silêncio! Trata-se de um evento internacional dedicado às novas tendências artísticas e novas expressões urbanas que cruzam a música com a palavra: dos concertos à poetry slam, dos debates às conferências, dos audiolivros às leituras encenadas e aos espectáculos transversais e de spoken word.

Rodrigo Leão, José Luís Peixoto, Olivier Rolin, Adolfo Luxúria Canibal, Rogério Samora, JP Simões, Francisco José Viegas, Sam the Kid, Jorge Silva Melo, DJ Ride, Filipe Vargas, John Banzai, Mark-Uwe Kling, Maria João Seixas, Alex Beaupain e Wordsong, entre muitos outros, para que Lisboa dê lugar à palavra, aceitando o silêncio quando ele se impõe.

Promover encontros entre poesia, música e vídeo, reunindo alguns dos mais conceituados artistas portugueses, franceses e alemães. Debater o futuro de novos suportes como o audiolivro convocando escritores, jornalistas e editores. Dar a conhecer as mais recentes tendências artísticas nesta área é o objectivo do Festival Silêncio!"

O adrian fica contente, quanto mais não seja ver por cá eventos como os que aqui já haviam sido reportados em 2007 (ver aqui).

O programa está aqui e o aviso à navegação fica feito: bibliotecário que está atento a novas formas de despertar para a leitura/literatura em públicos jovens não pode passar ao lado deste... silêncio?!

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Passou-me ao lado...



Anda o adrian a pregar aos peixinhos a promoção da leitura/literatura via música e passa-lhe umas destas ao lado: o Centro de Estudos de Teatro - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa -, levou a cabo as Poéticas do Rock em Portugal 2009-perspectivas críticas de uma literatura menor. Cita-se:

Tratar o texto de uma canção como literatura, assimilar a produção do pop e do rock à poesia, não é uma mera provocação sem conteúdo. Nas comunidades urbanas só uma minoria consome livros e é ínfima a percentagem de gente que, dentro dessa minoria, lê poesia; no entanto, a maior parte da população consome poesia todo o tempo através das canções que ouve na rádio ou na televisão, em CD’s e concertos.
Pede-se, solicita-se, roga-se e implora-se feedback das comunicações de luxo e mesas-redondas com - entre outros -, JP Simões, Adolfo Luxúria Canibal e Manuel João Vieira. O adrian vai só ali ao lado auto-flagelar-se com umas vergastadas de pau de marmeleiro nas costas, e volta já.

segunda-feira, 30 de Março de 2009

Português em Dia

Um blogue sob a égide da Leya/ASA (ou será ASA/Leya?, esta coisa das fusões, aquisições e outras miscigenações sempre confundiu o adrian, nomeadamente quando a afinidade é para com a empresa absorvida, integrada, fundida, enfim, engolida), dedicado, cita-se: à disciplina de português, onde são veiculadas informações e/ou notícias de interesse para a área, disponibilizados recursos para as aulas de português e facultadas respostas a dúvidas do foro linguístico que possam surgir.

Para já, dois apontamentos curiosos: o hífen desaparece de uma data de vocábulos, nomeadamente de à vontade, o que deixa o adrian um pouco desconfortável, dir-se-ia até que pouco à-vontade; e a Associação de Professores de Português empreendeu o Ler Consigo que parece ser uma excelente ideia.
Já está na lista de favoritos e aconselha-se visita.

Dar e Receber

Convidado a participar na 2ª caminhada de bloguistas bad&lis infelizmente, e por mais um ano, não pude estar presente. O Pedro, no entanto, pediu-me um post para partilhar com os restantes andarilhos, a propósito do tema Blogs: antes de mais uma atitude pessoal. Saiu o que se segue.

Dar e receber. Devia ser a nossa forma de viver
António Variações, Dar & Receber, 1984
Escrever. Gosto de escrever. Será talvez por isso que, numa primeira fase, me decidi a abrir as portas do adrianepandora.
Sempre escrevi muito, ao longo da vida. Mas todos esses retalhos de desabafo, estupidez, criatividade, fúria, amor, tristeza, alegria e o que mais se possa enumerar tinham sempre o mesmo destino, fosse ele um qualquer cesto de papéis, contentor do lixo ou mesmo, em dias mais tempestuosos, os quatro ventos, depois de a vítima do instrumento de escrita ter sido bem esquartejada, amassada e agredida.
Com o adrian as coisas alteram-se. A forma passa a ser a digital e, ainda por cima, exposta, pública, e com leitmotiv bem definido: jovens e bibliotecas. E os conteúdos partilhados, de forma abnegada, tal como é a praxis que nos trouxe a esta caminhada e também a tarefa da biblioteca pública, em que desempenhamos o nosso mister.
Mas depressa um blogue passa do que quer que seja para algo mais complexo, algo que sujeita à obrigação de, algo que se estima, algo que se quer manter. Será talvez, o adrian, a plantinha no parapeito da janela que me comprometi a não deixar morrer à sede. É já uma extensão do meu ser, porque reflecte um pouco de mim. A angústia invade-me se não o actualizo (como agora). Sinto-me mal, culpado. Quanto mais não seja porque os outros, os que foram lendo, apreciando, comentando, esperam mais. E, pelo menos no início, também eu esperava que eles quisessem mais. Agora que exigem, que indagam, o exercício - que de tão ampla liberdade parecia -, passa a ser de uma enorme responsabilidade. O que, bem pensado, está intimamente ligado: liberdade/responsabilidade. É justo.
Do dar e receber que adviria de uma experiência como esta sei - todos sabemos -, o número de comentários que cada post gera. Mas também sei o número de visitas. Continuamos a viver num Portugal escrito com minúscula, porque nos fazemos pequenos (e porque nos fizeram pequenos, durante tantos e tantos anos). No Portugal tão bem descrito por Saramago n’O Memorial do Convento e que, trezentos anos depois, se mantém tão actual. Somos, por muitos, vistos não como os que dão, se dão, que instigam à troca de sinergias, que espicaçam consciências, à laia de insecto patrocinado por Sócrates – o filósofo, não confundir! Para esses, seremos sempre os que se põem em bicos dos pés, os vaidosos, os que querem dar nas vistas. Porque pensar é ainda pecado, e verbalizá-lo – ou escrevê-lo -, ainda mais. Mas vêm ver, ler, espreitar, bebem à socapa. Beber podem - e devem -, pois o espaço é público. Intervir é que já não é considerado algo a fazer. O exercício da cidadania, pelas ruas da amargura, é o que é. E isso entristece-me.
E eu? Eu continuo a pensar - e penso que continuamos -, que a utopia de educar, cultivar, informar e difundir, de modo gratuito, é aquilo que nos faz mexer. Dá gozo, não cobrar. Dizer aqui está!, tornando-nos facilitadores de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais culta e esclarecida. E como da profissão acaba por advir a devoção, cá estamos. Com mais tempo, menos tempo, mais posts, menos posts, mas cada um a fazer de bloguista, que mais não é que ser bibliotecário, de forma descomprometida e de modo digital.
António Variações – homem muito à frente do seu tempo -, cantava, em 1984: Dar e receber, devia ser a nossa forma de viver. Materializava, em letra de canção, o espírito dois ponto zero numa época zero vírgula um. Nós damos, temos a certeza disso. E também recebemos, caso contrário esta caminhada não teria sentido (nem concretização). E, se profissionalmente, a experiência é compensadora, a título pessoal é ainda mais marcante!
Dar e receber, esta é a nossa forma de viver.
Um abraço!
adrian

sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Resumidamente...



Via blogtailors, uma boa notícia: com a edição económica a 12,90 e o preço on-line a 11,61 (compare-se com o grande formato, a 27.75 e 24.95, respectivamente), a Tinta-da China só pode estar de parabéns por tornar mais acessível Uma pequena história do mundo. Coligiu-a Ernst H. Gombrich em 1935 tendo, à data, apenas vinte e seis anos. Aceitando o desafio lançado por um editor para escrever uma história do mundo para leitores jovens, esta obra alcançou uma dimensão paralela à que descreve. Cita-se, da editora:
“(…) Hoje traduzida (a obra) em vinte línguas, tornou-se um clássico universal, uma referência tanto para os mais novos como para os mais velhos. A tradução portuguesa conta com ilustrações de Vera Tavares. Neste texto encontramos não uma série de datas e factos, mas uma visão geral da experiência humana ao longo dos séculos, um guia para as realizações da humanidade e um testemunho incisivo das suas fragilidades. Este relato intemporal, que resulta de uma sensibilidade generosa e humana, torna acessível a história da humanidade em toda a sua dimensão.”

Nuno Galopim – do Público –, escreve:

“Uma escrita rigorosa e que revela a frescura, até inocência, de quem nem tem 30 anos. Pois Gombrich foi desafiado aos 26 anos para escrever a história do mundo para jovens leitores. Como se vê, saiu-se maravilhosamente.”

Não deixar, também, de ler a recensão de Urbano Tavares Rodrigues ao título, aqui.

Por último o adrian aconselha, após aquisição por bibliotecas públicas e escolares, que seja exibido com a seguinte citação do autor:

“Quero que os meus leitores se descontraiam e possam seguir a história sem precisar de tirar notas nem de memorizar nomes e datas. Na verdade, prometo que não lhes farei nenhum exame sobre o que lerem.”

Querem melhor incentivo?

imagem aqui

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Ler grafite

O adrian sugere, para aquisição por bibliotecas municipais e escolares, este A invenção de Hugo Cabret. Aliando ilustração e narrativa, ficção e realidade, o leitor fica preso à obra desde o primeiro momento, quanto mais não seja pela forma inovadora de de o autor revelar o seu conteúdo. Ler e apreciar um belíssimo traço a grafite é uma excelente forma de promoção, não só de leitura, mas também da arte de bem desenhar. Cita-se a recensão de João Miguel Tavares, da Time Out:
"Finalista do National Book Awards, recentíssimo vencedor da Caldecott Medal (o mais prestigiado prémio atribuído nos Estados Unidos à literatura infanto- -juvenil) e número um da lista de bestsellers do New York Times, A Invenção de Hugo Cabret vem precedido de uma vastíssima lista de elogios. E não há dúvida: são inteiramente justos.
Assinado por Brian Selznick, um ilustrador de livros infantis até há bem pouco tempo relativamente desconhecido, este tijolo de 544 páginas é das coisas mais inventivas surgidas nos últimos tempo no campo da literatura para os mais novos. Desde logo, pelo seu carácter híbrido, cruzando ilustração (a lápis), narrativa de aventuras e homenagem aos primórdios do cinema. Sendo que tudo isto não se soma, antes se mistura: a narrativa ora avança pela palavra, ora avança através do desenho (uma nunca é um mero sublinhar da outra), ora recorre a técnicas típicas do cinema (sobretudo nos constantes close-ups), fugindo a quaisquer redundâncias. A história, ainda para mais, é óptima, girando em redor de um miúdo órfão de 12 anos, que tenta por todos os meios dar vida a um misterioso autómato de corda, herdado do pai, na Paris dos anos 20/30. O livro cruza a pura ficção com eventos e personagens reais, o que dá uma consistência e uma graça acrescidas à narrativa. Leitura perfeita para adolescentes (e até adultos)."
Acresce à extensa lista de galardões a recomendação da Yalsa, via o habitual Top Ten, desta feita de 2008.
Só mais uma pequena observação. O adrian não deixou de reparar na expressão tijolo, na recensão: de facto, já se deram conta do volume das actuais leituras dos jovens de hoje? Se quantidade fosse qualidade, estávamos entre os mais literatos dos literatos. Mas, incentive-se o hábito e um primeiro passo estará dado.
SELZNICK, Brian. A invenção de Hugo Cabret. Vila Nova de Gaia : Gailivro, 2008. 544 p. ISBN. 978-989-557-562.
imagem aqui

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Linha da Frente

João Aguardela faleceu esta semana. Notícia triste, principalmente para os que, passados três lustros, se recordam de dançar ao som d’Esta Vida de Marinheiro. O legado, porém, é bem maior e, entre o mesmo, encontramos inúmeras ligações música/literatura. Aqui vão duas:
- No projecto Linha da Frente (2002), Aguardela lança-se o desafio de construir temas baseados em poetas e poemas portugueses. Congrega esforços com Luís Varatojo (Despe & Siga), Viviane (Entre Aspas), Dora Fidalgo (Delfins), Janelo (Kussondulola), Prince Wadada e Rui Duarte (Ramp). Surgem 12 faixas, onde se celebram as palavras de Fernando Pessoa, Natália Correia, António Aleixo, Manuel Alegre, António Ramos Rosa, Ary dos Santos e Alexandre O´Neil. (ver aqui e escutar faixas aqui);
- Já com os Naifa musicou, entre outros, Adília Lopes, José Mário Silva e José Luís Peixoto (aqui).

Para além disso, foi ainda mentor do Projecto Megafone, misturando drum&bass com cantares tradicionais recolhidos por José Alberto Sardinha e Michel Giacometti (aqui).
Em suma, inovou na música, promoveu as letras, fundiu tradição com modernidade, juntou vontades. Ao adrian parece-lhe bem a divulgação da sua memória nas bibliotecas públicas e escolares portuguesas.
foto Blitz aqui

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Sonhos



Se sonhar é bom, a materialização dos sonhos será ainda melhor. O adrian deixa aqui fotografias de dois sonhos, que se tornaram realidade na Polónia.

Imaginem bibliotecas para jovens feitas de raiz, obedecendo a critérios muito específicos:

  • A colecção dividida 50/50 entre material livro e não-livro;
  • O design de todo o espaço e mobiliário (e toda a comunicação impressa) a serem pensados para apelarem a faixas etárias mais novas, criando-se assim uma imagem corporativa com a qual se identificam;
  • A obrigatoriedade de existir uma cafetaria que funciona como um Language Café (onde voluntários se reúnem casualmente com os utilizadores para conversas informais em diferentes línguas: espanhol, francês, inglês, italiano);
  • Uma localização geográfica obrigatoriamente central, considerando o tecido urbano;
  • Instalações em que o livro é considerado mas os futuros suportes informacionais também o são;
  • Um espaço informal de aprendizagem, onde o primado está nas pessoas e não nos documentos.

Tinha já aqui sido referida a Cubit, que irá nascer em Saragoça, apoiada pela Fundación Bertelsmann. As que se mostram nasceram das mãos do mesmo arquitecto – Christian Schmitz, presente, em 2008, no Encontro Oeiras A Ler –, sob a égide da Bertelsmann Stiftung. Aqui ficam: a Mediateka de Breslau (a laranja, poder-se-á assim dizer) e a Planeta 11 em Allenstein, ambas na Polónia.

Fantásticas, não são?

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Craques Leitores


O adrian cita, do Jornal Record:

“Quando se encontraram em Manchester – para o antigo director do Record entregar o Prémio Artur Agostinho 2008 a Cristiano Ronaldo –, o comunicador ofereceu ao melhor jogador do Mundo o seu último livro, Ninguém morre duas vezes, que o craque prometeu ler... E cumpriu! Quando interveio em directo no “Prós e Contras”, da RTP1, nesta segunda-feira, depois da gala da FIFA, Cristiano Ronaldo fez questão de dizer a Artur Agostinho (que se encontrava na plateia) que já ia a meio do seu livro. Um craque em evolução!”

O Jornal da Madeira acrescenta que a próxima leitura do homem com lustres nas orelhas já está na calha: Os abutres, também de Artur Agostinho. Aqui ficam as referências:

AGOSTINHO. Artur. Os abutres. Lisboa : Oficina do Livro, 2004. 266 p. ISBN 989-555-082-0.

AGOSTINHO. Artur. Ninguém morre duas vezes. Leiria: Folheto Edições, 2007. 256 p. ISBN 978-972-882-190-6.


Agora, é só divulgar e esperar que esta achega incremente os hábitos de leitura (leia-se, agilidade de, ou seja, ler um parágrafo de 4 linhas em menos de 5 minutos). Caso não existam estes exemplares (sobre os quais o adrian não pode opinar, pois nunca os leu) na biblioteca, coloque-se junto desta notícia uma biografia de desportista (Vontade de Vencer é boa escolha). Depois – e gradualmente –, aumenta-se a fasquia ;-)
imagem aqui

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Crise e Bibliotecas


Nestes tempos de crise, aqui está uma mensagem pertinente: um pequeno cartaz - da Biblioteca Pública de Whitefish (Montana, EUA) - que, sendo sobre bibliotecas em geral, interessa a todos os adolescentes: os que o são, os que já foram e os que hão-de ser. O adrian traduz:

“As bibliotecas ajudam-te a passar as épocas sem dinheiro melhor que o dinheiro te ajuda a passar as épocas sem bibliotecas.”


imagem aqui e post via deakialli documental

sábado, 10 de Janeiro de 2009

Roda Pé

A Biblioteca Municipal Almeida Garrett – Porto –, inicia hoje uma actividade que alia um serviço de extensão bibliotecária a um grupo de leitores (o primeiro no sentido em que a equipa da biblioteca sai fora de portas e se apropria de espaços como o Museu Soares dos Reis, a Galeria Por Amor à Arte, o Centro Nacional de Fotografia, a Livraria Lello e a Associação Chã das Eiras, indo ao encontro de potenciais utilizadores; e o segundo porque é disso mesmo que se trata, de um encontro informal (quinzenal) entre leitores (neste caso jovens, com idade superior a 15 anos), para discutirem uma obra pré-determinada.
Explorar novos espaços de promoção da leitura parece, ao adrian, uma excelente forma de criar também empatias com novos públicos (e, no caso, públicos novos). As informações deste projecto – de seu nome Clube de Leitura Roda Pé – O Porto com livros debaixo do braço – são as seguintes:
Programa

10 de Janeiro
A neta do Senhor Linh / Philippe Claudel
Biblioteca Municipal Almeida Garrett

24 de Janeiro
A avó dezanove e o segredo do soviético / Ondjaki
Associação Chão das Eiras

07 de Fevereiro
O apocalipse dos trabalhadores / valter hugo mãe
Livraria Lello

21 de Fevereiro
Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra / Mia Couto
Centro Português de Fotografia

07 de Março
Dom Casmurro / Machado de Assis
Museu Soares dos Reis

21 de Março
Horto de incêndio / Al Berto
Galeria Por Amor à Arte
Para inscrições e outras informações fazer uso do e-mail (bib.agarrett@cm-porto.pt) ou do telefone (226081000 – Iria Teixeira ou Maria João Sampaio).
Aproveita-se para fazer uma pequena alusão, fruto deste Roda Pé: para quando o regresso da outra Rodapé, a extraordinária revista da Biblioteca Municipal de Beja?

Quanto ao projecto da Almeida Garrett, só se pode aplaudir e recomendar às bibliotecas escolares e universitárias da Invicta que difundam esta iniciativa, não só de promoção da leitura mas também dos espaços culturais da cidade. Bem esgalhado!
foto aqui

domingo, 4 de Janeiro de 2009

Fado

Os últimos posts têm sido dedicados à ligação – tão próxima e tão linda -, da música e da literatura. Tentar tocar os jovens demonstrando-lhes a afinidade entre músicos, intérpretes e escritores parece ao adrian, cada vez mais, uma extraordinária forma de promover o texto literário e consequente gosto pelo mesmo. Após ter referido exemplos de hip-hop, hard e punk rock, não falar de Fado seria quase crime de lesa-majestade. Assim, e aproveitando a presença, em 2008, de Camané no Festival Sudoeste, aqui fica uma dica: saberiam os jovens que o ouviram que escutaram, não só uma voz maior da Canção Nacional mas que, também, o seu timbre lhes trouxe, entre outros, os versos de David Mourão-Ferreira (Lembra-te sempre de mim) e de Pedro Homem de Mello (Sei de um rio)? E saberemos nós - os que lhes tentam incutir o gosto pela leitura e, neste caso particular, pela poesia -, qual a reacção desse público ao espectáculo? Leia-se, do Blitz:
“ Momentos depois de David Fonseca terminar o concerto, no palco Planeta Sudoeste já estava bastante gente a aguardar a chegada do fadista Camané . Se dúvidas existissem sobre a aceitação do fado num festival de Verão, rapidamente se dissiparam. Apesar de todo o rebuliço no exterior da tenda que acolhe o palco secundário, o silêncio solene para receber a música tradicional portuguesa fez-se sentir. "Sei de Um Rio", canção que apresenta Sempre de Mim - o mais recente e muito aplaudido álbum do cantor - dá início ao concerto. A timidez de Camané vai-se dissipando aos poucos e, entre gritos de "Ah fadista" e "És grande" - muito público verdadeiramente jovem a assistir - o cantor vai passando em revista fados mais gingões e outros carregados de sentimento fatalista. "Lembra-te Sempre de Mim", "Mais Um Fado no Fado" e "Fado Sagitário" foram recebidos com palmas (para marcar o ritmo ou simplesmente para agradecer a entrega do cantor). Depois de apresentar os músicos que o acompanham, chama ao palco um convidado muito especial: o contrabaixista Carlos Bica ajuda-o em "Este Silêncio". Fado no Sudoeste? Aposta ganha!”
Os versos de algumas das canções do alinhamento desse espectáculo aqui ficam. Com tempo, revelar-se-ão outras ligações entre estas novas vozes do Fado e escritores nacionais (Mariza, Ana Moura, Mafalda Arnauth, Pessoa, Cesarinny, Ary dos Santos). A posologia, já sabem, é a habitual ;-)
Sei de Um Rio

Pedro Homem de Mello
(Alain Oulman)

Sei de um rio…
Sei de um rio
Em que as únicas estrelas
Nele, sempre debruçadas
São as luzes da cidade

Sei de um rio…
Sei de um rio
Rio onde a própria mentira
Tem o sabor da verdade
Sei de um rio

Meu amor, dá-me os teus lábios!
Dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede!
Mas o sonho continua…

E a minha boca (até quando?)
Ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
“– Sei de um rio…
Sei de um rio…”

Sei de um rio…
Ai!
Até quando?
Lembra-te Sempre de Mim

David Mourão-Ferreira
(José Mário Branco)

Se alguém pedir a teu lado.
Que na música de um fado
A noite não tenha fim
– lembra-te logo de mim!

Se o passado
De repente
Mais presente
Que o presente
Te falar também assim
– lembra-te logo de mim!

Se a chuva no teu telhado
Repetir o mesmo fado
E a noite não tiver fim
– lembra-te sempre de mim!
Lembra-te sempre de mim!

O dia não tem sentido
Quando estás longe de mim...
Se o dia não tem sentido
Que a noite não tenha fim!
foto aqui

terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Lisboa em Dezembro

Festas felizes e um abraço do adrian e respectivo bonecreiro, para todos. Fica uma foto desta cidade de Lisboa que, à noite, de dia, no Inverno ou no Verão, é sempre belíssima.
Foto aqui

KIVA e UPA



Duas sugestões de Natal, para serem colocadas junto aos postos de acesso à net de bibliotecas públicas e escolares. O adrian não fala, desta feita, de promoção da leitura mas de sensibilização para os problemas que nos rodeiam e em que todos podemos dar uma mão amiga (ou não fossem as bibliotecas instrumentos extraordinários para o incremento de uma cidadania plena).

Assim, o KIVA é um projecto de micro-crédito que possibilita, online, apoiarmos empreendedores de países mais carenciados e que, com uma ajuda mínima de 25 dólares, podem dar um novo rumo à sua vida. O empréstimo não tem garantia de pagamento mas a taxa de cumprimento destes beneficiários é superior à dos países ocidentais. Excelente para congregar a turma ou o grupo de leitores da biblioteca num esforço humanitário ou, até, para dar uma prenda de última hora (existe a possibilidade de se adquirirem créditos para que outra pessoa os ofereça a quem deles precisa). O adrian deu uma ajuda à Ignacia Teresa Berrios, padeira da Nicarágua, que precisava de dinamizar o seu negócio, adquirindo farinha e ovos. O processo foi fácil, rápido e Ignacia já tem todo o capital. E soube sabe tão bem, ajudar.
Já em Portugal, o projecto UPA – Unidos Para Ajudar –, congregou esforços em torno da luta contra a discriminação das doenças mentais. Este movimento deu origem à criação de vários temas musicais, com duetos inesperados como Camané e Dead Combo, José Mário Branco e Mão Morta, Mariza com Boss AC, Rodrigo Leão e J. P. Simões, Xutos e Oioai, entre outros. Com um donativo mínimo de um euro faz-se o download de uma música e sempre se apoia uma causa muito, muito nobre!

Um outro amor

Terminando este encadeamento de posts, porque não adquirir o título Um Outro Amor: Diário de Uma Vida Singular? Obra que reúne dezenas de crónicas que Pacman (vocalista dos Daweasel) escreveu para o Correio da Manhã, poderá apelar a jovens mais relutantes em juntarem letrinhas. Quanto mais não seja, talvez a capa ajude, ou não tivesse escarrapachada a foto do autor. Neste livro Carlos “Pacman” Nobre fala de futebol, música, amigos, política, sexo e outros assuntos, sempre num tom bem-humorado e que, com certeza, apelará aos 15+. Dica do adrian: adquirir, obrigatoriamente.

NOBRE, Carlos “Pacman”. Um outro amor: diário de uma vida singular. Lisboa : Oficina do Livro, 2008. 162 p. ISBN 978-98-9555-404-1.

Negócio Estrangeiros

No entanto, e já que se fala de José Luís Peixoto (ver post Moonspell), porque não informar os jovens utilizadores da relação entre este escritor e os Da Weasel, de forma a apelar aos fãs de Hip-Hop?
O álbum Amor, Escárnio e Maldizer tem uma faixa intitulada Negócios Estrangeiros, escrita por Peixoto. Letra de contestação social, em que se pergunta ao Sr. Presidente se já foi ao Intendente:
“Já foi ao Intendente, Sr Presidente?
Compreendo que tenha pouco tempo,
Cada movimento precisa de um documento,
Isso é algo que eu consigo compreender
Mas, precisa de ver, Sr. Presidente, os seus próprios
olhos, têm um olhar diferente de toda a gente.
Deixe em casa os óculos de ver ao longe, a realidade
não foge,
A realidade está sentada e espera toda a noite por
nada,
ou encosta-se a uma parede,
Talvez com fome, talvez com sede.
Fumo um cigarro no infinito,
Descubro na escuridão 1 grito, dentro de si próprio.
A realidade chegou à 6 meses da Nigéria, do Senegal ou
da Costa do Marfim.
A realidade não tem fim (…)”
Ao fim e ao cabo, todas as tribos merecem uma atenção particular, ou não fosse o papel da biblioteca pública servir a todos, sem distinções (e, já agora, aproveitando as preferências musicais :-)
foto aqui

Moonspell

Uma pequena correcção ao post anterior. Se o desejo é cativar a atenção dos teens e jovens góticos, porque não difundir a afinidade entre os Moonspell e a literatura? O adrian dá umas dicas:

- Esta banda portuguesa de Black/Gothic Metal tem um tema – Opium, do CD Irreligious –, baseado no Opiário, de Álvaro de Campos (a última quadra é um trecho desse poema):
"Por isso eu tomo ópio. É um remédio.
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do Pensamento
E ver passar a vida faz-me tédio"
- Than The Serpents In My Hands, do álbum Darkness and Hope, tem início com uma quadra de Mário Cesariny (e toda a restante letra é inspirada na sua obra):
"Dorme, dorme meu menino
dorme no mar dos sargaços
que mais vale o mar a pino
que as serpentes nos meus braços"
- O escritor José Luís Peixoto escreveu o livro de contos Antídoto após acompanhar, durante cerca de um ano, os Moonspell, tanto na estrada como em estúdio. Os dez contos de Peixoto deram origem a dez faixas, no álbum homónimo The Antidote.

- O próprio vocalista dos Moonspell, Fernando Ribeiro, vai já no terceiro livro editado: Diálogo de vultos sucedeu a Como escavar um abismo e As feridas essenciais.

Aliás, caso possam, um destes dias assistam a uma sessão de autógrafos de José Luís Peixoto ou de Fernando Ribeiro. Não destoando do estilo gótico, vão ver tudo muito negro…
foto aqui

sábado, 13 de Dezembro de 2008

My Chemical Romance

Os My Chemical Romance são uma banda rock norte-americana com um sucesso considerável. Pergunte-se a qualquer adolescente e/ou jovem quem canta Welcome to the Black Parade e o esclarecimento não tardará. Curiosa é – e por isso aqui fica a referência –, a relação destes intérpretes com os livros: para além da inspiração para o nome da formação radicar na obra de Irvine Welsh Ecstasy: Three Tales of Chemical Romance (em português, Ecstasy: três histórias à maneira de romance sentimental químico, editado pela Quetzal), o vocalista – Gerard Way –, tem uma relação muito estreita com o mundo da BD, senão, vejamos: para além de, durante o liceu, ter trabalhado numa loja especializada no género (sendo pago, pasmem-se, em revistas, tal era o amor à nona arte), frequentou a School of Visual Arts, em Nova Iorque, estagiou na DC Comics, é fã de Neil Gaiman (já aqui se falou de Stardust) e, em parceria com Gabriel Bá, editou The Umbrella Academy, pela Dark Horse Comics. São suas estas palavras:
"A lot of books had a very big impact on me, and they kind of shaped my lyrics, the band's aesthetic, everything," he continued. "There's a song called 'The Ghost of You' on [2004's Three Cheers for Sweet Revenge], which is named after a perfume ad in the 'Watchmen' [graphic-novel series]. Comics have been such a big part of me and the band for such a long time, and I just want people to check out comics."
Dica do adrian: divulguem-se estas afinidades nas bibliotecas públicas e escolares, aproveitando para promover a colecção de BD e, já agora, a restante ficção. O visual dos MCR combinará bem com as vampirices da Stephenie Meyer e com as belíssimas ilustrações de Favole, de Victoria Francés, editadas pela Vitamina BD no nosso país. E os góticos, punks, metaleiros e dreads lá do liceu, com certeza, ficarão rendidos.
cartaz dos mcr aqui

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Os livros da Meg

Escreveu-se já, neste blogue, sobre Meg Rosoff (ver post). Pois num artigo do The Guardian, a autora indica algumas obras cuja leitura recomendaria a adolescentes. O adrian pesquisou, para aferir quais estão traduzidas para português, e aqui deixa algumas:

MCCARTHY, Cormac. Belos cavalos. Lisboa : Teorema, 1994. 294 p. ISBN 972-695-214-X.
SPIEGELMAN, Art. Maus I : a história de um sobrevivente. Lisboa : Difel, 1988. 159 p. ISBN 972-29-0197-4.
SPIEGELMAN, Art. Maus II : e assim começaram os meus problemas. Lisboa : Difel, 1988. 139 p. ISBN 972-29-0300-4.
HEMINGWAY, Ernest. Por quem os sinos dobram. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 516 p. ISBN 978-972-38-2834-4.
SÜSKIND, Patrick. O perfume : história de um assassino. Lisboa : Presença, 1992. 242 p. ISBN 972-23-1448-3.
HELLER, Joseph. Artigo 22. Lisboa : Dom Quixote, 1986. 426 p.
SOBEL, Dava. Longitude : a verdadeira história de um génio solitário que resolveu o maior problema científico do seu tempo. Lisboa : Temas e Debates, 2000. 154 p. ISBN 972-759-271-6.
Uma achega para ir criando uma colecção específica para adolescentes e jovens adultos. E sempre ficam com um livro que esgota a capacidade de qualquer campo 200 Unimarc ;-)
A lista completa pode ser consultada aqui.
Imagem de Maus / Art Spiegelman

Duas Centenas


A título de curiosidade e a ver se o adrian sacode esta preguiça blogueira que o tem afectado nos últimos tempos, aqui fica um pequeno post.
O VOYA (Voice of Youth Advocates) é um jornal dedicado a bibliotecários, educadores e outros profissionais que trabalhem com adolescentes e jovens adultos. Vale bem a pena a consulta - regular - deste espaço, em busca de projectos, estudos e artigos de opinião, nomeadamente os relacionados com bibliotecas.
Foi precisamente numa dessas consultas que o adrian se deparou com um artigo extraordinário, que pode ser consultado aqui: os autores Anthony Bernier, Mary K. Chelton, Christine A. Jenkins e Jennifer Burek Pierce deram-se ao trabalho de construir uma cronologia dos serviços para os públicos já mencionados, em bibliotecas, nos Estados Unidos. A conclusão é estonteante: só tiveram de recuar... 200 anos.
P.S. - Após consulta do artigo verificarão que, infelizmente, o texto mencionado não corresponde à verdade. São, efectivamente,... 205 anos :-)
imagem do artigo

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

O Eusébio... das Letras

Quem, no último sábado, adquiriu o jornal A Bola, teve por recompensa uma excelente e bem-disposta entrevista de António Lobo Antunes a Vitor Serpa. Entre referências às suas crónicas e livros (que distingue como “a diferença entre uma piscina para crianças e uma para adultos”), um saudosismo de quando o futebol era desporto (“Naquele tempo havia um deprimido debaixo dos paus e dez eufóricos a mandar brasa e, disso, eu gostava”), referências às mulheres de Ronaldo (“Parecem todas desenhadas pelo Vilhena” :-), outros apontamentos aos clubes e dirigentes – do passado e actuais –, e histórias avulsas sobre desporto, o escritor dá a conhecer um lado que, bem aproveitado, pode levar um adolescente ou jovem a criar empatia com as palavras – e a figura – do eterno candidato ao Nobel.

O adrian dá uma dica: entrevista disponibilizada em local bem visível, juntamente com uma pequena biografia do autor e, para que o primeiro impacto não seja muito atordoante – ou melhor, para que nenhum utilizador mais novo se afogue na tal “piscina para adultos” –, disponibilizem-se os livros de crónicas.
Então, e o Eusébio das Letras? Radica na frase de ALA, sobre si mesmo: “O Eusébio é responsável por algumas das minhas alegrias; António Lobo Antunes por algumas das minhas maiores chatices.
ANTUNES, António Lobo. Livro de Crónicas. Lisboa : Dom Quixote, 2007. 430 p. ISBN 978-972-2030-81-6.

foto aqui

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Literatura Fantástica ou Fantástica Promoção da Leitura?


Neste espaço tem sido abordada a literatura Fantástica considerando, nomeadamente, lançamentos de títulos e artigos de opinião relacionados. Daí que só possa louvar o destaque dado ao género pela Revista Os meus livros, de Outubro. Particularmente relevante para a ligação jovens/promoção da leitura é o excelente artigo de João Seixas - Esta literatura não é para velhos. Nele se disserta (entre outros tópicos) sobre a qualidade da generalidade das obras lançadas nos últimos tempos, seus destinários, títulos que emergiram e desapareceram e autores portugueses. Uma reflexão, em particular, merece destaque:
“O mercado ameaça tornar-se demasiado dependente de um público-alvo (os jovens) que, inevitavelmente, vai crescer para um vazio de referências literárias.”
A preocupação revelada pelo jornalista é legítima. No entanto, talvez a formulação do pensamento seja um pouco excessiva. Se um indivíduo de 14, 16 ou 18 anos adquiriu o gosto pela leitura com Christopher Paolini, Stephanie Meyer, J.K. Rowling, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman ou Filipe Faria, e se habituou a ter um livro por companhia, será que deixará de ler e cairá num vazio? Ou o costume entretanto adquirido levá-lo-á a procurar outros títulos, outros géneros?

Uma coisa é certa: o Fantástico fez mais pela promoção de hábitos de leitura, nos últimos anos (considerando os públicos mais jovens), do que qualquer outra tipologia de leitura ou programa de incentivo à mesma. Se daí advêm mais benefícios, esse será já outro campo de discussão (ver Luzes difusas numa câmara clara).
SEIXAS, João - "Esta literatura não é para velhos". Os meus livros. Nº 68 (2008), p.42-47.
imagem aqui

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Muitas leituras... e boas leituras!

A Revista Ler de Setembro inclui uma belíssima “triagem” às listas de leitura autónoma sugeridas pelo PNL. O objectivo era o de, entre as obras propostas, serem seleccionadas as que teriam maior qualidade literária.

No que diz respeito à faixa etária a partir dos 16 anos, o adrian congratula-se com a escolha de O Deus das Moscas e Uma cana de pesca para o meu avô, de William Golding e Gao Xingjian, respectivamente, e que tinham já sido sugeridas neste blogue (ver aqui e aqui). Completavam a escolha as seguintes referências:
STEWART, Ian. Cartas a uma jovem matemática. Lisboa : Relógio d’Água, 2006. 166 p. ISBN 972-708-927-6.

CHATWIN, Bruce. Na Patagónia. Lisboa : Quetzal, 2008. 368 p. ISBN 978-972-564-724-0.

GAIMAN, Neil. Stardust : o mistério da estrela cadente. Lisboa : Presença, 2004. 171 p. ISBN 978-972-23-3140-1.

HEMINGWAY, Ernest. As neves do Kilimanjaro. Lisboa : Livros do Brasil, 2005. 220 p. ISBN 978-972-382-770-5.

Também as indicações para a faixa etária 14-16 passaram pelo crivo de Filipa Melo, José Mário Silva e Rogério Casanova. As indicações incluíram, entre outros:

BOYNE, John. O rapaz do pijama às riscas. Lisboa : Asa, 2008. 176 p. ISBN 978-972-41-5357-5.

CARVALHO, Mário de. Contos da sétima esfera. Lisboa : Caminho, 1990. 208 p. ISBN 978-972-210-065-6.

STEINBECK, John. A pérola. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 110 p. ISBN 978-972-382-827-6.
Ficam as sugestões que, ao adrian, parecem contribuir – e muito –, para enriquecer uma estante com uma selecção bibliográfica para adolescentes e jovens. À entrada do espaço multimédia, junto ao balcão de empréstimo, à porta da cafetaria, em suma, em qualquer local da biblioteca – pública, escolar ou universitária –, que seja ponto de passagem destes públicos.

domingo, 12 de Outubro de 2008

BD, bibliotecas e promoção da leitura

Bibliotecários portugueses, espanhóis e suecos e editores nacionais de BD discutem o papel da mesma nas bibliotecas, considerando a promoção da leitura, nos dias 23 e 24 deste mês. A Câmara de Lisboa organiza e as inscrições são gratuitas (mas limitadas). Consultem o programa aqui. Aproveitando o embalo, o adrian aconselha uma visita ao Festival de BD da Amadora.

Luzes difusas numa câmara clara


A propósito de promoção da leitura, Plano Nacional de Leitura e cânone literário, o programa Câmara Clara do dia 28 de Setembro colocou, frente-a-frente, Francisco José Viegas (FJV) e Isabel Alçada (IA). Da sinopse:
“As recomendações literárias do Plano Nacional de Leitura deviam ou não obedecer ao cânone? De que falamos quando falamos de cânone? De que falamos quando falamos de promoção do gosto pela leitura? IA, a responsável pelo PNL que, dois anos depois de ter sido lançado, conseguiu já pôr um milhão de crianças a ler diariamente nas salas de aula, e FJV, director da nova revista Ler que no último número crítica algumas das escolhas do PNL, debatem intensamente sobre estas e outras questões. (…)”.
O adrian ouviu e gostou. Antes de mais, da promoção da leitura (leia-se a questão da) que advém do debate público destes assuntos, em meios de difusão como a televisão. Só por isso já valeu a pena.
Mas a conversa foi mais além. Se a posição de FJV facilmente se compreende (incentivar à leitura com obras de comprovada qualidade literária), já a posição de IA – mais polémica e, como tal, alvo de maior contestação –, parece ao adrian de igual valia (promover o hábito da leitura, simplesmente).
Porém, ambos advogavam as suas razões, talvez sem se darem conta de que defendiam damas diferentes. Terá a promoção da leitura que implicar, necessáriamente, a promoção da literatura? Pode a primeira anteceder a segunda? Parece razoável que sim. E a segunda, pode anteceder a primeira? Talvez seja um pouco mais difícil. Veja-se, a esse respeito, a conversa de Fernando Savater com Ana Sousa Dias, o post do Biliotecário Anarquista e o texto de Sara Figueiredo Costa no Cadeirão Voltaire, e que cada um faça o seu juízo.

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Big Balls


Os britânicos são conhecidos pelo seu humor peculiar. Se uns o odeiam, outros (como o adrian), deliram com o non-sense que, aparentemente, terá raízes literárias (especificamente na non-sense poetry, imortalizada por autores como Lewis Carrol e Edward Lear).

Assim se compreende a extraordinária (e bem-disposta) campanha de promoção da leitura empreendida pelas Bibliotecas de Londres, que pode ser consultada aqui. Em suma, a ideia seria a de promover obras relacionadas com o desporto, para “atletas de sofá”. E como o fazer? Nada mais fácil, terão pensado os bibliotecários da capital inglesa.

Como se vê na imagem, o título da campanha é Balls Etc, com o subtítulo For those who prefer their sport on paper. Ilustra a iniciativa a fotografia de um pseudo-atleta e a selecção bibliográfica divide-se em Big Balls (futebol), Small Balls (cricket, ténis, golf, baseball e pólo), No balls at all (surf, ciclismo, automobilismo, triatlo, atletismo, box, natação, treking e montanhismo) e Personalities & humour.

O adrian não sabe se um sorriso promove a leitura, mas tem a certeza do que não a promove, nomeadamente entre adolescentes e jovens adultos: uma postura sisuda. Logo, aplaude-se a iniciativa.
imagem aqui

domingo, 21 de Setembro de 2008

Faltam quatro dias...

... para o lançamento do último trabalho de Christopher Paolini (de aquisição obrigatória, sob pena de se defraudarem expectativas de muitos utilizadores adolescentes e jovens adultos). Depois de Eragon e Eldest (12,5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo), a Gailivro lança Brisingr, um título difícil de pronunciar mas que irá, com toda a certeza, ser bastante solicitado no balcão de empréstimo e/ou nos serviços de apoio ao leitor. O Ciclo da Herança continua e a editora portuguesa, atenta aos públicos que terão especial predilecção pela colecção, criou um site bastante apelativo (ver aqui), para além de uma sessão de lançamento, dia 25, no Castelo de S. Jorge. A Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim também não perdeu a oportunidade e associar-se-á ao lançamento (ver aqui), também no dia 25.

O adrian sugere Brisingr para um grupo de leitores que se dedique ao Fantástico. Haja oportunidade e coloque-se, como música de fundo, o CD dos Dazkarieh que acompanhou a primeira edição de Eldest.

PAOLINI, Christopher. Brisingr. Vila Nova de Gaia : Gailivro, 2008. ISBN 9789895575589.

imagem aqui

Jogadores, pescadores, quiçá leitores

A revista Os meus livros, na sua edição de Setembro, dá especial enfoque ao regresso às aulas. No capítulo das sugestões de leitura, foram solicitados títulos a Manuel Almeida Freire, professor de português do ensino secundário. Para a faixa etária dos 15 aos 18, as preferências deste docente recaíram em Dostoievski e Hemingway com, respectivamente, O Jogador e O Velho e o Mar (este último já recomendado pelo PNL para o 9º ano de escolaridade).

O adrian deixa as dicas e outra, para o futuro: que bibliotecas escolares e públicas se socorram dos mestres da nossa língua para a construção de listas de obras a adquirir para a referida faixa etária. Se as primeiras têm a tarefa facilitada, as segundas poderão sempre socorrer-se dos respectivos SABE’s (Serviços de Apoio às Bibliotecas Escolares).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. O jogador. Lisboa : Presença, 2001. 165 p. ISBN 972-23-2744-5.
HEMINGWAY, Ernest. O velho e o mar. Lisboa : Livros do Brasil, 1999. 136 p.
foto de jogador aqui
foto de pescador
aqui
foto de leitora
aqui

Não sou o único


Raras serão, no mercado, as biografias de estrelas rock portuguesas. Certo, certo, é que também não serão assim tantas. Uma, sem sombra para dúvidas, será Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés.
A Presença editou, em 2007, a história deste guitarrista, desde os seus verdes anos até à actualidade. Assina a obra Helena Reis - sua irmã -, licenciada em Estudos Anglo-Americanos pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, mestre em Estudos sobre as Mulheres pela Universidade Aberta e, actualmente, docente universitária. Da qualidade literária da obra não pode o adrian aferir, mas que será título para atrair a atenção de adolescentes e jovens adultos, disso não restam dúvidas. E um livro nas mãos poderá sempre ser um ponto de partida para outros vôos (e leituras). A expôr junto da coleccção audio-visual da biblioteca ou "naquelas" mesas da sala de leitura em que habitualmente os estudantes se dedicam a queimar as pestanas.
REIS, Helena. Não sou o único. Lisboa : Presença, 2007. 224 p. ISBN 978-972-23-3792-2.
entrevistas à autora e a Zé Pedro aqui e aqui
livros de Zé Pedro aqui
foto aqui

sábado, 20 de Setembro de 2008

Pennac e Savater n’Avenida de Berna

A Gulbenkian está a organizar um, ou melhor, o congresso internacional de promoção da leitura. Senão, vejam-se os oradores: Fernando Savater (para aguçar o apetite fica esta entrevista a Ana Sousa Dias, sobre a escola e a leitura), Daniel Pennac (a confirmar), José Barata-Moura, Michel Fayol e Galeno Amorim (Observatórios de Leitura de França e do Brasil, respectivamente), Dolores López-Casero (Centro Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Espanha), e António Nóvoa (reitor da Universidade de Lisboa). Para tornar tudo ainda mais apetecível, atente-se à frase de António Prole (Casa da Leitura, em três anos com mais de 1 milhão de visitas!) sobre o evento:
"Será a primeira grande conferência em Portugal sobre a promoção da leitura e vai trazer os melhores especialistas para falar sobre o tema com uma linguagem que fuja ao jargão académico."
Dias 22 e 23 de Janeiro próximo, em Lisboa. Ao adrian, parece-lhe de presença obrigatória.
notícia aqui
foto de Savater aqui
foto de Pennac aqui

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Falar da Vida


Já vai tarde, a dica. Mas as férias impunham-se e o adrian pedia descanso. Em todo o caso, o segundo (e último) módulo de formação ainda vai ocorrer e pode ser frequentado de forma autónoma. Refere-se o curso FALAR DA VIDA: (AUTO)BIOGRAFIAS, HISTÓRIAS DE VIDA E VIDAS DE ARTISTAS, ministrado pela Prof. Dra. Idalina Conde, docente no Departamento de Sociologia do ISCTE, investigadora do CIES-ISCTE e detentora de um longo currículo nas áreas da sociologia da arte e da cultura, com diversas publicações sobre a abordagem biográfica e biografias de artistas.

Entre as temáticas em análise, o item “habilitar para a leitura e análise de narrativas (auto) biográficas” parece ser de particular relevância para quem trabalha em bibliotecas públicas e escolares, já que aqui se tem falado diversas vezes no género literário como sendo apropriado para adolescentes e jovens adultos.

O último módulo decorre de 23 a 26 de Setembro. Para a frequência do curso, consultem esta ligação.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Chartier, os jovens e a leitura

Via o blogue A Informação o adrian tomou conhecimento desta entrevista de Roger Chartier ao jornal Globo. Importante documento para reflectir sobre as práticas de leitura dos jovens, o autor acredita que os mesmos – pelo menos no mundo ocidental -, leiam mais do que os seus congéneres das últimas três décadas. No entanto, a valorização que fazem de si mesmos enquanto leitores é diametralmente diferente (ou melhor, não a fazem). No entanto, o investigador acredita que os hábitos de leitura nas faixas etárias mais novas são bem mais frequentes do que aqueles para que apontam os estudos oficiais.

Interessantíssima, também, a abordagem à "qualidade da leitura” e sua valoração, nomeadamente a informação fragmentada – leia-se descontextualizada –, que a Web fornece, em detrimento da leitura que exige relacionamento com “a totalidade textual de onde foi extraído o fragmento”. Assim se explica a razão de os cd-rom’s, por exemplo, terem atingido êxito no género enciclopédico e não tanto no romance, por exemplo. Chartier defende, acima da qualidade dos textos, a relação entre os tipos de textos e a forma de serem lidos.

Já o livro-objecto tem uma curiosa abordagem, com o autor a não revelar grandes preocupações com o formato mas a fazer, ao mesmo tempo, uma sábia análise às diferenças de leitura que cada um proporciona: a leitura de textos em ecrãn mais condicionada a palavras-chave, a temas, interligados por sua vez a outros temas hierarquicamente concebidos; e a leitura impressa a revelar uma componente bem mais relacional (se assim se pode nomeá-la) de todos os fragmentos com a totalidade da obra.

Por fim, uma palavra para o papel dos computadores no incentivo à leitura – que o autor advoga, mas que não são panaceia definitiva. Exige-se a mediação de profissionais, a escrita à mão e a existência de outros suportes (o livro impresso, obviamente). A esse propósito defende a presença do mesmo nas salas de aulas, bibliotecas e livrarias e termina citando Bill Gates: “Quando quero ler um livro, imprimo-o.” O suporte em papel parece estar ainda para durar.

O seu a seu dono: um bem-haja a Murilo Cunha, do blog citado no início do texto, que em boa hora referenciou esta entrevista.
foto de Nicole Bengiveno para o The New York Times

domingo, 17 de Agosto de 2008

Minguante

“A Minguante é um espaço online dedicado à micronarrativa. Está aberto à participação e organiza-se em torno de uma revista temática que foi bimestral até Agosto de 2007 e trimestral a parir dessa data.”

Assim se define esta iniciativa com materialização física e virtual. Mais-valia para as bibliotecas? O adrian encontra-lhe três: a divulgação da literatura de tamanho minimal – por norma até 200 palavras – e que será, eventualmente, mais apelativa a quem não tem hábitos de leitura (nomeadamente os jovens); a disponibilização de e-books inéditos em língua portuguesa – ver aqui; e a possibilidade de participação aberta a todos – aqui.

Acresce ao dito a excelente apresentação gráfica, passível de criar afinidades com os públicos dos ensinos secundário e superior, pelo que a divulgação deste site nas bibliotecas nacionais é mais que merecida. Aqui se deixa um belíssimo texto – Confissão –, da brasileira Ana Mello (da obra Finais Felizes):
“Clara tinha nove anos e foi fazer a catequese para a primeira comunhão. Não sabia o que era pecado, um conceito que não existia na simplicidade da sua casa. Amar e cumprir seus deveres era coisa natural. Mas o padre exigiu a confissão, ninguém era livre de culpa. Clara então cometeu seu primeiro pecado – inventou alguns, para contentar o vigário.”
imagem aqui

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Engulhos


O adrian já tinha referido, por alturas do Euro, o porquê de Pepe ter um especial apreço por bibliotecas (aqui). Pois agora chegou a altura de falar de José António Reyes, o mais recente reforço do SLB. Do jornal desportivo Record:

"Embalado pela biografia de Maradona (Yo soy El Diego), livro que pousou na sua mesa de cabeceira, José Antonio (Reyes) descobriu o gosto pela leitura aos 18 anos (...)."

Mais uma boa nova a espalhar por entre adolescentes e jovens, nas bibliotecas públicas, escolares e universitárias. A primeira leitura do atleta, não foi das melhores? Engole-se a seco o engulho, lembrando Pennac: diz o autor que a sorte que teve foi deixarem-no ler tudo o que queria e lhe apetecia sem o criticarem. A evolução qualitativa foi natural e sem imposições.

Reforça-se também a apetência dos jovens por obras de carácter biográfico relacionadas com desportistas (mais ainda quando existem afinidades com a modalidade que praticam). Já aqui se falou de Lance Armstrong, por exemplo, mas posts relativos a outros atletas surgirão em breve.

Até lá, fica este remate certeiro... entre as badanas :-)

P.S. - o adrian aceita e agradece referências semelhantes relativas a outros clubes, para que não o acusem de ser faccioso. Venham elas!

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terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Verba volent, scripta manent


Se as palavras voam e os escritos ficam – segundo a locução latina –, poderão ficar na memória de muitos jovens os caracteres impressos que compõem o conto de abertura d’O prazer da leitura, edição conjunta FNAC/Teorema para assinalar o Dia Mundial do Livro 2008. A história de João Aguiar – que também dá título a este post – fala-nos de um rapaz de 16 anos que se depara com um universo novo: o dos livros.
Um mês de castigo em casa do primo Jeremias, numa quinta fora do mundo – Cabeções do Vouga –, sem telemóvel, Internet, PC, Playstation e Ipod, introduz Gonçalo nas páginas de Umberto Eco, Eça e – milagre dos milagres -, o protagonista dá por si a ter receio de acabar o seu tempo longe da civilização sem conseguir ler tudo o que o armário dos livros proibidos – fechado à chave - encerrava. Bem esgalhado!
A par do mencionado, outros autores contribuem para esta obra: Mário Cláudio, Francisco José Viegas, Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes, Manuel Jorge Marmelo, Maria Teresa Horta, Filipa Melo, Nuno Júdice e Rui Zink, todos eles compõem acerca do prazer de ler.
Uma última mais-valia: as receitas deste livro revertem, na sua totalidade, para a AMI. E os jovens são gente de causas, ou não? O adrian aconselha vivamente a aquisição, a título particular e/ou para enriquecer o acervo das bibliotecas públicas e escolares.
AGUIAR, João [et al.]. O prazer da leitura. Lisboa : Fnac; Teorema, 2008. 219 p. ISBN 978-972-695-755-3.
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quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Um DJ na biblioteca

O município de Oliveira de Azeméis levou a cabo uma excelente iniciativa, num esforço de dar a conhecer a biblioteca municipal e os seus serviços aos públicos jovens da comunidade que serve. No mês de Junho o DJ Dizzy (um dos mais promissores nomes nacionais na arte de botar música) esteve naquele espaço, partilhando o seu mister com mais de 40 não-adultos. Assim se revelam formas de trazer outros utilizadores para dentro de portas, difundindo-se informações tantas vezes desconhecidas dos adolescentes (como, p.ex., o empréstimo gratuito). A promoção da leitura, entre outras iniciativas, será o passo seguinte. Mas o primeiro está dado: é que ninguém vende melões sem ter clientes na frutaria ;-)
Um abraço do adrian!
P.S.1 - Curiosamente, a esta iniciativa assistiram também alguns munícipes menos jovens, atraídos pela novidade da temática e pela espaço em que a mesma se desenrolava. Dois coelhos com uma cajadada só, portanto. Bem esgalhado!
P.S.2 - A foto que se apresenta revela o DJ Bobby Friction em acção... na British Library!
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quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Asas de borboleta

Várias vezes o adrian tem encontrado valiosas dicas via bibliotecário de babel. Pois o seu autor vai editar, via Oficina do Livro, O Efeito Borboleta e outras histórias: uma boa recomendação para jovens, nomeadamente para os que se queixam da extensão/espessura/volume das obras literárias. São micro-contos, pequenos contos, prosa não-extensa, o que lhe quiserem chamar. A apresentação do livro será dia 27 de Junho, na Casa Fernando Pessoa, por António Mega Ferreira. Aqui fica um cheirinho da obra (esta passagem dá pelo nome de Quatro Pregos):
"A campainha tocou uma, duas, três vezes. À quarta, Pete praguejou, desceu do escadote, pousou o martelo na mesa da sala e foi abrir a porta das traseiras. Entre os lábios, com a ponta afiada para fora, quatro pregos. Mal o viu, reconheceu imediatamente o rosto atrás da rede. Era Carver, Raymond Carver, o vizinho escritor e alcoólico. Um homem metido para dentro, pouco falador. Sabia que ele tinha publicado dois ou três livros de histórias curtas, mas não lera nenhum. Olivia, com o cinismo velhaco que usava contra tudo e contra todos, costumava dizer que se ele fosse um grande escritor, dos verdadeiramente bons, não viveria decerto naquele bairro.
«Desculpe incomodá-lo, mas pode oferecer-me alguma coisa que se beba?», perguntou Carver, coçando a barba mal feita. Saliva nos cantos da boca seca, olhos semicerrados por causa da luz forte do meio-dia.
«Não sei onde meti as chaves de casa e a minha mulher só deve estar de volta daqui a umas horas.»
Pete abriu a porta de rede, guardou os pregos no bolso e foi buscar gin, copos, duas cadeiras, um balde de plástico com gelo. Daí a muitos anos, pensou, aquele desgraçado de mãos trémulas talvez viesse a inclui-lo, a ele, Pete, com outro nome mas os mesmos gestos, num conto qualquer. Tinha quase a certeza de que o faria. E meia garrafa de gin era um preço perfeitamente aceitável para aceder a essa espécie de eternidade."
SILVA, José Mário. Efeito borboleta e outras histórias. Lisboa : Oficina do Livro, 2008. 140 p. ISBN 978-989-555-374-7.
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domingo, 15 de Junho de 2008

Ano I

Este blog faz hoje um ano. O adrian agradece as visitas e os comentários, congratula-se pelas pessoas que conheceu neste blogomundo e espera andar por cá mais uns tempos, partilhando pontos de vista sobre jovens, leituras, bibliotecas e afins. Bem-hajam!

quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Hip Hop Pessoa

O adrian reteve esta notícia, e dá eco da inciativa. Cita-se o site HipHop Tuga:
“Dia 13 Junho, a partir das 18 horas, no âmbito das comemorações dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, vai ocorrer no Terreiro do Paço (Lisboa) o evento "Hip Hop Pessoa", "um encontro entre os escritos do poeta e algumas das mais aplaudidas vozes do movimento Hip Hop nacional". Este encontro corresponde à primeira resposta a um convite efectuado pela Casa Fernando Pessoa e a Câmara Municipal de Lisboa à editora Loop Recordings. Uma segunda produção está a caminho, num CD+DVD de igual homenagem a Fernando Pessoa, com saída prevista para Setembro. Adianta-se desde já a direcção artística, entregue a D-Mars, e alguns dos nomes envolvidos: Pedro Laginha (actor e vocalista dos Mundo Cão) em colaboração com DJ Ride, Marta Hugon em colaboração com os Spill de André Fernandes, Kalaf em colaboração com o trio do saxofonista Rodrigo Amado, D_Fine e Rocky Marsiano, Maze com o DJ Soma, Fuse, Melo-D, Sagas, Raptor e Sam The Kid com o seu pai, Viriato Ventura.”

Segundo as palavras de Inês Pedrosa (Casa Fernando Pessoa) ao Correio da Manhã, “pretende-se uma actividade que atinja os mais jovens”. O adrian não faz futurologia mas, optimista como é, acredita que é um tiro num porta-aviões (e, a sê-lo, aproveite-se, reestruture-se e integre-se em itinerâncias sob a égide da DGLB)!
Mais uma coisa: fica desde já prometido um post para essa edição CD+DVD de homenagem ao homem da tabacaria. Se não o lerem, pelo menos ouvi-lo não lhes faz nada mal.

Highlander


Pela mão da Gailivro – estão a atacar em força o género fantástico, não há dúvida –, chega às bancas esta semana a mais recente obra de Michael Scott, reputado autor irlandês a residir em Dublin e um especialista em mitologia e folclore. O Alquimista: o segredo do imortal Nicholas Flamel venceu o Book Sence Children´s Pick List de 2007, o Texas Lone Star Reading List (porque é que este galardão recorda o adrian de um certo Presidente Americano… Já sei! Texas = Lone Star = Lone Ranger = Tonto! É isso, Tonto!), e foi finalista do Kirkus Reviews 2007 Teen Book Vídeo Awards.

Pela editora:

«O livro foca-se em Sophie e Josh Newmen, gémeos adolescentes que se encontram apanhados numa batalha entre o Bem e o Mal. Nos próximos livros os gémeos irão atravessar a América, para aprenderem as magias antigas enquanto são perseguidos por criaturas mitológicas de vários países. Flamel será o guia e professor de Sophie e Josh Newmen. Nicholas Flamel nasceu em Paris, em 28 de Setembro de 1330. Quase setecentos anos depois, é reconhecido como o maior alquimista de todos os tempos. Diz-se que descobriu o segredo da vida eterna. Os registos certificam que morreu em 1418, mas o seu túmulo está vazio. Nicholas está vivo, graças ao elixir da vida que produz há séculos. O segredo da vida eterna está escondido no livro que protege – o Livro de Abraão, o Mago, o livro mais poderoso de sempre. Se for parar às mãos erradas poderá ser o fim do Mundo.»

Tenham medo, muito medo!!! O adrian fica banzado com a similitude desta obra com o filme Highlander (traduzido em português como Duelo Imortal) e imortalizado (a expressão não poderia ser melhor) por Christopher Lambert. Mas essa é preocupação que não afectará os públicos leitores, com toda a certeza. São mais 384 páginas (e ainda dizem que os jovens lêem pouco) de mezinhas, pozinhos, duelos, magos e promessas de fim do mundo. Tal como dizia Pennac, a grande sorte que teve ao longo da vida foi nunca lhe terem criticado as leituras. Deixaram-no escolher. Deixemo-los, pois.

SCOTT, Michael. O Alquimista : os segredo do imortal Nicholas Flamel. Lisboa : Gailivro, 2008. 384 p. ISBN 9789895575473.
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Eclipse

A sorte sorriu aos amantes de romances à moda da Transilvânia: a Gailivro fez sair, na última quinzena de Maio, o volume final da trilogia Luz e Escuridão, da autora Stephenie Meyer. Após Crepúsculo e Lua Nova, eis que chega Eclipse. E que mais podem os teens querer? Ao fim e ao cabo são 608 páginas (valentes!) de mortes inexplicáveis, vampiros com crises de identidade e desamores de liceu. E, já agora, não esquecer que foi este o título que destronou o último Harry Potter da tabela de mais vendidos do New York Times.

Estão à espera de quê para completar a colecção? Os vossos leitores agradecem. E, já agora, o adrian aconselha uma pesquisa Google: stephenie meyer + eclipse. São blogs e páginas Web com fartura, com tudo sobre esta saga. Aproveitem para colocar alguns links junto aos PC’s de acesso à net.
MEYER, Stephenie. Eclipse. Lisboa : Gailivro, 2008. 608 p. ISBN 9789895575183.
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quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Selecção Angelus Novus

E, já que o adrian está numa de Selecção Nacional, digam lá se esta publicidade da Angelus Novus não está uma maravilha? Ideal para teens que sonham ser como o Ronaldo: uma equipa de categoria com Fernando Pessoa (Mensagem), Bernardim Ribeiro (Menina e Moça ou Saudade) e Diogo do Couto (O Soldado Prático). Bem esgalhado! Mal lhe ponha as mãos em cima irei aqui sugerir a Ovelha Negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso (recentemente reeditado por esta casa conimbricense).

Aproveitem e dêem uma voltinha pelo site e blog da editora. Vale mesmo a pena!
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Euro 2008, amor e bibliotecas


A Sic apresentava esta semana, após o Jornal da Noite, uma reportagem sobre a vida de Pepe, jogador que, no transacto sábado, marcou o primeiro golo da Selecção Portuguesa contra a Turquia, no Euro 2008. O adrian apanhou esta resposta à pergunta de Daniel Oliveira “Onde conheceu a sua mulher”. Resposta: “A gente costumava ir na mesma biblioteca”. GOOOOOOLO!
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English

It’s been a while since a post was published here in this blog. The main reason was that adrian’s puppeteer was having a huge work regarding the III Encontro Oeiras a Ler – A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública. And, for the same reason, this text will be entirely in English. Why, would you ask? Well, due to some reflections that came afterwards. But, read on and you’ll find out more…

The meeting was quite good. One should not be ashamed of making a nice work, and all the team from the Oeiras Public Libraries connected to this event finished it with a sense of accomplishment and fulfilment. Over two days the speakers shared their best practices, the audience asked pertinent questions, the breaks and schedules were respected in the best way possible, the simultaneous translation went as planned and Manuela Barreto Nune's task of Conclusions/Recommendations was very sucefull, acting has a summula of all the work produced in the 29th and 30th of May. Max Butlen and José Soares Neves made their presentations based in a more theoretical way, in the first morning, while the afternoon brought the field experience of Michele Gorman and Jonathan Douglas. The second day came with more practical overviews from Christian Schmitz, Lorenzo Soto and Paula Brehm-Heeger. Each moderator acted as planned, introducing the professionals invited and conducting the discussions afterwards.

So, what does this have to do with writing a post in English? Well, there were 110 seats available and, more or less, 80 inscriptions. The 45 euros fee included lunch on both days (so, it was not expensive). Taking this in consideration, one of the main surprises of the speakers (who where, “only”, the Director of the National Literacy Trust, the President of Yalsa, the architect working on a regular basis with the Bertelsmann Foundation, a responsible of the Centre of Childhood and Youth Literature of the German Sanchez Ruy-Perez Foundation, one of the best recognized trainers of youth librarians in the U.S.A., a university teacher that already worked for the governments of Brazil and France and that is one of the most recognized experts in youth literature, reading and pedagogy and – last but not least - a renowned Portuguese investigator of the Observatório das Actividades Culturais) was that the room where the III Encontro took place was not full. From one of them it was heard the following comment:

“I never had seen such a programme regarding teens and public libraries from so many different countries and aggregating different views. I know at least 20 or 30 professionals from my home country that would pay to be here”.

So, here’s the reason why adrian wrote this post in English. If Portuguese (and this includes people from public, school and university libraries, state and private institutions and post-graduate students) aren’t enough to fill up a room of 110 seats (which one could find – and can -, rather unbelievable, especially concerning the programme proposed), so let’s start speaking to the next targeted audience. Got it?

p.s. – and don’t be afraid, you Portuguese Librarians that came to this III Encontro: for you who have the will to speak out, share and think, adrian bets that there’ll always be a pair of headphones.
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segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Faltam três dias...

Para o início do III Encontro Oeiras a Ler - A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública. O programa oficial segue mais abaixo e o adrian não pode deixar de reafirmar que, para quem se interessa por estes públicos, ouvir os oradores presentes será, no mínimo, uma excelente fonte de inspiração. Ainda há vagas, que poderão ser preenchidas contactando Sofia Pinto via email (sofia.pinto@cm-oeiras.pt) ou telefone (214118973).
29 Maio 2008
09.30
Recepção e entrega de documentação
10.00
Sessão de Abertura
11.00
Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica - França)
La promotion de la lecture pour la jeunesse dans les bibliothèques publiques en France
Moderador: José Carlos Vasconcelos
12.15
José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais - Portugal)
Bibliotecas públicas, promoção da leitura e públicos jovens: alguns apontamentos com incidência no caso português
Moderador: José Carlos Vasconcelos
13.30
Almoço
14.30
Michele Gorman (ImaginOn - Charlotte & Mecklenburg County - EUA)
Get Your ImaginOn! - Creating a New Generation of Library Services for a New Generation of Library Users
Moderador: José Mário Silva
15.45
Café
16.00
Jonathan Douglas (National Literacy Trust – Reino Unido)
Creating a national youth reading culture
Moderador: José Mário Silva
30 Maio 2008

09.30
Christian Schmitz (Fundación Bertelsmann/Bertelsmann Stifung - Alemanha)
(sem título - comunicação sobre bibliotecas para jovens do ponto de vista arquitectónico)
Moderador: Carlos Pinto Coelho
11.00
Café
11.30
Lorenzo Soto (Centro Internac. Livro Infantil e Juvenil - FGSR - Espanha)
La Literatura Juvenil en España hoy: un enigma por resolver
Moderador: Carlos Pinto Coelho
13.00
Almoço
14.00
Paula Brehm-Heeger (Presidente da YALSA - EUA)
Yalsa – Leading the Way
Moderadora: Mafalda Lopes da Costa
15.30
Café
16.00
Manuela Barreto Nunes (Universidade Portucalense)
Conclusões/Recomendações
Poderão consultar as respectivas notas biograficas de cada orador aqui. O adrian aproveita também para se desculpar pela baixa frequência dos posts mas o respectivo bonecreiro tem andando, precisamente, a meter as mãos na massa neste Encontro.
Um abraço!

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Camus aos 17

Via bibliotecário de babel o adrian acedeu a uma lista de 50 livros de culto, coligida pelos críticos do Telegraph. Se nos deparamos com algumas escolhas incompreensíveis – sendo que os critérios de selecção também não se afiguram os mais lógicos –, a seguinte menção despertou interesse:
"Mother died today. Or maybe yesterday, I don’t know."
The beach, the sun, the Arab, the gunshots, the chaplain: the stuff of millions of adolescents' fevered imaginings. If you don't love this when you're 17, there’s something wrong with you.”
Fala-se d’O Estrangeiro, de Camus, que aqui fica como mais uma recomendação de leitura autónoma ou para ser discutida em grupo/comunidade de leitores. Do Público:
“Completamente exterior às convenções e à moral vigentes, Mersault é um verdadeiro estrangeiro em qualquer organização social ou familiar. Cometerá um homicídio sem razão aparente que não a do calor excessivo na praia ou a da forte luz do sol que sobre ele incidia directamente quando disparou. Mersault não tem justificação para o crime nem para o resto. Nada do que faz é para ser explicado. Eis o absurdo da sua existência ou de qualquer outra.”
Já Helena Vasconcelos aconselha este título, na sua lista 20 livros até aos 20. Diz, a propósito:
"Creio que a ideia é fornecer pistas sobre quais os livros que podem formar o carácter de uma pessoa, uma vez que a leitura deverá ser uma das formas mais directamente actuantes na construção de uma personalidade. (…) as pessoas em fase de crescimento físico e psicológico devem conhecer heróis e heroínas, isto é, seres humanos capazes de exercerem o livre arbítrio em prol de algo positivo para eles e para os outros.”
O Estrangeiro é um desses heróis – ou anti-herói? -, que vale a pena conhecer. Sugere-se exibição do título nas mesas onde os jovens habitualmente estudam, com uma pequena recensão e nota biográfica.
Camus, aos 17. Ao adrian, parece-lhe mais que razoável.
CAMUS, Albert. O estrangeiro. Lisboa : Livros do Brasil, 2006. 118 p. ISBN 978-972-38-2809-2.
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sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Lance & Salvador

Há uns tempos o adrian sugeriu quatro obras como recomendações de leitura autónoma e que, pelo género em que se incluem – biografias –, são apetecíveis também para discussão no seio de um grupo de leitores. Após umas pesquisas Web e incursões por FNAC’s e afins, aqui vão mais dois relatos de vida que, com certeza, servirão os mesmos propósitos que O diário de Rutka, A espingarda do meu pai, Eu quero viver e Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado.
Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro é a biografia de Lance Armstrong, vencedor do Tour de France sete vezes consecutivas. Da sinopse, pela editora:
“Esta é a história da vida de um dos maiores ciclistas de sempre – Lance Amstrong –, da sua batalha contra o cancro e da forma como a doença o transformou e lhe conferiu uma nova perspectiva sobre as coisas que são realmente importantes. É também uma incursão no mundo do ciclismo de alta competição: a dureza da modalidade, o sacrifício, a exigência. No fundo, o ciclismo como metáfora de vida.”
O adrian destaca o facto de este título permitir a associação desporto e leitura (combinação que se afigura bastante promissora para cativar jovens mais relutantes em folhearem um livro) e a particularidade de ter duas recomendações da Young Adults Library Services Association.
A segunda recomendação – Salvador: ser feliz assim –, não trará consigo a aura de um desportista de renome internacional. Mas fala de um jovem igual a tantos outros, com uma história particular:

“No dia 2 de Agosto de 1998, sofri um acidente de mota que me deixou tetraplégico. Na altura do acidente estava de férias de Verão, no Algarve. (...) Passava as manhãs na praia e no final da tarde ia jogar futebol com os meus amigos. A noite era obviamente o culminar de um belo dia de verão. (...) Nessa noite, regressava a casa ao volante da mota da minha irmã, uma Yamaha BW’S de 50cc que não passava dos 45 quilómetros por hora. Adormeci (...) e embati contra um Placard de publicidade. Porque razão é que adormeci? Porque para além do cansaço inerente ao ritmo das férias, bebi álcool e isso contribuiu para aumentar o meu estado de cansaço e distracção. Após o acidente, seguiu-se um período em que fui permanentemente sujeito a exames médicos, hospitais e intervenções cirúrgicas. Foi-me diagnosticada uma lesão medular (...) o que significava que doravante eu seria um tetraplégico. O primeiro confronto com a realidade foi muito dura.”
A jornalista Laurinda Alves descreveu assim a obra:

“Este livro fala da liberdade interior que é a única que nos permite ser verdadeiramente felizes. O Salvador é para todos um testemunho contagiante de alegria, entusiasmo e força de vontade. O seu livro conta uma história de superação que nos comove, que muda o nosso olhar e nos transforma para sempre. Ficamos diferentes depois de o ler.“

O prefácio é assinado pelo neurocirurgião João Lobo Antunes. Cita-se:

(…) Esta é a história de um rapaz que com uma coragem única se fez homem e, porque não perdeu a esperança, se salvou (…).”
Ao adrian, parecem-lhe dois títulos fascinantes para jovens. Exemplos de luta contra a adversidade, têm tudo para o gerar de afinidades com a leitura: se Lance personifica o herói que todos os jovens querem ser (recordam Pennac? O direito de o leitor amar os heróis dos romances?) já Salvador é o jovem que todos poderiam ser. A adquirir.

ARMSTRONG, Lance. JENKINS, Sally. Vontade de vencer: a minha corrida contra o cancro. Lisboa : Edições 70, 2004. 273 p. ISBN 972-44-1208-3.

PAISANA, António. ALMEIDA, Salvador Mendes de. Salvador: ser feliz assim. Lisboa : Livros do Brasil, 2007. 113 p. ISBN 978-972-38-2865-8.

Capa de “Salvador” aqui
Foto de lance armstrong aqui

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Download

Da última conferência sobre audiolivros no Goethe Institut, aqui se deixa a informação que o adrian considerou mais pertinente:

  • Segundo a alemã Der Horverlag, o mercado de ouvintes até aos 29 anos de idade corresponde a 24% do mercado (12% até aos 19, 12% até aos 29). Já os compradores nas mesmas faixas etárias correspondem a 17% do mercado (4% até aos 19 anos e 13% até aos 29). O género masculino compra mais audiolivros, utiliza com maior frequência a Internet para a sua aquisição e tem uma apetência superior pelo download (este último corresponde a 4% do total de aquisições, mas com tendência crescente);
  • A portuguesa 101Noites falou da fidelização dos seus públicos por via da possibilidade de download das obras. Uma tendência observada por esta editora é a do cliente que, após descarregar um título, acaba por o fazer em relação a todos os outros (convenhamos que ainda não são muitos e o preço é, efectivamente, acessível – 4,50€ por cada obra em formato MP3). Sem terem dados relativos a faixas etárias, do discurso de Sandra Silva percebeu-se que os jovens terão quota-parte de responsabilidade neste caso de sucesso editorial;
  • Se a Solutions By Heart afirmou o que a Hoverlag tem vindo a comprovar num mercado de mais de 17.000 títulos (“o CD é o formato preferido, mas a tendência é o download”), já João Cabral da MHIJ colocou em discussão duas interessantes questões: a falta de educação musical dos portugueses como motivo para que o áudio livro não vingue em Portugal e a necessidade de educar a Comunicação Social sobre o que é um áudio livro (trazendo à colação um episódio de um jornalista que o entrevistava sendo que, a dada altura, o editor se apercebe que o mesmo nunca tinha escutado uma obra em formato áudio).

Em suma, numa discussão moderada por José Afonso Furtado (melhor é impossível quando se fala do livro, seja em que formato for) o adrian destaca a tendência de download a aumentar (ambiente privilegiado junto das faixas etárias mais novas), a aquisição de títulos por jovens a representar uma percentagem razoável do total de vendas e, caso leiam os posts anteriores – aqui e aqui –, o que neste espaço se advogava relativamente à 101Noites: os resultados que advêm de um enfoque num público que, não sendo habitualmente muito considerado, pode marcar a diferença no que aos áudio livros diz respeito.

Que esta tendência continue em curva ascendente, para que os jovens leiam cada vez mais… nem que seja pelos ouvidos :-)

foto aqui

quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Comunidades

Falha do adrian nunca ter referenciado as actividades direccionadas para os alunos do 3º Ciclo e Secundário, sob a égide da DGLB.
Andreia Brites – licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e bloguista convicta (Cadeirão Voltaire, O Bicho dos Livros) – dinamiza, no âmbito da Carteira de Itinerâncias 2008, Comunidades de Leitores para as supracitadas faixas etárias. Bastante interessante e a ler com particular interesse: a súmula das sessões.
O adrian fica particularmente feliz por ver um dos desafios lançados aos jovens: criarem uma banda sonora para uma das obras. Juntar interesses consolidados com potenciais é sempre boa ideia.
Mais informações aqui, a partir da página 81.

terça-feira, 22 de Abril de 2008

Diplodocus

Um Diplodocus foi uma espécie de dinossauro, o Batman é um Minotauro (sem touro) mas meio-morcego, um anarquista advoga o fim do Estado e um bibliotecário é o que o Adal é, para além de ser também um Diplodocus, um anarquista e um Batman. Confusos? Então visitem o Espécie de Diplodocus e vejam o que este herbívoro jurássico de dezenas de toneladas anda a fazer, a bem das colecções das bibliotecas públicas.
Bem esgalhado, ó morcego-dinossauro-anarquista-bibliotecário!

Os Jovens, a Leitura e a Biblioteca Pública

Uma excelente oportunidade para ouvir, debater, questionar, refutar, indagar, partilhar e tudo o mais que se possa imaginar na relação entre jovens, promoção da leitura e bibliotecas públicas.
Max Butlen (Instituto Nacional de Investigação Pedagógica – França), José Soares Neves (Observatório das Actividades Culturais), Christian Schmitz (arquitecto que tem idealizado várias bibliotecas para jovens), Paula Brehm-Heeger (YALSA-ALA), Jonathan Douglas (National Literacy Trust), Michele Gorman (Comixlibrarian) e Lorenzo Soto (FGSR) irão dissertar sobre A promoção da leitura para os públicos jovens e o papel da bilioteca pública, temática do III Encontro Oeiras a Ler que irá decorrer na BMO de 29 a 30 de Maio.
Com os diferentes painéis a serem moderados por José Carlos Vasconcelos, José Mário Silva, Mafalda Lopes da Costa e Carlos Pinto Coelho e tendo como relatora desta iniciativa Manuela Barreto Nunes, esperam-se dois dias de discussão e partilha de ideias e boas práticas, a bem da promoção da leitura.

Para mais informações estejam atentos ao Oeiras-a-ler.
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segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Pilhas de livros

Do blog da revista Ler do Círculo de Leitores – coincidência não é, com certeza, esta dinâmica bloguista desde que o autor da origem das espécies tomou as rédeas da publicação –, uma lista curiosa (entre outras, igualmente interessantes): a dos 101 livros que qualquer estudante universitário deve ler. É só clicar aqui. Obviamente que se irão deparar com escritores anglo-saxónicos, ou não fosse a lista norte-americana. Mas, caso a queiram complementar com autores portugueses, o adrian aconselha os Vinte livros até aos vinte. Junte-se tudo, crie-se uma relação de títulos e coloque-se nas mesas onde os jovens de 17 aos 24 habitualmente estudam – sala de leitura de adultos –, e junto aos postos de acesso à Web.
foto aqui

Meu querido Corto Maltese

Excelentes notícias: a Bedeteca de Lisboa vai levar a cabo um grupo de leitores de banda desenhada, com a colaboração de Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura. Desde já os parabéns do adrian pela iniciativa, nomeadamente pelo facto de a idade mínima ser os 16 anos (desmistifiquem-se a bd como género só para gente pequena) o que irá, com certeza, afirmar a graphic novel (Como se diz por cá? Romance gráfico?) entre, pelo menos, os participantes desta actividade. Esperemos ecos da iniciativa. Vejam apresentação do projecto aqui, e notícia nos blogues do Adalberto e do Bruno.
Já agora, e porque tinha este post em banho-maria, aqui vai: uma pequena banda sonora para uma das sessões, caso leiam Hugo Pratt, será o cd Tango, do Trio Esquina que, em tempos, acompanhou a obra do mesmo nome em mais uma aventura de Corto Maltese. Uma excelente interpretação que nos põe em Buenos Aires em poucos segundos. Mas, se eventualmente não tiverem esse CD (não saiu com todas as edições da versão impressa), poderão sempre associar à discussão o poema da canção Meu querido Corto Maltese, da autoria de Vitorino e maravilhosamente interpretada por Filipa Pais no seu disco À porta do mundo. Encontram a letra da mesma aqui.

Desculpem lá esta mania do adrian de juntar claves do sol, vogais e consoantes, mas ele acha que faz todo o sentido.
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sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Sou todo ouvidos II

Para quem não teve oportunidade de assistir, no ano passado, às conferências sobre áudio livros realizadas em Lisboa (ver post do adrian aqui), pois tem agora mais uma oportunidade de ouvir falar sobre esta forma de escutar as letras, que tão bem poderá agarrar os jovens à palavra escrita, na forma dita. A 15 de Abril, pelas 18 horas, no Auditório do Goethe-Institut Portugal em Lisboa. Do Goethe Institut:

A arte acústica e os audiolivros estiveram em destaque no Goethe-Institut Portugal no último ano. Depois de um animado debate na conferência realizada no final de Novembro de 2007, queremos agora aprofundar a discussão com mais um evento dedicado ao tema. Após consultar várias editoras ligadas a esta área, seleccionámos como tema do próximo evento a comercialização, distribuição e marketing de audiolivros. Dos desafios criados pelo download de ficheiros áudio à gestão de uma loja online, pretendemos incentivar o debate relativamente a práticas inovadoras de comercialização e marketing, tais como parcerias com empresas de aluguer de automóveis e estações de serviço, sem nunca esquecer a importância do contacto e cooperação com as livrarias tradicionais. A mesa redonda contará com a presença de editores portugueses e um especialista alemão.

Participantes:

Sra. Anke Hardt, Directora Comercial da Hörverlag de Munique
Sra. Sandra Silva, Gerente da 101noites
Sra. Albertina Dias, Gerente da Solutions by Hardt
Sr. João Cabral, Editor da MHIJ Editores

Moderação: Sr. José Afonso Furtado, Fundação Gulbenkian
O adrian aconselha e recomenda. Cliquem aqui para mais informações.
imagem aqui

Eu que me comovo

Não sendo fácil encontrar qualquer uma das obras – mas para isso é que também servem as bibliotecas –, aqui vai uma dica que poderá servir para introduzir os jovens à escrita de um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Eu que me comovo por tudo e por nada é um cd de Vitorino, datado já de 1992 e vencedor do Prémio José Afonso de 1993. Com excepção da faixa 12, todos os temas têm letra de António Lobo Antunes. Aliás, a Dom Quixote acabou, anos mais tarde, por lançar versão impressa das mesmas, a que deu o nome de Letrinhas de Cantigas. Com títulos tão curiosos como Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto, Canção para a minha filha Isabel adormecer quando tiver medo do escuro ou Valsa das viúvas da pastelaria Benard (homenagem a Alexandre O'Neill), se ALA nos diverte e emociona como ninguém, muito ao estilo das suas habituais crónicas, Vitorino dá-lhe uma roupagem digna, bem musicada e com uma interpretação extraordinária. Excelente para grupos de leitores, apresenta-se como mais uma forma de dar a provar a sopa ;-)
Aqui fica um cheirinho, da faixa Todos os homens são maricas quando estão com gripe:
Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragotoas
Vinho com mel
3 aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas, diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Vejo os demónios
Nas suas danças
Tigres sem litras
Bodes de tranças
Choros de coruja
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
Á cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão-de-ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sozinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer.

ANTUNES, António Lobo. Letrinhas de Cantigas. Lisboa : Dom Quixote, 2002. 55 p. ISBN 972-20-2359-4.
foto de Vitorino por Manuel Lino aqui
foto de António Lobo Antunes aqui

quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Porque é Abril

Bob Dylan foi galardoado, esta semana, com um prémio Pulitzer. A ideia foi distinguir o «profundo impacto que a sua obra teve na música popular e na cultura» dos Estados Unidos da América e o reconhecimento do «extraordinário poder poético» das suas composições. Dylan entra pelas salas de aula, nos EUA, com uma facilidade impressionante (leia-se, a este propósito, Voices of the Sixties and the Modern Poetry Slam, prestando particular atenção a Dylan and the protest song). Mr. Tambourine Man, The Times They Are A-Changin ou Blowin’ In the Wind servem de suporte para a introdução, não só à poesia, mas também à História, junto dos jovens.
E por cá? Não existiram Bob Dylan’s? Na mesma década e com as mesmas motivações? Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira não desempenharam iguais papéis? Manuel Alegre e Ary dos Santos, não imortalizaram o sentir de um povo? De forma poética, bela, sentida? As palavras das cantigas e A praça da canção, não poderão entrar por essas salas de aula adentro? Por essas bibliotecas? Poderão pois. Quanto mais não seja agora, que é Abril.
ALEGRE, Manuel. A Praça da Canção. Lisboa : Campo das Letras, 1998. 208 p. ISBN 972-610-084-3.
SANTOS, José Carlos Ary dos. As palavras das cantigas. Lisboa : Editorial Avante, 1993. 200 p. ISBN 972-550-210-8.
Acompanhe-se à viola, com cd´s de Adriano e Zeca. Fale-se da intervenção, do protesto, da contestação que é agora apanágio do HIP HOP e do RAP (ou não fosse este último sigla para rythm and poetry). Ao fim ao cabo a poesia está lá toda, o ritmo é que é diferente.
foto Zeca aqui
foto Dylan aqui

segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Intermezzo


Intermezzo, s. m. (pal. ital.). Representação ligeira que se efectua entre dois actos de uma ópera ou drama. Trecho curto que liga as divisões principais de uma obra musical.

O fim último deste blogue sempre foi abordar tudo o que dissesse respeito a uma faixa etária que, nas bibliotecas, não encontra oferta para lá da que cumpre as necessidades formativas, no sentido mais estrito da palavra. Promove-se a leitura junto de públicos adultos, junto de crianças e, mesmo em relação aos adolescentes até aos 15 anos, as iniciativas vão surgindo. E a partir daqui? Porque é que, quando tantas vezes se fala em promoção da leitura para adolescentes, tudo acaba no 3º ciclo? A adolescência termina aos 15? Das Nações Unidas, a propósito da definição de jovens:

The United Nations (…) defines “youth”, as those persons between the ages of 15 and 24 years (…) within the category of “youth”, it is also important to distinguish between teenagers (13-19) and young adults (20-24)

Tivesse-se o supracitado como trave mestra para um balizar de faixas etárias e talvez a reflexão e consequente acção fosse outra. Encare-se o fim da escolaridade obrigatória e o início da integração no mercado de trabalho (ou seja, as idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) como alvo natural de acções de promoção da leitura (que, aliás, viriam na sequência de tudo o que teria sido empreendido até então e subsequentemente) e talvez os resultados espantem os mais cépticos.

Mas porquê toda esta prosa, perguntar-se-ão? Poderá parecer questão de lana caprina mas o adrian, a partir de agora, terá um complemento de título diferente: de adolescentes e jovens adultos em biblioteca públicas passar-se-á para dos 15 aos 24 anos em bibliotecas. Tal reflecte, acima de tudo, os públicos sobre quem se fala e para os quais se quer trabalhar. Pretende-se, também, criar uma distinção explícita em relação a recomendações de leitura, uma vez que, se já existem ferramentas para a promoção de determinados títulos até final do 3º ciclo, a partir daí a oferta é mínima. Por último esta alteração pretende evitar aquilo que, por vezes, já terá acontecido a alguns dos que lêem estas linhas: sob um título de promoção de leitura para a adolescência, o indíviduo depara-se - em conteúdos impressos, páginas web ou outras situações -, com know-how sobre as idades até aos 15 anos, quando o que se pretende é, precisamente, conteúdos a partir dessa idade (a exemplo do que acontece com o SOL, da FGSR, com sugestões de leitura bem delimitadas, entre as quais a faixa dos 15 aos 18 anos).

Se repararem, desaparece também a menção públicas. Isto porque, se se quer um trabalho continuado de promoção da leitura, ele passar-se-á na biblioteca escolar (até final do secundário), e prolongar-se-á pela universitária, com omnipresença da pública. Os EUA, na primeira metade do século XX, tiveram amplos programas, espaços e colecções dedicados à literatura de lazer, nas suas bibliotecas universitárias. A partir de meados de ’50, resolveram inverter o posicionamento estratégico, tornando-se exclusivamente instrumentos de apoio ao estudo e à investigação. Ao fim de todos estes anos, estão a voltar à promoção da leitura. E porquê? Porque os estudantes universitários americanos, de forma geral, lêem pouco ou nada para lá do que está associado às tarefas académicas. Portugal não será um caso muito diferente, pelo que também esta vertente da promoção da leitura, cultura, educação e informação, junto dos estudantes do ensino superior, será aqui abordada. E já temos quem ponha mãos à obra, cá pelo rectângulo: a título de exemplo, esteja-se atento ao trabalho de Pedro Estácio à frente da Biblioteca da Faculdade de Letras... e não é exemplo único. Assim, a menção bibliotecas, isoladamente, permitirá a inserção de conteúdos sem incongruências.

Então, e o Adrian? Haverá lógica em manter a personagem? Claro que sim. Esta criação de Sue Townsend teve direito a 6 obras, que se estendem desde os seus 13 anos e ¾ (The growing pains of Adrian Mole, aged 13 ¾ - editado em 1982) até aos 33 e ¾ (Adrian Mole and the Weapons of Mass Destruction – editado em 2004). Com os mesmos amores e desamores por Pandora.

Intermezzo terminado, uma última nota: estejam atentos pois, para quem se interessa por estes assuntos, em breve o adrian trará quentes e boas (que justificarão também a diminuição no ritmo dos posts). Um abraço!

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quinta-feira, 3 de Abril de 2008

The Original Search Engine


O Ministro da Cultura - presente em Figueiró dos Vinhos para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil - exortou as autarquias a trabalharem em rede, "em vez de organizarem iniciativas isoladas que não passem para além das paredes dos respectivos cine-teatros ou bibliotecas municipais" (notícia aqui). Será que é desta que vamos ter um Pregunte? Ou não fossem os bibliotecários "The original Search Engine" :-)
imagem aqui

segunda-feira, 10 de Março de 2008

Trilhos

Uma caminhada de bloguistas ligados a bibliotecas, arquivos, documentação e ciências da informação é o que nos propõe o Pedro Príncipe (ver aqui). Aliar lazer e discussão, em ambiente informal, com um cansaço de trilhar caminho à mistura (que, por sua vez, é amenizado por uns bons copos de tinto do Douro), é uma grande iniciativa! E o percurso – do Pocinho a Barca D’Alva, pelo caminho-de-ferro –, é espantoso!

O adrian bem quer ir, mas o respectivo bonecreiro está com problemas de calendário...
foto aqui

sexta-feira, 7 de Março de 2008

Andar espantado de existir

J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Christopher Paolini, Stephenie Meyer, todos estes autores remetem para um género literário que invadiu, nos últimos anos, não só as estantes de livrarias e bibliotecas, como também alterou - positivamente - os hábitos de leitura de adolescentes e jovens de todo o mundo. Quais os motivos para tal explosão do "fantástico", que cativa até os públicos mais renitentes? Da entrevista de Maria do Rosário Monteiro ao DN:

“O público procura, compra, lê. Os editores e os próprios autores contactados pelo DN avançam a teoria, consensual entre eles, de que a literatura fantástica tem os seus momentos mais altos em tempos de desencanto e confusão. A professora Maria do Rosário Monteiro confirma esta ideia no estudo A Afirmação do Impossível: "Durante o século XX, a sociedade ocidental enfrentou várias crises que abalaram profundamente valores tidos como incontestáveis", adianta a docente de Estudos Portugueses na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (da Universidade Nova de Lisboa). "A física estilhaçou o universo newtoniano, a psicologia descobriu o inferno no íntimo de cada ser humano, o indivíduo perdeu referências e solidariedades que contribuíam para uma certa estabilidade emocional." (…) "Num mundo caótico, à beira do holocausto global, Tolkien abriu verdadeiramente o caminho que muitos trilharam depois, descobrindo novas vozes, novos mundos, oferecendo formas eficazes de escapismo", diz. O género fantástico ganhava um fôlego maior.”

Associar a este “fôlego” obras de autores portugueses afigura-se como algo incontornável, nomeadamente junto de adolescentes e jovens adultos. Aconselha-se, assim, As aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira. José Jorge Letria afirmou, a propósito desta obra:

“poucos livros conseguiram operar de forma tão nítida este prodígio: foi escrito para a juventude, mas os chamados adultos identificaram-se plenamente com o universo mágico que ele encerra".

Um livro que é mais que uma história fantástica, é também uma crítica mordaz ao Fascismo. Do CITI – Centro de Investigação para as Tecnologias Interactivas:

“A crítica de Alexandre Pinheiro Torres a esta obra (in “Vida e Obra de José Gomes Ferreira”), é clara e deixa praticamente tudo dito acerca dela: "Livro sem qualquer paralelo na literatura europeia de hoje, ganha no confronto em relação a outras célebres alegorias políticas como "Animal Farm" de Orwell, ou as de Karel Capek. É que há (...) uma audácia à Swift ("Gulliver's Travel") de transfiguração e simbologia política que transcendem de bastante longe o burocratismo imaginativo de Orwell ou de Capeck, sem verdadeiras raízes nas tradições populares ou folclóricas que conferem a estas 'Aventuras' o seu carácter único".”

Junte-se-lhe um surrealismo muito familiar ao nonsense a que nos habituaram, por exemplo, os Gato Fedorento, e temos uma excelente referência literária para o nosso público. Como se não bastasse, a obra – editada pela D. Quixote –, surge agora em formato de bolso – portátil, logo, atraente para leitores mais novos –, no âmbito da nova colecção booket. No site desta colecção encontramos preços a condizer com o tamanho e, por último mas não de menor relevo, possibilidade de download do primeiro capítulo deste título.
O adrian sugere uma forma de o promover nas bibliotecas públicas e/ou escolares: colocar o livro em destaque, com a citação que se segue, correspondente à que João encontra escrita no Muro, quando se prepara para entrar no mundo fantástico:
É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR
Não deixa de ser curioso que esta frase se identifique tão bem com os motivos supracitados que avalizam o gosto por este género literário: os “tempos de desencanto e confusão”. Tudo se encaixa.

FERREIRA, José Gomes. As aventuras de João Sem Medo. Lisboa : Booket, 2008. 176 p. ISBN 978-972-2035-53-8.
foto de pormenor das Tentações de Santo Antão (Hieronymus Bosch),
que ilustra a mais recente capa d’As Aventuras de João sem Medo aqui

sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Rutka e Nina

O adrian recomendou, recentemente, duas obras de carácter biográfico: Uma longa caminhada e A espingarda do meu pai retratam vidas diferentes das dos nossos adolescentes e jovens, existências marcadas pela guerra e pelo sofrimento. Como ambas as sugestões parecem adequadas a um grupo de leitores para as faixas etárias que aqui se destacam e porque a identificação com o protagonista pode ser importante para a apropriação do conteúdo (já lá diz Pennac que temos o direito – inalienável -, de amarmos os heróis dos romances), aqui vão duas dicas para complementarem os destaques anteriores: O diário de Rutka, de Rutka Laskier e Eu quero viver, de Nina Lugovskaia. Enquanto o primeiro se debruça sobre o quotidiano de uma rapariga polaca num gueto judeu, durante os meses de Janeiro a Abril de 1943 (acabando por encontrar a morte em Auschwitz), o segundo aborda a vida da adolescente Nina na URSS de 1932 a 1937, a censura, as perseguições, o terror estalinista e a deportação de toda a família de Nina para a Sibéria. Um excerto da recensão sobre O diário de Rutka (ver aqui), no Bibliotecário de Babel:

“Desengane-se, porém, quem pensar que o livrinho de Rutka é uma espécie de amostra do que se encontra, mais desenvolvido, nos escritos da outra mártir (O diário de Anne Frank). Se as preocupações são as mesmas, o estilo diverge. Não há aqui nada que se pareça com o “Querida Kitty” e o tom é muito mais seco, objectivo, pouco dado a arroubos sentimentais. Rutka tem noção de que está no inferno, de que o cerco se vai apertando e de que dificilmente sobreviverá a uma guerra cuja evolução militar mostra conhecer bem. Se escreve, é para deixar um registo — como quando narra com grande detalhe, seis meses após os factos, uma Aktion de deportação feita pelos nazis sobre os judeus de Bedzin, em Agosto de 1942.”

E a opinião da Time Magazine (ver aqui) sobre Eu quero viver:

“Could do for the horrors of Stalinism what the diary of Anne Frank did for the Holocaust…the tragedy of Nina Lugovskaya is that a lively, compellingly ordinary girl was made to suffer so grievously for being so human.”

Uma sugestão: num grupo de leitores, dar-lhes a elas as obras de Ishmael Beah e Hiner Saleem e a eles as de Rutka e Nina. Depois, podem trocar.
LASKIER, Rutka. O diário de Rutka. Lisboa : Sextante, 2007. 80 p. ISBN 978-989-8093-38-7.

LUGOVSKAIA, Nina. Eu quero viver. Lisboa : Casa das Letras, 2005. 324 p. ISBN 978-972-4616-16-2.
foto de Rutka aqui e de Nina aqui
capa d’ O diário de Rutka
aqui e de Eu quero viver aqui

terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Correntes de Jovens

Boas notícias, também, do Correntes D’Escritas (sugere-se a excelente cobertura pelo José Mário Silva). Mas, acima de tudo, o adrian regista estas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, também na última edição do semanário Sol:
Depois, mais uma hora de debate. Escola, Internet, televisão e livros. Leitura, preferências, hábitos, estilos. Tudo em apreciação.”
E prossegue:

Auditório Municipal apinhado (de jovens). Muitas centenas de ouvintes. Dezenas de estudantes. Com intervenção.”

Bom, não é? Ainda por cima, "com intervenção"!

imagem aqui

PERSEPÓLIS II

Falou-se aqui em Persépolis, de Marjane Satrapi. Os jornais do último fim-de-semana dão-lhe destaque. Mais pela estreia do filme no nosso país e presença na lista dos nomeados ao Óscar de Melhor Filme de Animação, do que pela bela obra que é o título na sua versão impressa. Perdeu para Ratatui, o que qualquer pessoa lúcida que tenha lido a obra e/ou visto o filme de Marjane achará, no mínimo, patético. “Persepólis comove, da cabeça aos pés”, diz Gonçalo Frota, no semanário Sol. Só se pode concordar.

Boas novas são, para além da entrada da película no circuito comercial, as palavras de Rui Brito, da Polvo, à última edição do já mencionado jornal: pensa “retomar a actividade editorial este ano”. Uma das obras a ser publicada será o 2º volume de Persépolis.

Aguarda-se esse lançamento. O adrian jura que compra um, e sugere a aquisição a todas as bibliotecas, juntamente com o 1º volume.
imagem aqui

quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Uma arma para a promoção da leitura

Em linha com a recomendação anterior – e porque biografias e autobiografias são um género particularmente atraente para adolescentes (texto in International Reading Association) –, apresenta-se mais uma proposta de leitura, que integra a Booklist 2004/2005 da American Library Association. Obra de Hiner Saleem, tem por título A espingarda do meu pai. Da contracapa, um excerto:

Chamo-me Azad Shero Selim. Sou o neto de Selim Malay. O meu avô tinha muito humor. Dizia que tinha nascido curdo numa terra livre. Depois chegaram os Otomanos e disseram ao meu avô: tu és otomano. Após a queda do Império Otomano, tornou-se turco. Os turcos foram embora e ele voltou a ser curdo no reino de Cheikh Mahmoud, Rei dos Curdos. Depois chegaram os ingleses e, então, o meu avô tornou-se súbdito de Sua Graciosa Majestade e chegou, até, a aprender algumas palavras em inglês. Os ingleses inventaram o Iraque, o meu avô tornou-se iraquiano, mas nunca chegou a compreender o enigma desta nova palavra, Iraque, e até ao seu derradeiro suspiro não sentiu qualquer espécie de orgulho em ser iraquiano; o seu filho, meu pai, Shero Selim Malay, também não. Mas eu, Azad, era ainda um miúdo.

Sobre a obra:

Mais do que um manifesto político, A Espingarda do Meu Pai é o relato, de uma simplicidade desconcertante, da luta permanente do povo curdo para conservar a sua identidade cultural. Ainda que na vida quotidiana sejam constantes o horror, a fome e o exílio, o jovem narrador mantém inalterada a vontade de viver, o bom humor e os sonhos. Ligado à causa da liberdade curda, ele não se sente obrigado a apresentar os seus compatriotas como santos ou heróis, mas sim como pessoas normais, cheias de qualidades e defeitos, impregnadas de uma verdade e de uma singeleza que as torna imediatamente familiares ao leitor. O pai que nunca se separa da sua velha espingarda russa, a mãe que concorda com ele em todas as circunstâncias, o primo que cria pombos acrobatas, o irmão que combate nas montanhas, todos eles são personagens de uma galeria inesquecível que nos ajuda a mergulhar num dos dramas mais pungentes da realidade política contemporânea, dando-nos a conhecer os contornos de uma situação que ninguém quis ainda resolver.

E sobre o autor:

Hiner Saleem nasceu em 1964, no Curdistão iraquiano. Depois de viver alguns anos em França, como exilado político, mudou-se para Itália, vivendo agora em Paris. Também realizador de cinema, a sua última longa-metragem, Vodka Lemon, obteve o prémio Contra-corrente do Festival de Veneza. A Espingarda do Meu Pai está traduzido em vinte línguas.

O adrian aconselha especial atenção ao texto da International Reading Association. E, já agora, porque não aproveitar os livros de Ishmael Beah e de Hiner Saleem para um grupo de leitores?
SALEEM, Hiner. A espingarda do meu pai. Porto : ASA, 2004. 94 p. (Documentos). ISBN 972-41-4041-5.

Uma pequena (grande) adenda...

…ao último post aqui publicado. A Clara deu uma dica valiosa ao adrian (que desde já agradeço!): Carlos Vaz Marques esteve à conversa, a 21 de Janeiro deste mês, com Ishmael Beah, no seu programa Pessoal e Transmissível.

Um testemunho impressionante e que servirá, com certeza, de introdução, aperitivo, indutor de apetite (ou o que mais lhe queiram chamar) à leitura da obra Uma longa caminhada.

Reúnam os adolescentes na sala multimédia, na sala de aula ou na biblioteca escolar, sigam o link para o podcast da TSF (aqui) e ouçam, na íntegra, a entrevista ao menino-soldado que agora é homem-paz.

quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Uma longa caminhada


Os prémios Alex 2008 já foram anunciados. Destes, apenas um se encontra traduzido e editado entre nós, pela Casa das Letras: Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado, por Ishmael Beah (na foto). Da badana:

Em Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado, Ishmael Beah – hoje com vinte e seis anos –, conta-nos uma história fortemente cativante: com doze anos fugiu a um ataque de rebeldes e vagueou por um país tornado irreconhecível pela violência. Com treze, fora recrutado pelo exército do governo e, embora no seu íntimo fosse um rapaz meigo, descobriu que era capaz de actos verdadeiramente terríveis. Com dezasseis anos, foi afastado dos combates pela UNICEF e, com a ajuda dos funcionários do centro de reabilitação, aprendeu a perdoar-se, a recuperar a sua humanidade e, por fim, a sarar. (…) O autor nasceu na Serra Leoa, em 1980. Mudou-se para os Estados Unidos em 1998 e concluiu os dois últimos anos do secundário na Escola Internacional das Nações Unidas, em Nova Iorque. Em 2004 formou-se pelo Oberlin College com um bacharelato em Ciências Políticas. É membro do Human Watch Children´s Rights Division Advisory Committee e falou perante as Nações Unidas, o Council on Foreign Relations e o Center for Emerging Threats and Opportunities. Os seus trabalhos foram publicados pela VespertinePress e pela revista LIT. Vive em Nova Iorque.

Três notas do adrian: em primeiro lugar, o tema da guerra, mas vivido e relatado por quem nela participou, parece por demais relevante, neste mundo asséptico e ultra protegido em que pretensamente se procura educar os jovens. A realidade não é assim, e procurar escondê-la é querer tapar o sol com a peneira. Há quem seja soldado à força, aos treze anos, e essa é a história – verídica –, que Ishmael tem para nos contar; em segundo lugar, mais um título que, na generalidade das bibliotecas portuguesas – senão em todas –, está arrumado no sector de adultos. Deixem-nos entrar por essa sala dentro! Eles sentir-se-ão considerados, e isso é tão importante quando, nestas idades, o mundo dos mais velhos parece estar sempre em contradição com o dos adolescentes. Em terceiro lugar destaca-se o site criado pela editora Farrar, Straus and Giroux: em http://www.alongwaygone.com/, existem recensões à obra, ligações para a compra do livro – ou audiolivro –, datas das sessões públicas em que o autor estará presente, notícias de imprensa, conteúdos multimédia com entrevistas e, last but not least, um guia de leitura e um guia para o professor. Quem disse que tecnologia e literacia não se conjugam?

BEAH, Ishmael. Uma longa caminhada: memórias de um menino soldado. Cruz Quebrada : Casa das Letras, 2007. 281 p. (Biografias). ISBN 978-972-46-1727-5.

imagem aqui

sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Eu vi um gato...

… nas Bibliotecas Municipais de Oeiras. Aliás, muitos viram o mesmo gato. Tantos, que a sala “rebentou pelas costuras”.

Se a ideia era trazer ao espaço adolescentes e jovens adultos, pois a iniciativa resultou em cheio. E, para o provar, uma curiosidade: à entrada da Biblioteca uma empresa privada, de seu nome “Teen Academy” – explicações e afins –, distribuía folhetos promocionais. A iniciativa pública a ser aproveitada pela privada: no mínimo, curioso…

Ricardo Araújo Pereira falou da sua infância, percurso profissional, leituras, influências, de algumas fórmulas para escrever guiões, do SLB, mas sempre com tempo para umas piadas, imitações e, no final, autógrafos com fartura.

O bonecreiro do adrian fez um pedido a RAP: aproveitando a presença de tanta gente nova, porque não dar-lhes umas sugestões de leitura? Pois então, aqui vão elas: de Eça de Queirós, “A relíquia” e de Camilo Castelo Branco “A queda de um anjo” (se bem que algumas pessoas do público contestaram estas opções, mas RAP defendeu a escolha com base nos enredos, que considera hilariantes); de Jerome K. Jerome, “Três homens e um bote”; de Mário Henrique Leiria, “Contos do gin tonic" e “Novos contos do gin tonic”; de Miguel Esteves Cardoso, a generalidade das obras; “Boca do Inferno”, do próprio; e, por último, “Planeta do Futebol”, de Luís de Freitas Lobo.
Uma dica do adrian: façam uma lista com estas sugestões, coloquem-nas nas mesas da sala de leitura e junto aos postos de acesso à net, e dêem-lhe o título: “Recomendações de Leitura de Ricardo Araújo Pereira”. Juntem-lhe a foto deste post e, depois, digam de vossa justiça.
Um abraço!
mais uma notícia aqui

quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

To Read Or Not To Read

O National Endowment for the Arts publicou um relatório intitulado To Read or Not to Read: A Question of National Consequence, a que poderão aceder, na sua versão completa, aqui. Os dados são preocupantes, nomeadamente quando se tem a percepção dos serviços disponíveis, da dinâmica existente e da abrangência das bibliotecas públicas, escolares e universitárias americanas, em relação com a de outros países ocidentais. Acresce que, somando estes dados aos da Rede de Bibliotecas de Barcelona, a título de exemplo – ver aqui –, o panorama assume a sua dimensão global, para o qual se deve estar especialmente consciente.

Cita-se, do estudo:

Teens and young adults read less often and for shorter amounts of time compared with other age groups and with Americans of previous years. Less than one-third of 13-year-olds are daily readers, a 14 percent decline from 20 years earlier. Among 17-year-olds, the percentage of non-readers doubled over a 20-year period, from nine percent in 1984 to 19 percent in 2004. On average, Americans ages 15 to 24 spend almost two hours a day watching TV, and only seven minutes of their daily leisure time on reading.

O adrian continua a acreditar que os serviços terão de se entrecruzar mais, tal como os espaços em que os promovemos. Por essa razão, aqui se advoga o uso continuado das novas tecnologias para o despertar de hábitos de leitura. É também por esse motivo que se louvam actividades como os prémios de poesia na MTV (aqui), a leitura de outros géneros (aqui), em novos suportes (aqui), e em espaços inovadores (aqui). A fórmula será sempre a mesma, e está expressa na nossa sabedoria popular: quanto à perseverança, água mole em pedra dura…; e quanto à interacção, se não podes vencê-los...

Uma última palavra para o complemento de título deste estudo: A Question of National Consequence. Bem escolhido, não vos parece?
imagem aqui

quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Noite & Literatura

O adrian anda na cruzada novas tecnologias/promoção da leitura, e aqui está mais um exemplo digno de registo, aplausos, louvor, apreço, entre outros (se estiverem a ler este post acompanhados, é favor fazerem a onda).

A editora 101noites, que já aqui foi mencionada várias vezes, a propósito de audiolivros (nomeadamente a colecção Livros para Ouvir e o projecto Wordsong), tem um site de seu nome Guia da Noite. E o que é que isso tem que ver com promoção da leitura? Simples: os jovens gostam de sair à noite, não gostam? E gostam de saber onde ir, quais os concertos, quais os eventos, as festas, não gostam? E onde vão os jovens, hoje em dia, procurar a informação? À Internet, certo?

Ciente desta realidade, a 101noites criou este espaço virtual em que, entre agendas de tudo e mais alguma coisa que acontece após o sol se pôr, guias de restaurantes, bares, cafés e discotecas, lá vai promovendo os seus audiolivros, a sua colecção de bolso e outras obras, como por exemplo, a fotobiografia dos Xutos. Dica do adrian: na ligação 1001 Noites, do lado esquerdo da página, encontra-se uma selecção de excertos literários, sobre… a noite! Delicioso!

Como uma boa nova nunca vem só, a 101noites também edita o Guia da Noite Lx Magazine, que é distribuída gratuitamente nos “principais poisos da noite lisboeta” e que, para além disso, pode ser descarregada directamente da página web. À semelhança do site, também a revista fala da noite, mas acrescentando-lhe um toque literário. A título de exemplo, a edição de Fevereiro (nº 2), traz uma entrevista com o José Luís Peixoto.

Excelente!

imagem aqui

domingo, 20 de Janeiro de 2008

Jukebox Literária

As Bibliotecas de Londres promovem, desde 2005, o Black Poets Ink, que mais não é que uma página web dedicada à poesia de autores negros.
O site inclui recursos para textos (Read), ligações para ficheiros áudio com declamações on-line, por voz própria de alguns dos escritores (Listen), informações sobre oficinas de escrita (Write), e ligações genéricas sobre poesia (Links).
O adrian destaca a primeira ligação após um clique em Listen. A 57productions oferece a maravilha que acima se vê: uma jukebox de poesia!
Mais uma referência a ser colocada junto aos acessos à net da biblioteca, não?

quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Lua Nova

Lua Nova, de Stephenie Meyer, ganhou o Teens’ Top Ten 2007, da Yalsa. Mais de 6000 leitores adolescentes escolheram este título, felizmente já editado em Portugal pela Gailivro. A obra faz parte de uma trilogia (Luz e Escuridão), completada por mais dois volumes: Crepúsculo (também premiado, com o Top Ten Quick Picks for Reluctant Young Adult Readers 2006) e Eclipse (a ser lançado por cá em 2008). Cita-se, da revista Os meus livros:

“Qual é então o segredo de Meyer? O mesmo de todo e qualquer best-seller: personagens não muito complexos que permitam uma identificação cabal dos leitores, uma escrita pouco elaborada e de estilo invisível e uma história que reúna os elementos-chave de uma mitologia fantástica bem estabelecida e facilmente identificável. E, tratando-se de uma série para adolescentes, a tensão erótica (nunca concretizada) e o frisson da morte que acompanha os grandes romances (Romeu e Julieta remastigado uma vez mais), aliados a uma inocente insinuação de mau comportamento servem de iscos irresistíveis.”

Uma epopeia amorosa de vampiros que parece estar a dar a volta à cabeça dos jovens. Refira-se, a título de exemplo, que o terceiro volume – Eclipse –, destronou o último Harry Potter na lista de mais vendidos do New York Times.
Dica do adrian: coloque-se este link junto aos acessos à Net, na biblioteca: é um blog português sobre a trilogia. É que nem sempre o caminho mais curto entre dois pontos é a recta ;-)

Mais informações consultar:
SEIXAS, João – “Harry Potter e os vampiros adolescentes”. Os meus livros. (Jan. 2008), p.37.
foto aqui

quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Boa, boa, boa…

Excelente pretexto para convencer um adolescente a ir à biblioteca para que, pelo menos, tome consciência dos serviços – gratuitos –, que lhe são oferecidos. Neste ano de 2008, em que as Bibliotecas Municipais de Oeiras darão um particular enfoque aos adolescentes e jovens adultos, iniciam-se as hostilidades com uma presença de peso: Ricardo Araújo Pereira.

A iniciativa Café com Letras tem o fedorento como convidado e Carlos Vaz Marques como anfitrião. Falar-se-á de livros, de leituras e, com certeza, haverá parvoíce. É ou não é uma iniciativa boa, boa, boa…

Próximo dia 30 (quarta-feira), pelas 21.30, na Biblioteca Municipal de Oeiras.
foto aqui

quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Qualidade


A imagem que ilustra este post corresponde à agenda cultural da biblioteca da Escola Secundária de Campo Maior. Brutal!
Se, cada vez mais, as tecnologias da informação e comunicação devem ser envolvidas na promoção da leitura e dos serviços prestados pelas bibliotecas, pois aqui está um exemplo digno de registo. Uma mancha gráfica extraordinária, apelativa e actual, que atinge na mouche o público-alvo. Sem ser pueril e sem ser demasiado “adulta”, corresponde precisamente ao perfil de alunos do secundário e, com certeza, terá as suas repercussões na afluência de público e no envolvimento do mesmo nas actividades propostas. Possibilita a impressão e está disponível on-line.

O blog acede-se por aqui e lá encontram a ligação para a agenda (frente e verso). O adrian não faz a mínima ideia de quem terá sido o autor, mas desde já aqui lhe endereça os parabéns pelo trabalho de qualidade realizado. Esta newsletter está fantástica!
imagem aqui

domingo, 6 de Janeiro de 2008

Irascível

Este post é forçado. E é forçado na medida em que o que move o autor a fazê-lo é a sua admiração pessoal por Luiz Pacheco, que faleceu aos 82 anos, e não uma particular ligação a bibliotecas e adolescentes. Aqui fica o link para o Bibliotecário de Babel, com um texto digno da pessoa que homenageia. Aqui encontra um extracto da melhor prosa que já se fez neste País, o conto Comunidade.

Mas, já agora - e porque não? -, aproveitar para ler a essa malta mais nova algumas passagens do mesmo, num grupo de leitores ou numa sala de aula? É que, se o que inspirou Luiz Pacheco a escrever esse texto foi um período particularmente complicado da sua vida, então aí está o exemplo de como tempos adversos – miséria, para ser mais correcto –, podem alavancar a criatividade e traduzir-se em genialidade (pois é de um génio que falamos).

Por último, e porque tanto se leu, nos bancos de liceu, da obra de Gil Vicente – que provocava risinhos e olhares matreiros pelo politicamente incorrecto dos vocábulos que ia surgindo –, pois aproveite-se este Coro de escárnio e lamentações dos cornudos em volta de São Pedro e faça-se o mesmo exercício. Delicioso!

Um abraço ao mais irascível dos irascíveis!
Foto aqui

Comer a sopa

Há muitas formas de comer a sopa. E, por vezes, até se fica a gostar. Tal como a Coca-Cola que, se se estranha ao início, acaba por ficar entranhada (Pessoa dixit). Por isso, aqui vão algumas sugestões para a sala de aula, para o espaço multimédia da biblioteca ou para animar um grupo de leitores adolescentes e jovens adultos:

Composto de Mudança: música para se deixar levar, conta com dez composições construídas a partir de poemas de autores portugueses (como Camões, Eugénio de Andrade, António Gedeão e Manuel Alegre) e interpretadas por Pacman, Sam The Kid, Kalaf, Marta Dias, Melo D, entre outros;

Wordsong Al Berto (livro+CD) e Wordsong Pessoa (Livro+CD+DVD), são duas obras de interpretação musical e multimédia das obras de Fernando Pessoa e Al Berto. O projecto Wordsong é constituído por Alexandre Cortez, Nuno Grácio e Pedro D'Orey;

Mário Viegas no centenário de Almada Negreiros, apresenta-nos Mário Viegas a recitar o Manifesto Anti-Dantas e ainda obras de Fernando Assis Pacheco, Manuel da Fonseca, Nicolas Guillen, Jorge de Sena, Vinicius de Morais e Eugénio de Andrade. Sem a actualidade dos intérpretes acima referidos, mas com a imortalidade da voz de Mário Viegas.

Venha a sopa... de letras! ;-)
foto Composto de Mudança aqui,
Wordsong Al Berto e Pessoa aqui e Mário Viegas aqui

quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Geração Y

Um estudo da Pew Internet & American Life Project revela que, apesar de a Internet ser usada como principal fonte de informação, a Geração Y – 18 aos 30 anos –, é uma das maiores e mais regulares frequentadoras de bibliotecas, com 65% dos inquiridos desta faixa etária a afirmarem que acima de tudo procuram o livre acesso à web e 58% procuram referências literárias. Ainda de acordo com este estudo, os internautas são duas vezes mais propensos a visitarem as unidades documentais do que os que não utilizam a web. Cita-se uma das autoras do estudo, Leigh Estabrook, professora emérita da Universidade de Illinois:

"Esta descoberta vira de cabeça para baixo a nossa opinião sobre bibliotecas (...) O uso da internet parece criar uma fome por informação e são as pessoas que usam muito a rede que parecem estar mais dispostos a visitar bibliotecas".

Curiosa é também a comparação de dados entre este estudo e um outro, realizado em 1996, em que as pessoas da já referida faixa etária mencionavam, à altura, que as bibliotecas se tornariam cada vez menos relevantes. O que leva a autora a afirmar que “10 anos depois, os irmãos e irmãs mais novos dessas pessoas são os mais ávidos usuários de bibliotecas".

Para pouca relevância, não está nada mau! E o adrian convida à reflexão sobre o tema, nomeadamente nesta relação entre o ciberespaço e as bibliotecas físicas. Razão mais que suficiente para um investimento capaz nos portais, sites, blogs e OPAC’s das nossas BP’s.
notícia aqui e aqui
foto aqui

Isto sim, são Boas Festas!


Iniciativa da Rede de Bibliotecas Escolares, as Boas Festas '07-'08 foram materializadas em postal. Mas, que postal! Intitulado 10 boas razões para utilizar a biblioteca, é um exemplo de como um bom merchandising pode ajudar a promover a biblioteca - escolar ou não -, junto dos mais jovens. Acresce o facto de o mesmo estar disponível para todos – via web –, e de existirem duas versões: professores ou alunos. Excelente!

Os textos estão disponíveis aqui e aqui, e a respectiva ligação para download está aqui.
E, já agora, Boas Festas (é que ainda faltam os Reis :-)
P.S. - O seu a seu dono: o adrian teve conhecimento desta iniciativa através do Blog da Rede de Bibliotecas Escolares do Algarve. Bem-hajam!

Polémicas


Philip Pullman é um escritor britânico. Apresenta, no seu repertório, várias obras para crianças, adolescentes e jovens adultos. Uma trilogia, de seu nome His Dark Lights (Mundos Paralelos, editada pela Presença), tem dado que falar. O primeiro volume, em título original Northern Lights (em Portugal Os Reinos do Norte e adaptado nos E.U.A. para The Golden Compass), foi o mais premiado de todos. Ganhou a Carnegie Medal de 1997 para ficção juvenil e, em 2007, a Public’s CILIP Carnegie Medal por ter sido considerada uma das dez mais importantes obras de ficção para jovens dos últimos 70 anos. Figurou também no Top Ten Best Books for Young Adults 1997 e alcançou o primeiro lugar em 1996, no Guardian Children's Fiction Prize. Para além disso, o terceiro volume da trilogia – O Telescópio de Âmbar – venceu o Whitbread Book Award para crianças em 2001, que foi também considerado o melhor livro, algo inédito para uma obra dirigida a públicos mais novos. A trilogia ficou ainda em terceiro lugar em 2003, na Big Read Poll da BBC, e Pullman recebeu também o Astrid Lindgren Memorial Award de 2005.
E a controvérsia, onde reside?
Estreou, já no fim do ano, o filme A Bússola Dourada, com base no primeiro volume da trilogia. Por ocasião da estreia, um editorial do L'Osservatore Romano – orgão oficial do Vaticano – escreveu o seguinte sobre o filme e o autor da obra adaptada (in Fátima Missionária):

«uma saga gnóstica, anti-Natal e 'soixante-huitarde' (alusão ao movimento de rebelião estudantil em França em 1968) (…) Philip Pullman reivindica uma ideologia totalmente ateia e inimiga de todas as religiões, tradicionais e institucionais, e do cristianismo e do catolicismo em particular»

Associações cristãs e católicas americanas promoveram acções de boicote ao filme e ao livro e exerceram-se pressões para que a trilogia fosse retirada de bibliotecas e escolas. O adrian não leu a obra nem visionou a película, pelo que não poderá opinar acerca do assunto. Mas deixa aqui a opinião da American Library Association (de leitura e reflexão obrigatória), e uma certeza, com base nas palavras de Brendan Behan:


There is no such thing as bad publicity except your own obituary.


foto aqui

sábado, 29 de Dezembro de 2007

Espanto em terras de Gaudi!


Muito se tem falado, aqui no adrian, das Bibliotecas Públicas de Barcelona. A título de exemplo, convido-vos a recordarem os posts leituras da Catalunha e ! Atrapa a ese usuário !. Pois então, cá vai bomba: esta rede perdeu, de 2001 para 2007, quase metade dos utilizadores entre os 14 e os 24 anos! A idade média dos utilizadores passou de 19 para 31 anos em apenas 6 anos! Sendo uma rede tão dedicada ao envolvimento dos adolescentes e jovens adultos (aja’s), com actividades, serviços e instalações específicas para os mesmos, como se explica tal decréscimo? Dizem os responsáveis que a criação de novos locais para estudo levou à menor frequência por parte destes utilizadores, para além de o próprio fenómeno demográfico – envelhecimento populacional –, também ter contribuído para fazer baixar os indicadores. A biblioteca na Catalunha passou também a ser vista como um centro cultural e uma ferramenta de coesão social, com oficinas, conferências e espectáculos para diversos públicos – dando sentido à famosa expressão sala de estar da comunidade.
Uma coisa é certa. As actividades empreendidas – mesmo na perspectiva de Centro Cultural – não estarão a resultar da melhor forma, junto dos jovens. O que não deixa de ser preocupante, na medida em que falamos de profissionais competentes e com serviços inovadores. Mas a reflexão do adrian vai noutro sentido: já lá diz o provérbio que o mal de uns é o bem de outros, razão pela qual só nos resta é estar de olhos bem abertos para as novas que vêm de outras paragens. É que nem sempre o atraso civilizacional é sinónimo de desvantagem competitiva. Repare-se o caso em particular: temos públicos semelhantes, enfrentamos os mesmos problemas, mas a dinâmica nacional é menor. Estejamos pois atentos ao que se vai passando, nomeadamente aqui ao lado, e uma coisa é garantida: pelo menos não caímos nos mesmos erros, certo?
notícia e imagem aqui

quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Há quem atire…

... o barro à parede, a ver se cola. As BMO’s atiram as ideias, e elas funcionam!
Fala-se do Oeiras Internet Challenge, que aqui teve um post dedicado. No entanto, e como diz o adágio, uma imagem vale por mil palavras. Portanto aqui fica esta, do Auditório Municipal de Oeiras, onde se realizam as meias-finais e a final. De ambos os lados estão projectados os monitores dos concorrentes (contra a parede, estão a ver :-), para que o público acompanhe as pesquisas, feitas contra o relógio. Na tela central são exibidas as perguntas e a contagem do tempo, findo o qual se revela a resposta correcta.
O adrian sugere uma visita ao blog do evento (aqui), para mais informações, e uma especial atenção ao título (e texto) que lá se encontra: Aprender com as tecnologias. É que é disso mesmo que se trata!
foto aqui

quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Maria, a Anglo-Saxónica

Ontem, o adrian assistiu à apresentação da obra de Maria Filomena Mónica (MFM) – Cesário Verde, um génio ignorado –, na Biblioteca Municipal de Oeiras. E de que modo isso está relacionado com este blog? Da obra, na oitava página:

“Passei a ler «O Sentimento dum Ocidental» todos os dias, ouvindo, como Cesário, o ranger das chaves nas fechaduras, o tinir dos talheres num hotel e até, subindo das ruelas do vizinho bairro da Madragoa, as cantigas das varinas que já não há. (…) Não só lia como ouvia Cesário. Quando percebi que tinha de cotejar os poemas transcritos com os originais, decidi comprar um gravador moderno: apesar de a minha voz não ser a ideal, dei-me conta do prazer de ouvir, em vez de ler, os poemas. Só depois comecei a comprar cassetes e CD’s com poesia.”

Nem de propósito, mais uma achega para os recentes posts sobre audiolivros. Mas há mais, que esta senhora não pára. Ainda a propósito de jovens e leitura, leiam este trecho da entrevista à autora, na SIC Online:

"Aos jovens diz: «esqueçam a escola, esqueçam o que dizem os professores, esqueçam os termos da gramática e comecem a ler por puro prazer.» Aconselha a leitura da poesia em voz alta, principalmente a de Cesário Verde. Um poeta de quem, diz, é fácil gostar.”

Obviamente que é fácil, para MFM, dissertar desta forma: não é professora do secundário. Mas o adrian não pode deixar de lhe dar razão, quando se fala em leitura por prazer: esta não pode estar associada à obrigatoriedade académica. Tem de ser por gosto, por deleite. Daí que o que se vai escrevendo por esse mundo, sobre grupos de leitores adolescentes e jovens adultos – em ambiente escolar –, tenha subjacente duas premissas essenciais: nem os livros a ler podem fazer parte do curriculum, nem os orientadores dessas sessões devem ser professores dos participantes. Separa-se, assim, obrigação de devoção, o que traz sempre bons resultados.

A capacidade e coragem de MFM pensar, verbalizar e escrever o que lhe vai na alma, fruto de opinião própria e de estudo aturado, faz dela uma Maria… Anglo-Saxónica*. Aplaude-se!

* Não é por acaso que os ingleses têm o Speakers' Corner: qualquer um pode falar, desde que tenha algo interessante para dizer e alguém que o queira ouvir. Filomena Mónica reserva esse seu direito, e liberdade, para grande incómodo de muita gente que, neste país, acha que dissertar acerca deste ou daquele assunto está destinado a uma elite encartada do título académico respectivo. Já agora, o seu a seu dono: tive conhecimento da entrevista na Sic Online através do entreestantes. Bem-hajas, Bruno!
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terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

PISA

Que a torre cá esteja, compreende-se: para além de homónima do assunto em análise, convém que ninguém corrija a sua famosa inclinação. Assim é conhecida internacionalmente e local de romaria para todos os que visitam a cidade, com as mais-valias inerentes. Bastam pequenas intervenções, pontuais, para que não venha abaixo. Está bem assim.
Os números do PISA (Programme for International Student Assessment) – publicados hoje – é que não há forma de endireitarem, ao contrário do que seria de esperar. O que não deixa de ser curioso, porque também nos tornam famosos. Infelizmente, é fama que não traz proveito, será mais um sinal de desgraça. Do Jornal de Negócios:

“No que diz respeito às competências adquiridas no domínio da leitura, Portugal situa-se no 31º lugar de um ranking de 56 países, apesar de uma ligeira melhoria dos resultados, considerados «insignificantes pela OCDE». Note-se que esta lista é alargada a muitos países em vias de desenvolvimento que se juntaram ao PISA.”
Considerando que o estudo analisa as competências de alunos com 15 anos de idade, a reflexão do adrian será a de se continuar a trabalhar mais e melhor, em prol dos adolescentes, na promoção da leitura. E esperar que esta PISA não desabe…
Os dados relativos apenas a Portugal estão aqui.

foto aqui

domingo, 2 de Dezembro de 2007

Úteis e agradáveis

Continuando na senda dos audiolivros, a 101noites, A Boca e a MHIJ evidenciam-se no mercado nacional. O adrian andou a vasculhar estas três opções e encontrou o útil e o agradável. Do útil destaca-se a primeira, com uma política editorial bastante inteligente. A esse respeito cita-se Alexandra Carita, no artigo Ouvir os livros, incluso no Expresso desta semana:

“Não é por acaso que todos os autores seleccionados (para a colecção “Livros de ouvir”) fazem parte dos currículos de leitura obrigatória do Ensino Secundário. Sandra Silva, responsável pela editora, diz que esta é uma forma de ajudar os jovens a terem um primeiro contacto com os escritores que vão ter que ler, mas não esconde que, ao mesmo tempo, são os mais novos aqueles que mais depressa aderem ao novo formato, habituados que estão aos mecanismos das novas tecnologias. Todos os audiolivros da colecção podem ser adquiridos em formato CD acompanhados pelo livro em qualquer livraria, mas podem também ser adquiridos como um ficheiro de MP3 através do «site» da 101noites. E é aqui que as vendas têm sido mais acentuadas. Quem opta pelo ficheiro de MP3 paga 4,50 euros, quem prefere o CD gasta 13,90 euros. As vendas ainda não estão obviamente contabilizadas, muito menos está definido o perfil dos consumidores. Mas o «feeback» já é claro: adultos preferem o CD e o livro, jovens optam pela tecnologia mais avançada.”

Acresce o facto de esta editora ter escolhido um conjunto de nomes sonantes do teatro, televisão e cinema nacionais: Alexandra Lencastre (Florbela Espanca), José Wallenstein (Eça), Nuno Lopes (Camilo), Eunice Muñoz (Fialho de Almeida), João Perry (Mário de Sá-Carneiro) e São José Lapa (Pessoa). Vozes mais conhecidas criam uma mais rápida e forte empatia com o público, certo?

A Boca tem menos títulos disponíveis - quatro -, e uma política editorial que não parece - ressalvo, parece - tão assertiva. Mas o que lhe falta de útil acresce em agradável. O site está bastante apelativo e muito mais cool, o que não deixa de ser curioso: sem terem explícitamente a intenção de atingirem os jovens, acabam por o fazer fruto da sua “porta de entrada”, com os quais os mesmos se identificam. Para além disso, dos quatro títulos disponíveis, apenas um possibilita a aquisição em CD. Mas, que CD! A alegria de gostar, de Jairo Anibal Niño, tem ilustrações de Gémeo Luís, concepção e base sonora de Amélia Muge e voz de Changuito. A Boca tem também Maria do Céu Guerra a declamar a Tabacaria (Álvaro de Campos), para além de O tesouro (Eça), e A carta da corcunda para o serralheiro (Pessoa).

Destaque também para a MHIJ, com quatro obras no seu catálogo de audiolivros: duas obras de Luís Sepúlveda (As rosas de Atacama e O velho que lia romances de amor), uma de Paul Auster (O caderno vermelho), e uma de Agualusa (Passageiros em trânsito). Um site não tão conseguido como o das editoras anteriores, lamentando-se a impossibilidade de download e todo o aspecto gráfico. Aplaude-se a lista de títulos e, em particular, As rosas de Atacama (preferência pessoal, confessa-se). Excelente livro de contos, nomeadamente o que dá título à obra.

Conclui o adrian: A boca e a 101noites a fazerem um trabalho excelente, com uma política de preços semelhante, ambas com bastante que as recomende, uma por um lado mais pragmático - mas com inesgotável valia, ressalve-se -, e maior oferta, e outra pela vertente estética, com um interface agradabilíssimo e, concerteza, mais apelativo ao adolescente e jovem adulto (e também com nomes “de peso” a sustentarem as suas produções). A MHIJ conta com uma presença mais discreta na net mas nem por isso com títulos mais pobres, muito pelo contrário. O trabalho meritório que desenvolve teria, no entanto, bastante a ganhar, com a evolução da respectiva plataforma tecnológica.
Sugere-se, assim, a aquisição dos exemplares destas três editoras para empréstimo nas bibliotecas públicas (não são assim tantos, portanto, estiquem lá esses orçamentos). Já agora, exibidos nas áreas multimédia, junto aos pc’s de acesso ao público e com indicação dos respectivos sites. Ganha a unidade documental, ganham os utilizadores e ganham as editoras.
P.S. - Mea culpa! Só após a publicação deste post veio à memória do adrian a solutions by heart. Editora de audiolivros com 9 títulos publicados nas áreas infantil, ciências sociais, literatura e economia e gestão. Preços em consonância com o praticado pelas restantes editoras, um site graficamente apelativo mas ainda sem possibilidade de download. O projecto mibook, dinamizado pela editora e que se destina a futuras partilhas de conteúdos educacionais, culturais, científicos e de investigação, em forma de e-book ou audiolivro (em podcast), parece ser de particular interesse. Sugere-se a aquisição dos títulos, particularmente os dedicados aos mais novos (quatro, no total), e anseia-se pela disponibilização dos conteúdos on-line.
imagem é printscreen dos sites

Sou todo ouvidos

Os audiolivros andam na ordem do dia. A 21 de Novembro teve lugar a conferência “O futuro do audiolivro em Portugal”, com a 101noites a divulgar a recém-lançada colecção “Livros para ouvir” e os assuntos da edição, promoção da leitura e livro impresso versus livro sonoro a serem discutidos. No dia 29 o Goethe-Institut de Lisboa assistiu à conferência “A leitura no novo século: os audiolivros”, com a presença de duas representantes de editoras alemãs de audiolivros (uma das quais líder de mercado, com mais de 17.000 títulos disponíveis), uma representante de uma editora portuguesa - A Boca -, e moderação de João Morales, editor da revista “Os meus livros”. Este fim-de-semana abre-se o Expresso e a capa do suplemento Actual fala em... acertaram! Audiolivros!

A sessão do Goethe – única que se presenciou –, foi excelente. A Der Hörverlag ofereceu audiolivros em inglês – belíssimos, da BBC Audio –, e o adrian trouxe para casa uma colectânea de poemas de Dylan Thomas pela voz de Richard Burton, o “The Hobbit”, do Tolkien e uma gravação das aventuras do Super-Homem com uma produção arrepiante, em termos de efeitos sonoros.

Dos palestrantes retiraram-se dados interessantes: em 2002 a idade média do consumidor de audiolivros, na Alemanha, tinha 25 anos (se bem que esta faixa etária se tenha vindo a elevar); o interface com as novas tecnologias cria grande apetência para o consumo do audiolivro por parte de adolescentes e jovens adultos (a possibilidade de download do conteúdo, em formato MP3 e em detrimento da compra do CD, agiliza a aquisição e reduz o preço); o facto de se ouvir a história remete o indivíduo - mesmo que inconscientemente -, para a leitura em voz alta, na infância, transmitindo uma sensação de relaxamento e conforto; muitas das aquisições de audiolivros em formato CD, feitas por adolescentes, são-no porque os mesmos os encontram em lojas de música; o consumidor de audiolivros é jovem e dinâmico e a imagem que o produto audiolivro transmite é moderna; a falta de tempo e a necessidade de o rentabilizar ao máximo é campo fértil para o audiolivro, que permite o acesso à literatura no autocarro, no comboio, no metro, na deslocação a pé; a Associação de Livreiros Alemã divulgou dados que revelam que 30% dos jovens que adquiriram audiolivros afirmaram que também os seus hábitos de leitura cresceram; ouvir audiolivros colmata o excesso de apelos visuais a que actualmente a sociedade está sujeita; um último dado, interessante, foi o de já se realizarem sessões públicas de audição, com 1200 pessoas – muitas delas jovens -, em praças no centro das cidades.

O adrian reflete enquanto lhe passam pela cabeça as imagens do dia-a-dia actual, em que todo o adolescente e jovem adulto anda com uns fios ligados à cabeça. E, se em vez de música, estiverem a ouvir a Tabacaria?
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Provérbios, adolescentes e outras borbulhas

Ser julgador em causa própria é sempre algo complexo. Daí que esteja pendente agradecimento à Luísa por um seu recente post - c/ form forx lendo, axim irás vendo! – a propósito de uma ideia para a promoção dos provérbios portugueses em bibliotecas públicas, desenvolvida pelo bonecreiro do adrian.

Apresentada no 1º Colóquio Interdisciplinar sobre Provérbios (organizado pelo Instituto de Estudos de Língua Tradicional da Universidade Nova de Lisboa e pela Sociedade Finlandesa de Literatura) pretende-se, acima de tudo, que a literatura de tradição oral não morra, fruto da bela/horrível globalização. Aproveitam-se os espaços funcionais e a organização por assuntos dos documentos na biblioteca pública para lhes associar os adágios correspondentes, e transcrevem-se os mesmos de modo formal e em texting (linguagem sms). Vantagem dupla: os mais novos têm contacto com antigos ensinamentos e os mais velhos deparam-se com uma linguagem recente.

Comunicação disponível no E-LIS, para quem a quiser usar, assim lhe ache relevância e interesse. Apenas se pede o básico: menção de autoria.

Beira Alta...

... caminhadas, pão, vinho e outros enchidos, frente à lareira. Motivo forte para o adrian se ter retirado por uns dias. Voltou, com alguns quilos de felicidade a mais. Causa justa, portanto.
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sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Internet versus Televisão

Da imprensa desta semana destaca-se um estudo, levado a cabo pela Associação Europeia de Publicidade Interactiva, que indica que os jovens europeus despendem mais tempo on-line do que a ver televisão.

Seis em cada dez cidadãos europeus utilizam a Internet assiduamente e, no que concerne a jovens, estes preferem a World Wide Web à caixa que mudou o mundo. Oitenta e dois por cento da faixa etária entre os 16 aos 24 anos navega cinco a sete dias por semana, contra setenta e sete por cento de telespectadores regulares (uma quebra de 5% em relação a 2006). Mais de oitenta por cento afirmam “não poder viver” sem, pelo menos, uma actividade no ciberespaço.

Mais motivos para o reforço da presença on-line das bibliotecas públicas, para o incremento da formação de utilizadores em TIC’s e para se multiplicarem iniciativas semelhantes ao OIC.
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quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

OIC… e não, não é um porco :-)

É o II Oeiras Internet Challenge, realizado pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras!

As competências no âmbito da literacia da informação incrementam o sentido crítico, permitindo saber o que usar, quando usar e como usar, no que concerne à recuperação de conteúdos relevantes. Tal aplica-se ao texto impresso mas – e acima de tudo – à utilização da Internet.

No sentido de pôr à prova as capacidades de busca, escolha e apreciação da informação no espaço virtual, o OIC desafia os jovens utilizadores das BMO’s. Frente-a-frente estão duas equipas – num total de 56 –, que respondem a perguntas de cultura geral, utilizando a World Wide Web. São 14 horas de animação, que correspondem a cinco desafios eliminatórios. O encerramento, à noite, conta com a apresentação/animação de Jorge Serafim – humorista e contador de histórias – e decidirá qual a equipa vencedora, que leva para casa dois computadores portáteis. Bom incentivo, não?

O adrian aplaude a iniciativa, nomeadamente: a política de parcerias com empresas privadas – DELL, Sapo e Bulhosa –, que complementa o apoio institucional; o excelente espectáculo de ver os finalistas em palco e os esforços que desenvolvem para responderem às perguntas (tudo isto projectado na tela do auditório, em tempo real); e a criação de um evento que traz os adolescentes e jovens adultos à biblioteca, permitindo a promoção dos serviços prestados. Bem esgalhado!

A bem do incremento da literacia da informação que, cada vez mais, passa pela Internet, esta é uma iniciativa a não perder. Próximo dia 24, das 10H às 24H, na Biblioteca Municipal de Oeiras.

P.S. – para mais informações ver aqui. Sobre literacia da informação ver aqui.
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segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Printz

Michael Printz, bibliotecário escolar, dedicou a sua vida a escolher o livro certo para o aluno certo, na hora certa. Integrou a equipa da YALSA e dois comités de selecção de obras: o Best Books for Young Adults e o Margaret A. Edwards Award (falar-se-á destes galardões em breve). Fruto de uma política de público reconhecimento, atribuiu-se o seu nome a um prémio anual que promove livros de elevado mérito e excelência, no que a literatura para jovens adultos diz respeito.

Do Printz Award de 2005 saiu a obra de Meg Rosoff, Em nome do amor. A autora nasceu nos EUA e formou-se em língua inglesa pela Universidade de Harvard. Vive desde ’89 em Inglaterra, trabalhando em edição e publicidade. O título tem já garantida a adaptação à caixa que mudou o mundo… ou caixote, dependerá dos afectos à mesma (eu mantenho uma relação de amor/ódio :-)

Do enredo se revela que Daisy – com quinze anos e nova-iorquina de gema – passa as férias de Verão numa quinta de familiares, no interior de Inglaterra. Aquela atmosfera rural – desconhecida, encantada, um tanto ou quanto medieva –, desperta-a para o primeiro amor, consequente dor e afectos de coração. O convívio com a tia e primos que não conhece, a guerra que entretanto se instala no país, o facto de terem de depender uns nuns outros para sobreviverem, a linguagem tão simples quanto desarmante, tudo isto contribuiu para a atribuição do Branford Boase Award de 2005 e do Guardian Children's Fiction Prize de 2004 (para além do Printz).

Mais uma obra de aproximação a uma literatura mais “jovem adulta”. Pelo menos cá pelo rectângulo está catalogada no sector de adultos e a capa não tem um traço pueril com a intenção de querer agradar aos 15-16 anos, logo… recomenda-se!

ROSOFF, Meg. Em nome do amor. Lisboa : Presença, 2006. 176 p. (Grandes narrativas ; 324). ISBN 972-2335-88-X.
imagens aqui e aqui

sábado, 3 de Novembro de 2007

Os bons exemplos

Isabel Alçada, comissária do PNL, em entrevista à revista Os meus livros - e a propósito de se olharem os bons exemplos e práticas que vêm de fora -, afirmou:

o Reino Unido, tem um programa de desenvolvimento da leitura que está muito bem estruturado e que já tem resultados. É muito diferente mas deu-nos informação para pensar quais são as orientações que funcionam na relação com as escolas e com as bibliotecas. Outro país, que poderá parecer estranho, mas que nos deu também muita informação, foi a Austrália. Parece longínquo mas na verdade está à mesma distância que Almada, do meu gabinete. Está à distância da internet e do telefone. Outros países que estão a trabalhar muito bem são a Finlândia, o Canadá. Os EUA têm uma acção extraordinária e muito diversificada com muitos modelos diferentes”.

Aplaude-se a franqueza e, acima de tudo, a lógica de raciocínio. O adrian tem defendido a adopção de estratégias utilizadas noutros países e que podem sempre ser adaptadas à nossa realidade. Esta postura parece particularmente relevante quando, no que a adolescentes e jovens adultos diz respeito, há muito que outras nações já começaram a empreender um esforço que, por cá, é ainda imberbe. Aproveite-se, portanto, esse saber de experiência feito.

As recomendações de leitura para o 3º ciclo (nomeadamente as do 9º ano) foram um passo importante, a exemplo do SOL da Fundação Germán Sánchez Ruipérez, dos Alex Awards da Yalsa, entre outros. Mas, talvez ainda se podessem encetar mais iniciativas, nomeadamente para outras idades. É preciso não esquecer a faixa etária que se estende desde o início do secundário até ao final do ensino superior e em que, supostamente, se retoma o gosto pela leitura (ver aqui). A Fundação Bertellsmann está a trabalhar nesse pressuposto, ao acompanhar os jovens desde o final da escolaridade obrigatória até ao momento em que se pretendem inserir no mercado laboral (16-25 anos). Ao adrian, parece-lhe bem.

P.S. – A propósito da entrevista, sugere-se leitura integral. Aqui fica a referência: AVILLEZ, Filipe – “Ler mais e melhor”. Os meus livros. Nº 56 (Out. 2007), p.44-46.
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sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Psicologia Musical

Nem só de livros e leituras vivem as bibliotecas. Aliás, deve-se facilitar o acesso às diferentes formas de expressão cultural das manifestações artísticas, segundo o Manifesto da Unesco para as BP’s. A música revela, assim, particular importância para a manutenção de uma colecção apelativa a adolescentes e jovens adultos. No número de Junho da Psicologia Actual encontra-se um interessante artigo de Mariana Pessoa, a propósito de psicologia musical:

A adesão a um estilo musical específico é típica da adolescência. Há, inclusive, características externas que os adolescentes expressam no sentido de demarcar a sua pertença a esses grupos e subculturas (…) um determinado estilo musical pode influenciar comportamentos, especialmente nos adolescentes, tendo um papel modelador de atitudes sociais (…) tendo em conta a importância que a música tem para os jovens ao expressarem uma preferência por um estilo de música, os adolescentes enviam explicitamente uma mensagem que implica um determinado leque de atitudes, valores e opiniões.”

Estima-se que, por exemplo, os jovens americanos ouçam uma média de 3 a 4 horas de música por dia. Considerando os efeitos da globalização, os jovens portugueses não fugirão muito a estes indicadores. Em 2003, Jean-François Hersent divulgava dados relativos às práticas culturais dos adolescentes franceses: 80% tinham um equipamento portátil (walkman, discman) e 94% discutiam regularmente os seus gostos musicais com os amigos. Fugir a estes indicadores é ignorar os gostos e preferências do público para o qual trabalhamos e, consequentemente, afastá-los das bibliotecas públicas.

E como fazer a ponte, se a promoção da leitura é o principal objectivo?

Talvez se os adolescentes souberem que Radiohead, Tool, David Bowie, The Cure, U2, The Doors, Iron Maiden, Pearl Jam, Greenday, Coldplay, Franz Ferdinand, Incubus, entre outros, têm álbuns e músicas baseadas em obras literárias, as coisas mudem um pouco (ver aqui). Quiçá se conhecerem o último CD de Carla Bruni – No Promises –, que canta poemas de W.B.Yeats, W.H.Auden, Emily Dickinson, Walter de La Mare, Christina Rosetti e Dorothy Parker, a poesia tenha outra sonoridade. Saberão os jovens adultos que boa parte das letras dos Gaiteiros de Lisboa foram retiradas de cancioneiros tradicionais? E que as novas vozes do Fado cantam O´Neill, Pessoa, Florbela Espanca, Antero de Quental, David Mourão-Ferreira ou António Lobo Antunes? Se calhar não sabem. E se souberem?

P.S. – Sugere-se leitura do artigo mencionado e, já agora, da revista, em que os contributos sobre a adolescência e juventude são particularmente relevantes. Aqui fica a referência: PESSOA, Mariana – “Diz-me o que ouves…”. Psicologia actual. N.º 14 (2007), p. 94-99.
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sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

O livro errado

O estudo A Leitura em Portugal, da responsabilidade do Observatório das Actividades Culturais no âmbito do PNL, devolve a seguinte conclusão: os frequentadores de bibliotecas rondam 1,3 milhões, sendo a grande maioria estudantes do ensino médio e superior, com idade compreendida entre os 15 e os 24 anos.

Não deixa de ser curioso que, em 2001, Ana Mocuixe Moura(1) tenha chegado a conclusões semelhantes, analisando a Biblioteca Municipal de Oeiras: 60% dos utilizadores tinham idades compreendidas entre os 18 e 25 anos e 14% pertenciam à faixa etária 0-18 anos, sendo as obras consultadas, à altura, as seguintes e com os rácios correspondentes:

28,9% - monografias técnico-profissionais;
27,2% - dicionários ou enciclopédias;
26,4% - livros escolares (p.ex., os exames de química para o 11º ano);
17,2% - estudos ou ensaios.

Conclui-se o óbvio: os jovens faziam (e continuam a fazer) uma utilização puramente instrumental da biblioteca pública. Dá jeito para estudar, é sossegada, tem net à borla, logo… está-se bem!

E nós? Cumprimos a nossa função, proporcionando-lhes essas condições. E também se está bem… ou mais ou menos bem. E porquê? Porque somos péssimos vendedores de ideias, de conceitos. A promoção da leitura é o nosso mister, temos o público-alvo à mão de semear, e ele foge-nos por entre os dedos.
Se 29% dos utilizadores gostam muito de ler, a partir do secundário até ao superior (ver post anterior) e se, em Portugal, temos 1 265 531 de indivíduos entre os 15 e os 24 anos (dados do INE), então ainda há 898 000 adolescentes e jovens adultos a quem temos de dizer: leiam! E não será assim tão difícil: pelo menos já os temos dentro de portas, agora é só pôr-lhes o livro certo nas mãos!
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(1) MOURA, Ana Mocuixe – Práticas de leitura, jovens e novas tecnologias : a Biblioteca Municipal de Oeiras. [Lisboa] : Instituto Português do Livro e das Bibliotecas : Observatório das Actividades Culturais, 2001. (Sobre a leitura ; 1). ISBN 972-8436-21.

terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Vinte e Nove

O adrian estava à espera da publicação dos estudos apresentados na I Conferência PNL. Mas, entretanto, o destaque do Público de hoje vai para um destes estudos - Hábitos de leitura da população escolar, de Mário Lage - e já se podem tirar umas ilações:

29 é o número mágico:

Equivale à percentagem de alunos do secundário que dizem gostar muito de ler, sendo que, destes, 5 por cento dizem ser viciados na leitura (ena, tantos, quase trinta por cento, cuidado! não vá esta malta ensandecer de vez com tanta leitura);

Corresponde à percentagem, no 3º ciclo, dos que gostam pouco ou nada de ler. Três quartos não leram outros livros senão os escolares (ai, Jesus!).

O Hábitos de leitura da população portuguesa, de Maria de Lourdes Lima dos Santos, devolve-nos a cifra de 50,6%, que corresponde ao número de pais que afirma, sem pudor, que os seus filhos nunca entraram numa biblioteca pública. Dizem que os miúdos têm outras formas de aceder aos livros (que progenitores eruditos!).

Em conclusão, as boas notícias não são boas notícias: há 71 por cento de trabalho à espera no que aos 15-18 anos diz respeito, portanto despachem-se a ler este post; mais 75 por cento de esforço no que aos 12-14 concerne, logo este blog fecha para obras. E mais 50 por cento de labuta a convencer pais e encarregados de educação (a maior parte deles mentirosos retintos) a trazerem os miúdos à biblioteca.

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quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Graffiti

Mais uma daquelas notícias de fazer corar os Velhos do Restelo (e os novos, que também os há): na mesma linha do post anterior, e inserido também no projecto Love Libraries, a Birmingham Central Library juntou jovens desfavorecidos e um artista local e criou o projecto Urban Art. Como funciona? É fácil: perdem-se os pudores e graffitam-se algumas das paredes da biblioteca, com inspiração nos serviços prestados. Para além do resultado que se pode ver nas imagens, cita-se:

“With the support of a local artist, the group has used their artistic talents to transform two grey concrete walls at the rear of the library into a welcoming graffiti display to attract more young people inside. The group was inspired by library services – books and story characters, magazines, membership cards and computers with free internet access to produce a vibrant display of urban art, which can be enjoyed by all who walk past.”

“Great idea of Birmingham Central Library to put art on the wall outside, which got us into the library! Really good work and most importantly, the youngsters really felt a connection.”

Recordam a definição de empatia? Então procurem aqui.

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quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Get it Loud!

A Biblioteca de Lancaster - no Reino Unido - queria fazer algo que atraisse públicos jovens, e não esteve com meias medidas: o Get it Loud! juntou bandas na sala de leitura, com direito a palco, PA e tudo o mais que implica um concerto ao vivo. Resultado: ganhou o Love Libraries Award 2007 e deu a conhecer os seus serviços a adolescentes que nunca tinham entrado pela porta dentro. Leiam-se as palavras do bibliotecário Stewart Parsons:

“The essence of Get It Loud in Libraries is simply to give young people, especially teenagers who love music, a fabulous time in a library and put them in the right frame of mind to use libraries again whether it’s for novels, music, internet, quiet time, whatever. (…) Get It Loud in Libraries offers modern, up to the minute excitement on teenager’s terms in a safe, feel good environment.”

Ou seja, agrada a pais, filhos e bibliotecários: quem disse que esta era uma equação impossível? ‘Bora lá aproveitar essas bandas de garagem!

Um último pormenor, hilariante: a banda da fotografia chama-se... Harry and the Potters! :-)

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segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

pRegunte

A procura do termo empatia, no dicionário, poderá devolver o seguinte:

de em + Gr. páthos, estado de alma

s. f.,
capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.


Quarenta e uma bibliotecas espanholas, com o apoio da Dirección General del Libro, Archivos y Bibliotecas (Subdirección General de Coordinación Bibliotecaria) já absorveram o conceito, tendo criado uma página web de referência on-line: Pregunte: las bibliotecas responden.
Disponível a todos os públicos e respondendo em quatro línguas (castelhano, catalão, galego e basco), neste serviço é particularmente sensível a utilização do ambiente virtual para a melhoria da relação entre bibliotecas e adolescentes/jovens adultos (empatia ;-). É no terreno que este segmento de utilizadores se conquista e a web é o seu habitat. Daí a mais valia: além da presença online 24 horas por dia, 365 dias por ano, o contacto com semelhante valência, em espaço digital, é fundamental para a promoção da biblioteca pública junto de tais utilizadores.

Agora, a reflexão do adrian: 41 bibliotecas espanholas a assegurarem o serviço a mais de 44 milhões e meio de habitantes dá, aproximadamente, 1.085.000 hermanos por cada uma. Em Portugal, dos 308 concelhos existentes, 261 integram a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e 157 abriram já ao público as suas Bibliotecas Municipais (DGLB). Considerando que somos 10 milhões, não se arranjam para aí umas… digamos… 10 bibliotecas (para o rácio não fugir muito, senão saltam já para cima do adrian os Saramagos todos, com a bandeira do iberismo desfraldada), dispostas a levarem semelhante tarefa a cabo? Cinco semanas a cada uma por ano? A DGLB, não poderia promover a iniciativa e congregar esforços?
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quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Ferramentas

O adrian abre a caixa e tira de lá uma ferramenta bastante útil na tarefa de empreender actividades de promoção de leitura para adolescentes.

Formar leitores: das teorias às práticas é um título sob a coordenação de Fernando Azevedo (Professor Auxiliar e Coordenador no Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança - Universidade do Minho). A obra apresenta interessantes contributos, propostas e referências bibliográficas, resultantes do cruzamento interdisciplinar de diferentes autores (professores, educadores, bibliotecários). Destaca-se:

Construir e Consolidar Comunidades Leitoras em Contextos Não Escolares, de Fernando Azevedo, que explana o porquê de ler e o que ler, como motivar para a leitura, as comunidades leitoras (sua construção e consolidação) e um excelente remate, utilizando uma citação de Barreto Nunes, óptima para quem ainda não achou o norte;

A promoção da leitura em público e da discussão pública da leitura: o promissor caso da Biblioteca Pública de Évora, por Cláudia Sousa Pereira (Professora Auxiliar da Universidade de Évora). Relevantes, as regras a seguir para a criação de grupos de leitura com adolescentes, enumeradas pela autora, como o que se deve evitar e o que se poderá pedir dos participantes.

Apenas uma contrariedade: a capa. Mas, é pormenor de somenos.

AZEVEDO, Fernando (coord.). Formar leitores : das teorias às práticas. Lisboa : Lidel, 2007. 185 p. ISBN 978-972-757-460-5.
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quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Oeste

Ocasionalmente, o adrian apresenta um ou outro assunto mais fora de contexto. Assim, e porque aos amigos são para as ocasiões e o tema é bastante pertinente, aqui fica a notícia do 2º Encontro de Bibliotecas do Oeste, subordinado ao tema: “A Qualidade e as Bibliotecas na Sociedade do Conhecimento”. Na Lourinhã, a 22 deste mês. Mais informações aqui.

quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

I want my MTV

A MTV tem um canal específico para as universidades e colégios norte-americanos. Dá pelo nome de mtvU e é difundida em mais de 750 estabelecimentos de ensino. Pois este canal atribuiu pela primeira vez o galardão de poeta do ano. O escolhido foi John Ashbery, um escritor norte-americano com 80 anos e que se auto-define como um poeta surrealista cuja poesia desafia a própria lógica do surrealismo. Ashbery ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar em matéria de prémios literários nos E.U.A., inclusive o MacArthur Foundation e Guggenheim fellowships e o Pulitzer de 1976 pela sua obra Self-Portrait in a Convex Mirror. Conclusão: entre vídeos da Shakira, dos Greenday, Foo Fighters e outros, temos seis clipes de um minuto cada com poemas do autor. Mas, afinal, porquê esta estranha promiscuidade (será estranha? E não será cumplicidade)? É que a mtvU está a apoiar o National Poetry Series, um concurso de poesia para jovens que frequentem o ensino superior, cujo júri será Yusef Komunyakaa (Pulitzer de 1997). O prémio para o vencedor? Um contrato com a HarperCollins para edição da obra. Chega, não chega?

O adrian acaba de escrever e pensa: que tal a Antena3? Ou a MTV Portugal? O canal 2? A RTP1 ou a SIC (ao fim e ao cabo, há concursos para jovens cantores, porque não para jovens escritores)? Um Saramago como júri? Talvez um Lobo Antunes? Pronto, um Peixoto, um Ondjaki. Mais umas editoras cá do burgo. Poderia ser prosa. Ou poesia. Poderia...

Será que as pessoas se esqueceram de como, em idos de 80’s, ficavam presas às palavras de Mário Viegas no Palavras Ditas? Mas porque raio não se aproveitam as boas ideias? Esta mania de se querer inventar a pólvora (ou de não se inventar, de todo) … serão resquícios do orgulhosamente sós?
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terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Persépolis

Mais uma sugestão de leitura. As renitências em mencionar este livro tinham – e têm, infelizmente –, razão de ser: a Polvo, editora do vol. 1, deixou de dar sinais de vida e a obra ficou a meio. No entanto, o exemplar impresso vale bem a recomendação e é uma história per si. Para adolescentes e jovens entre os 14 e os 19 anos, este Persépolis tem um curriculum impressionante:

- Angoulême Coup de Coeur Award, 2001;
- Angoulême Prize for Scenario, 2002 (vol. 2);
- YALSA Alex Award, 2004;
- Great Graphic Novel YALSA, 2006;
- Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes, 2007 (adaptação a cinema de animação);
- Candidato a Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares, 2008 (por França).

É retratada a vida da autora e seu crescimento durante a revolução islâmica no Irão. Marjane – uma menina inteligente e destemida –, assiste à destituição do Xá e à tomada do poder pelos fundamentalistas, vê as consequentes prisões de milhares de pessoas, sofre pelo uso forçado do véu, apercebe-se da execução do tio, presencia as bombas a caírem em Teerão durante a guerra Irão/Iraque. Tudo isto representado num traço simples, a preto e branco, que torna ainda mais pungente a história. Afigura-se ideal para um debate sério num grupo de leitores adolescentes, acerca do papel da mulher no Médio Oriente, as restrições às liberdades individuais e outros temas, infelizmente ainda tão actuais.
A autora nasceu em 1969 em Teerão e, após o liceu, viveu em Viena e França, onde iniciou e desenvolve a sua actividade em banda desenhada.

Uma nota do adrian: 13 de Outubro, no Cinema S. Jorge, integrado no Festival do Cinema Francês, Persépolis terá a sua ante-estreia. Para que se tenha a noção da dimensão da obra, a exibição em Cannes provocou a seguinte reacção: o filme terminou, os espectadores levantaram-se e aplaudiram durante 15 minutos, ininterruptamente. Deve valer a pena, não acham?

SATRAPI, Marjane – Persépolis 1. Lisboa : Polvo, 2003. 75 p. (Prontuário ; 14). ISBN 972-8440-54-5.

P.S. – Um abraço ao Batman, pelas dicas e empréstimo da obra.
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domingo, 23 de Setembro de 2007

Dores de Cabeça

Mais cedo ou mais tarde o adrian irá abordar as competências exigidas ao profissional de biblioteca e documentação, quando o que está em causa são públicos adolescentes e jovens adultos. Mas entretanto, e porque vão surgindo informações nas navegações errantes sobre o tema, aqui fica este “Pain in the Brain: Teen Library Behavior 101”, da autoria de Beth Gallaway, bibliotecária americana.
São cinco páginas de documentação on-line em que se disserta sobre:

- o porquê de os adolescentes agirem como agem e as eventuais razões para o seu comportamento desestabilizador;
- as regras a cumprir e sua aplicação e percepção;
- dicas acerca de disciplina nas salas de leitura;
- conselhos para profissionais;
- sugestões para a eventualidade – sempre complexa – de terem de ser chamados à atenção (o adrian discorda de algumas, concorda com outras).

Relevante no artigo será a sua apresentação sumária e inequívoca, o que leva a que os pontos de vista da autora nos permitam a concordância ou não, servindo assim – e, pelo menos –, de ponto de partida para a reflexão e eventual discussão. Aliás, o mesmo já havia sido defendido aqui, em relação às orientações da IFLA. Vale a pena a visita.

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terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Kick Into Reading

Passaram duas semanas sobre o Celebridades, post aqui colocado e que versava sobre as virtudes de figuras públicas darem a cara pela promoção da leitura. Nos comentários a esse apontamento gerou-se um debate pertinente sobre a eventualidade de determinado jogador de futebol - no caso, o Cristiano Ronaldo -, ser uma das personalidades a incitar os jovens a ler. O adrian investigou um pouco mais a relação futebol e promoção da leitura e encontrou este KIR (Kick into reading), na página web do National Literacy Trust, organização não-governamental inglesa.
Em poucas palavras, o KIR é uma actividade conjunta do Arts Council England e da Professional Footballer's Association. Um contador de histórias profissional dá formação a treinadores e jogadores de futebol e estes fazem sessões de leitura nas bibliotecas. Entre os clubes encontram-se o Manchester United, o Liverpool, o Nottingham Forest, o Queens Park Rangers, entre outros. Este projecto contempla também os cartazes que se vêm a ilustrar este post (em cima Alan Smith e Ashley Cole e, em baixo, Rio Ferdinand e David James). Destaca-se:

"The project kick into reading does exactly what it says on the tin. It opens young people up to the joy of reading. What makes it so effective is that it shows the boys and girls that their local football heroes are interested in this activity, and more importantly that footballers’ read as part of their daily lives. It gives the young people a message that sport and literacy work hand in hand and demystifies their belief that the two topics are opposing forces."

O adrian não sabe se os jogadores convidados (quer para as leituras quer para figurarem nos cartazes) lêem mais ou menos que o Cristiano Ronaldo. Aliás, o adrian nem sabe se o Cristiano Ronaldo lê. Mas sigam este link para o relatório de avaliação do projecto. Os resultados são surpreendentes.

P.S. - Já agora, aqui está um projecto ainda mais actual e na mesma linha: Premier League Reading Stars. Mas o adrian está farto de falar de bola... derivado da situação ;-)

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quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

A Magia de Ler

Se ler sobre o acto de ler pode ser algo redundante, tal esfuma-se na delícia que é este A Magia de Ler. Muitos livros serão tecnicamente mais relevantes, mas… este é um manual de prestidigitação - Cesariny dixit. Cita-se:

Este livro é uma introdução poética, científica e prática à leitura. (…) Mas é, acima de tudo, um livro de magia. (…) Mistura, pois, receitas e conselhos para conseguir encantamentos prodigiosos. Os que dividem a magia em branca e preta estão enganados. Esquecem que a magia mais poderosa e magnífica é a do preto sobre o branco. A escrita, e a leitura, claro, que é o seu complemento.

Os autores são outro fenómeno. Escrevem sobre a leitura um filósofo e uma jurista: José António Marina, galardoado com o Prémio Anagrama de Ensayo, Prémio Nacional de Ensayo e o Prémio Giner de los Ríos de Innovación Educativa; e Maria de la Válgoma, professora titular de Direito Civil na Universidad Complutense de Madrid, uma entusiasta da educação fascinada pela literatura e que escreveu, com José Antonio Marina, La lucha por la dignidad, Prémio Juan de Borbón para o melhor livro do ano.

Dividida em sugestivos capítulos como a magia da leitura, os enigmas do desejo e apelo a uma conspiração de leitores, e polvilhada de pequenas histórias e citações sobre o livro e a leitura, esta é uma obra para pais, professores do básico ao secundário, bibliotecários e leitores curiosos.
No que a adolescentes concerne, destaca-se a frase:

“A imensa maioria dos livros que trata da animação da leitura refere-se à etapa infantil. É como se as matemáticas se esgotassem com a aprendizagem da soma.”

O adrian gostou, subscreve e recomenda!

MARINA, José Antonio ; VÁLGONA, María de la – A magia de ler. Porto : Ambar, 2007. 133 p. (Enciclopédia moderna ; 15. Série estudos literários). ISBN 978-972-43-1169-2.

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domingo, 9 de Setembro de 2007

Santa Inquirição

A ALA realizou este ano o primeiro Gaming, Learning, and Libraries Symposium. Se a inclusão do gaming associado às bibliotecas poderá parecer estranha, talvez a leitura desta recensão traga alguma luz ao assunto... e que cada um faça o seu juízo.

O que mais fascinou o adrian foi o seguinte: um painel de adolescentes (13 aos 19 anos), em que os mesmos respondem a perguntas do público (maioritariamente bibliotecários), acerca das suas expectativas face aos serviços que lhes são prestados nas bibliotecas, ao acesso à informação, à web e afins. Assim se concebem estratégias para adolescentes, como se tem defendido em estudos mencionados neste pasquim (aqui, aqui, e aqui). Confirma-se pois a famosa expressão de Baden Powell – ask the boy – que, sendo militar, era um pedagogo de primeiríssima água. O seguinte episódio também se destaca: quando o moderador desse painel – Stephen Abram –, perguntou aos adolescentes como avaliavam o conteúdo recuperado através das suas fontes preferidas (Google e Wikipedia) para a elaboração de trabalhos, a resposta de um rapaz de 13 anos foi a seguinte:

“I use Wikipedia a lot. I know you’re supposed to trust the sites that have a .gov or .edu extension, but who are you gonna trust? The government or the people?”

Estivesse por cá o Fernando Pessa e diria: e esta, hein?

P.S. – o seu a seu dono: ver bibliotecário 2.0. Bem-haja, Júlio.

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sábado, 8 de Setembro de 2007

Leitores pobres, pobres leitores?

Comunicação apresentada na 14ª European Conference on Reading - Literacy without Boundaries - Zagreb, Croatia, 2005 por Zofia Zasacka, do Books and Reading Institute da Biblioteca Nacional Polaca, este The image of the adolescent reader procura definir quem é o leitor adolescente na Polónia e quais os seus hábitos de leitura. Com uma amostra de 1396 estudantes a concluírem a escolaridade obrigatória (15-16 anos), Zofia analisa as práticas e tipos de leitura e atitudes face à mesma, criando também tipologias de leitores.

Num inglês nem sempre perfeito mas que não impede a compreensão das ideias da autora, o que o adrian achou particularmente interessante neste estudo foi a correlação entre nível socio-económico e hábitos de leitura. Sendo uma verdade de la Palisse, mais uma vez se comprova a inquietante relação causa/efeito entre quem é do campo e quem é da cidade, quem é filho de pais com instrução superior e quem provém de famílias de trabalhadores rurais, e respectivo reflexo nas práticas de leitura. As conclusões vêm, mais uma vez, reforçar o emanado pelo Manifesto da Unesco para as Bibliotecas Públicas, validar a sua actualidade e pertinência das suas intenções. A biblioteca pública - sem empréstimo pago e acessível a todos de igual forma - é trave-mestra de uma sociedade mais justa, mais culta e melhor informada!

P.S. – Comunicação encontrada via Littera – Associação Portuguesa para a Literacia –, do qual se recomenda visita e, já agora, filiação. A causa é justa!
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quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Celebridades

Se a adolescência fica marcada pela busca da identidade única de cada indivíduo, é normal que essa procura se baseie em pontos de referência. Bastas vezes, a escolha recai sobre os ídolos, as celebridades, as figuras do desporto, música e entretenimento que representam sonhos, ambições e projecções futuras. Servem esses indivíduos como modelos de comportamento que se procuram imitar, constituindo-se como opinion-makers da faixa etária entre os 13 e os 20 anos. Ciente desta realidade a YALSA concebeu os Celebrity Read Posters: uma mensagem de incentivo à leitura, veiculada sob a forma de cartazes, em edição inglesa e castelhana (para atingir a população hispânica), e em que se encontram figuras como Orlando Bloom, Sean Connery, Stephen Hawking, Yo-Yo Ma, Shaquille O’Neal, Bill Gates, Enrique Iglesias, Denzel Washington, Salma Hayek, LL Cool J, William Macy, Serena Williams, Ice Cube, Missy Elliot, Ethan Hawke, Colin Farrell, Bernie Mac, Alan Rickman, Hilary Swank e o Departamento de Bombeiros de Nova Iorque.
Transposta a realidade para o nosso país, custaria assim tanto ter uma dúzia de cartazes do mesmo género, com figuras da nossa praça? Os efeitos poderiam ser surpreendentes...
Fica lançado o “réptil”, mesmo sendo o adrian do Benfica :-)

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quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Futebol & Literatura?

Misturar futebol e literatura, que tal? O apelo da Selecção Nacional, as epopeias de 2004 e 2006, o Ricardo a defender sem luvas e a mandar os bifes para a terra deles, chega?
Mais um conselho do Plano Nacional de Leitura para o 3º ciclo, este O futebol e a vida: do Euro 2004 ao Mundial 2006: crónicas tem tudo para apelar ao adolescente e jovem adulto sem hábitos de leitura. E porquê? Porque poderá ir ao encontro dos seus interesses mais consolidados – a saber, o futebol e a selecção nacional - e despertar a atenção. Até a capa ajuda. E quem sabe se o pai, habituado apenas ao pasquim desportivo, não lhe põe os olhos em cima e não sente, também, alguma curiosidade? Eram dois coelhos numa cajadada só. E como nunca sabemos se atrás de um livro vem outro: é que, às vezes, a literatura é como as cerejas...
Diz Maria João Avilez na apresentação da obra:

“a paixão de Manuel Alegre pelo futebol nunca lhe veda o dever de cidadania, nem lhe tolda a consciência cívica e o que ela pressupõe de responsabilidade e exemplo. E assim ei-lo a cumprimentar adversários, a dirimir conflitos, a consolar o outro lado. Mas ei-lo sobretudo a ter a pátria em conta. Neste livro que nos devolve inteira e intacta a saudade do Euro de 2004 e do Mundial deste ano, a pátria esteve sempre lá. E a bandeira e o cantar do hino. No seu lugar que é também o do coração do poeta. Sem vergonha mas sem falsos preconceitos, sem nacionalismos exacerbados, mas com orgulho. Talvez porque tenha afinal percebido melhor que outros, e muito melhor que os cultos do costume ou os pensadores oficiais que – cito: "o clube e a selecção são uma nova forma de utopia, tanto mais intensa quanto maior é a incerteza perante o futuro pessoal e a sensação que o país pesa cada vez menos nos destinos do mundo".

Nem mais.

ALEGRE, Manuel. O futebol e a vida : do Euro 2004 ao Mundial 2006 : crónicas. Lisboa : Dom Quixote, 2006.

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sábado, 18 de Agosto de 2007

Chiu!

Como aqui se fala de aja’s (adolescentes e jovens adultos) e bibliotecas, este assunto não poderia ser mais premente. Um artigo fantástico, publicado no Bulletin des Bibliothèques de France, da autoria de Marielle de Miribel, acerca do barulho – “Chut! Vous Faites trop de bruit!”: Quel silence en bibliothèque aujourd’hui?.
O barulho e o sentirmo-nos incomodados por ele depende sempre de uma avaliação subjectiva: será possível estabelecer uma norma relativa ao ruído? De acordo com que parâmetros? O que é silêncio para uns não será barulho para outros? Analisa-se, então, as fontes do ruído, desde a actividade humana à actividade biblioteconómica, passando pelas conversas dos leitores. Não se deverá partir do princípio “como minimizar o barulho fruto da actividade humana”, em detrimento de “como fazer para que as pessoas não façam barulho”?
Após todas estas hipóteses, parte a autora para a acção: aconselha situações de flexibilidade, nomeadamente na utilização de telemóveis, avançando depois para a intervenção a nível estrutural, indicando materiais mais adequados à absorção do ruído, em detrimento de outros que o reflectem e difundem. Disserta também acerca da necessidade de evitar superfícies lisas e contínuas, pois estas facilitam a ressonância, nomeadamente de piso para piso; aborda então as questões de isolamento do chão, das paredes, dos tectos, das zonas comuns e das mezzanines.
Como todas as soluções supracitadas são consideradas essencialmente em fase de construção da biblioteca, a segunda parte do trabalho é particularmente importante (remediar o que já nasceu torto). Assim, as ligações entre luminosidade, materiais frios, cores frias, disposição de mobiliário e suas influências ao nível de ruído são também referidas. Constata-se que as zonas amplas não são motivo para a propagação do som, desde que o mobiliário seja usado de forma racional. Também o cruzar de olhares é estudado, sendo que o mesmo favorece o relacionamento interpessoal nas salas de leitura. Apresentam-se, pois, soluções de disposição de mobiliário para evitar as conversas informais nesse espaço e outras que, utilizando as estantes, permitem criar zonas estanques. Por último, referem-se formas de intervir na tomada de consciência colectiva, nomeadamente campanhas publicitárias a apelar ao bom senso dos utilizadores.
O adrian gostou e aconselha. Fruto de gráficos elucidativos e de uma linguagem escorreita, são 13 páginas sem ruído, em que tudo é mais-valia! A bem da nossa relação com este público tão específico que servimos.

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quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

CUBIT

Esteve quase para ser um centro comercial, mas os nossos vizinhos do lado decidiram-se em dar-lhe melhor destino: uma biblioteca para jovens dos 16 aos 25 anos. A CUBIT vai ocupar as instalações da antiga refinaria de açúcar de Saragoça. Com o apoio de três entidades (Fundación Bertelsmann, Caja de Ahorros de la Inmaculada de Aragón e Ayuntamiento de Saragoça) e a vontade política da Junta de Aragão (que já tinha previsto, no seu programa eleitoral de 2003, uma biblioteca deste género), a CUBIT vai dispor de 4200 metros quadrados. A biblioteca ocupará um enorme cubo de vidro – daí o nome – dentro das instalações da antiga fábrica, sendo a restante área destinada a um espaço jovem da responsabilidade do Ayuntamiento, que contará com áreas de criação artística, oficinas e salas de exposições.
A biblioteca propriamente dita terá uma proporção de 50/50, entre documentos impressos e suportes digitais (cd´s, dvd´s e áudio livros). Contará, obviamente, com acesso à Internet, actividades destinadas à faixa etária 16-25 anos e equipas de profissionais com formação específica. Partilhará os catálogos da rede de bibliotecas municipais e a música, a banda desenhada e todos os meios de expressão audiovisual serão privilegiados. A selecção da colecção e dos serviços prestados contou com a participação dos jovens de Saragoça, através da campanha “Como te gustaría que fuese CUBIT?”. Em 60 pontos da cidade foram colocados questionários para que os jovens dessem as suas sugestões sobre o tipo de livros, estilos de música, filmes, revistas, jogos de vídeo, actividades e modo geral de funcionamento que gostariam de ver na biblioteca. Foram recebidos milhares de questionários e, para incentivar a participação, sortearam-se prémios entre os participantes.
A CUBIT é inspirada em projectos semelhantes que a Fundación Bertellsman já tinha levado a cabo em Dresden (Alemanha) e Breslau e Allenstein (Polónia).

Ora, em resumo: 4200 metros quadrados de biblioteca, destinada a jovens, numa cidade que, na devida proporção, será o equivalente a uma capital de distrito do nosso Portugal; nasce fruto de uma promessa eleitoral de 2003 que – imagine-se – é cumprida; é escolhida em detrimento de um anterior projecto que lhe dava como destino um centro comercial, portanto, foge à especulação imobiliária… Estes espanhóis estão loucos!

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terça-feira, 14 de Agosto de 2007

Passa a Palavra

No final do último post terminava-se, afirmando: “dispara-se tão pouco por estas bandas”. Reafirma-se a ideia. Mas há quem dispare, e bem! A Biblioteca Municipal do Seixal, com o apoio da Gulbenkian, criou este Passa a Palavra, que desenvolveu em parceria com seis escolas secundárias do concelho. Cita-se:

Grupos de jovens destas escolas reúnem-se regularmente em torno da leitura comum de obras de autores portugueses ou de expressão portuguesa que eles próprios seleccionaram.

Dos objectivos do projecto:

Aproximar o público jovem da leitura de obras de autores portugueses; promover o gosto e o prazer de ler junto de um grupo etário que, frequentemente, regista elevados índices de desinteresse e abandono pela prática da leitura; obter um efeito multiplicador, de uma iniciativa prevista 15 jovens por grupo através do potencial que o recurso de divulgação por contacto directo, rádio ou neste site; promover o encontro e o convívio entre os jovens e os autores ou personalidades convidadas para dinamizarem as sessões. O Projecto Passa a Palavra permite que os jovens tenham a oportunidade de afirmar as suas opiniões e fazer a diferença, passando a palavra e divulgando activamente o livro e a leitura.

Do funcionamento:

Ao longo de três meses, será, mensalmente, lida uma obra. Quinzenalmente, aos sábados, existirão encontros de leitura e debate orientados por um escritor, jornalista, ou outra personalidade, onde vai ser discutido o livro escolhido pelos participantes.

O adrian ressalta alguns aspectos: a extraordinária mancha gráfica de todo o projecto – que se identifica perfeitamente com o público a atingir, nomeadamente o "traço" graffiti; os meios de divulgação utilizados – Internet e rádio – mais um tiro na mouche, pois são meios habitualmente utilizados por adolescentes; e, por último, a selecção de autores que, tal como aqui se vem defendendo, não se resigna aos habituais infanto-juvenis mas assume obras habitualmente dirigidas a públicos adultos, porém passíveis de serem apreendidas por jovens.
Parabéns, Seixal!

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segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

! Atrapa a ese usuário !

Outro estudo, desta vez sob a forma de comunicação ao congresso IFLA 2005, em Oslo. A autora é Mònica Medina Blanes, da Biblioteca Bom Pastor - Consorcio de Bibliotecas de Barcelona. Assim, este !Atrapa a ese usuario! jóvenes y bibliotecas explana como se desenvolve a rede de bibliotecas municipais de Barcelona e quais os âmbitos de actuação (as bibliotecas como centros de informação, de formação, de integração sócio-cultural e de difusão cultural). Após este enquadramento aborda-se o problema habitual da perda de hábitos de leitura na adolescência e juventude – mais uma vez se comprova que é global –, e parte-se então para a descrição das políticas de captação e fidelização de públicos jovens. As bibliotecas de Barcelona organizam-se em centros de interesse, sendo que cada uma procura ter um fundo e actividades específicas para o público-alvo em análise: a Biblioteca Nou Barris dedica-se às artes circenses, a Vapor Vell à música urbana, a Les Corts-Miquel Llongueras ao desporto, a Xavier Benguerei ao cinema e a Ignasi Iglésias-Can Fabra à B.D. Para além disso existem também grupos de leitura juvenis, oficinas de narração, oficinas de adaptação de obras literárias a jogos e teatro e, por último, o Prémio Protagonista Joven, em que os adolescentes lêem uma selecção de livros e escolhem o que consideram melhor.
Este exercício tinha já sido referenciado nas palavras cantadas. É mais uma achega pois entende-se no adrian que a pólvora já foi descoberta há muito tempo... e dispara-se tão pouco por estas bandas...

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segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Poetry Slam

Já ouviram falar? Então imaginem um espectáculo que funciona como um encontro e um torneio de poesia. Imaginem um espaço de democratização e liberdade na perfomance poética, nas suas mais variadas vertentes. Imaginem um local e um tempo em que se visualiza a ligação escritor/actor. O torneio implica a votação, sempre feita pelo público. Mas agora, o melhor: em Maio, na cidade de Dresden, nos intervalos das actuações que ocorreram no centro Scheune – o Livelyrix Poetry Slam –, o público era convidado a escrever os seus próprios poemas no telemóvel e a enviá-los via sms, para um ecrã enorme que estava no palco. Em apenas dois intervalos foram enviados 100 poemas. Como o anonimato era permitido, os mobile poets desinibiram-se. Diz-se que, para nos fazermos compreender, temos de falar a mesma linguagem. Para bom entendedor…

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quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Mea Culpa? Nostra Culpa?

O INE indica-nos que, de entre a população portuguesa residente, os indivíduos entre os 15 e os 24 anos são, em total, 1 265 531. Se considerarmos que 10 599 095 é o total da população, então o número de adolescentes e jovens adultos (aja’s) corresponderá a 11.93% da população nacional residente. Então, a pergunta que aqui se faz é a seguinte: cada biblioteca pública dedica 11.93% dos seus recursos aos 11.93% da população que serve? Existe, em cada biblioteca pública, 11.93% do espaço, colecção, recursos humanos e actividades destinadas a estes 11.93% de público-alvo? Quando nos queixamos de os hábitos de leitura se perderem a partir da adolescência, devemos pensar. E pensar bem. O erro, não será nosso? Este post é inspirado num texto intitulado “A room (or shelf) of their own: teen spaces in public libraries”. A autora – Mary McCarthy –, faz o mesmo paralelo mas relativo ao Colorado (o que demonstra bem que este é um problema de abrangência global). Dos 600.000 habitantes deste estado norte-americano, 25% são adolescentes. Disserta então sobre a colecção, a decoração, o espaço e respectivas regras de funcionamento. Fá-lo de forma sucinta – duas páginas –, mas de forma suficientemente esclarecedora para nos pôr a pensar. Pelo menos aqui o adrian ficou.

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O Deus das Moscas

Uma grande obra, sugerida pelo Plano Nacional de Leitura, para o 3º ciclo: O Deus das Moscas, do Nobel William Golding.
Um grupo de adolescentes dá por si numa ilha deserta, fruto de um desastre de avião. Diz o autor que “os rapazes tentam construir uma civilização na ilha; mas tudo termina em sangue e terror, porque eles sofrem de uma terrível doença, que é a de serem humanos. O tema é uma tentativa de descrever as falhas da sociedade, a partir dos defeitos da natureza humana. A moral da história é a de que a forma da sociedade depende da maturidade ética do indivíduo e não de um qualquer sistema político, mesmo aparentemente lógico e estável."
Há quem defenda que esta obra se deve destinar apenas a adolescentes a partir dos 16, 17 anos. Tal razão assenta no facto de, caso não se atinja a moral da história, o leitor apenas se focar na violência do enredo. Mas para isso existem os profissionais de biblioteca, que saberão aconselhar mediante quem tiverem à frente. O importante é que aqui está mais uma boa dica, mais um bom livro indicado pelo PNL. Aplausos!

GOLDING, William. O Deus das Moscas. Porto : Público, 2002.

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terça-feira, 31 de Julho de 2007

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